O Ministério das Cidades pediu R$ 750 milhões à equipe econômica para o Reforma Casa Brasil não parar em agosto. O pedido apareceu nesta semana e tem prazo curto: pelo documento enviado à Fazenda, o Fundo Garantidor da Habitação Popular, o FGHab, bate o teto de capacidade ainda neste mês.
Sem o aporte, o fundo “deixará, ainda no mês de agosto, de poder garantir os novos financiamentos concedidos, tornando inviável a manutenção do programa”, diz o texto do ministério. A equipe econômica ainda analisa o pedido, e a decisão passa por uma avaliação de risco jurídico.
Para quem vive de vender cimento, telha, tinta e areia no balcão, isso não é assunto de Brasília. É a linha que banca a obra do cliente que compra parcelado.
O fundo chegou perto do limite
O FGHab tem capacidade de garantir até R$ 3,3 bilhões em financiamentos do programa. Até julho, cerca de R$ 3 bilhões já tinham sido contratados. Sobrou pouco espaço.
Os R$ 750 milhões são medida emergencial, enquanto o governo tenta montar uma saída mais permanente. O próprio ministério não garante por quanto tempo o reforço seguraria a ponta.
O crédito prometido não virou venda
Foram R$ 40 bilhões anunciados em outubro do ano passado. Até 16 de julho, o programa tinha liberado R$ 2,7 bilhões. O ritmo até melhorou depois que o governo afrouxou as regras em maio: o teto de renda familiar subiu de R$ 9,6 mil para R$ 13 mil, o juro caiu para 0,99% ao mês e o prazo foi esticado para 72 meses, com financiamento de até R$ 50 mil.
Mesmo assim, o dinheiro não apareceu no caixa das lojas. A indústria de materiais fechou o primeiro semestre com queda de 3,4% no faturamento, já descontada a inflação, e a Abramat cortou a projeção do ano de alta de 1,9% para 0,5%.
“A revisão da projeção representa um ajuste às condições observadas no primeiro semestre”, disse Mauro Franco, presidente executivo da Abramat, ao anunciar o corte em julho. A entidade aponta juro alto, endividamento das famílias e o desempenho abaixo do esperado do programa.
Os números
R$ 2,7 bilhões liberados até 16 de julho, ou 6,7% dos R$ 40 bilhões anunciados para o programa.
117,3 mil contratos assinados, com valor médio de R$ 23,4 mil por operação.
53,45% dos contratos ficaram com famílias de renda até R$ 3.200.
O que muda no balcão e no caixa
Endividamento alto explica boa parte da lentidão. A família que ia trocar o telhado faz a obra em pedaço: leva o cimento num mês, a telha no outro, o revestimento fica pra depois. Compra fracionada é venda menor e mais visita ao balcão pelo mesmo metro quadrado de obra.
O ticket médio de R$ 23,4 mil mostra o tamanho do serviço que o programa banca. Banheiro, laje, contrapiso, reboco. É obra de morador, não de empreiteira grande, e cai direto no varejo de bairro.
Aí entra a conta do dono do depósito. Quem montou estoque apostando na onda de reforma e comprou com 60 ou 90 dias de prazo precisa olhar o calendário de agosto com atenção. Se o aporte sair, a Caixa continua contratando. Se não sair, as novas operações param e o cliente que estava na fila do crédito some da porta.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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