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Portos e Logística

Portos do Brasil batem recorde e disparam a corrida por pátio e frota

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Redação
24 jul 2026 · 0 comentários
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Portos do Brasil batem recorde e disparam a corrida por pátio e frota

Portos brasileiros batem recorde e a disputa vira no pátio

A movimentação portuária no Brasil fechou 2025 em 1,4 bilhão de toneladas, o maior volume da história do setor e alta de 6,1% sobre o ano anterior, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Não foi um pico isolado. Os primeiros meses de 2026 vieram ainda mais fortes, e para quem opera terminal, pátio ou armazém a conta mudou: mais carga passando pelo mesmo espaço, no mesmo tempo, com a mesma margem de erro, ou menor.

Os terminais de uso privado puxaram o número. Sozinhos, movimentaram 906,1 milhões de toneladas em 2025, avanço de 7%. O Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, no Maranhão, seguiu na liderança isolada com 172,4 milhões de toneladas. A Antaq projeta 1,44 bilhão de toneladas para 2026, mais 2,7% — crescimento menor no papel, pressão maior no chão do pátio.

Santos empurra o teto para cima

O maior complexo da América Latina não deu trégua. Entre janeiro e abril de 2026, o Porto de Santos movimentou 59,3 milhões de toneladas, alta de 6,6% e novo recorde para o período. Foram 1,91 milhão de TEU em contêineres, avanço de 5,4%, e 29,2 milhões de toneladas de granel sólido, alta de 8,2%. Só em abril, o porto operou 16,5 milhões de toneladas, 11,5% acima de abril de 2025, e 508,7 mil TEU em um único mês.

Até maio, o acumulado chegou a 75,65 milhões de toneladas e passou de 2,4 milhões de TEU. A autoridade portuária trabalha para romper 6 milhões de TEU em um único ano e cravar a marca histórica de 100 milhões de contêineres movimentados desde o início desse tipo de operação em Santos. O salto seguinte já tem nome: o Tecon 10, terminal que deve ampliar em cerca de 50% a capacidade de contêineres do porto.

No Maranhão, a soja manda no granel

O Porto do Itaqui movimentou 16,5 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026. Em maio, registrou o maior volume de granéis sólidos da sua história: 2,76 milhões de toneladas em um mês, sendo 2,18 milhões só de soja. No semestre, a soja somou 8,5 milhões de toneladas e respondeu por mais de 51% de tudo que cruzou o cais. Para o operador de pátio logístico ligado ao corredor de exportação do Matopiba, isso desenha janelas de pico concentradas na safra — e frota que precisa girar sem folga quando o navio está no berço.

A corrida por frota e pátio elétrico

O recorde de carga acendeu uma onda de compra de equipamento. A Brasil Terminal Portuário (BTP), na margem direita de Santos, fechou a aquisição de 55 equipamentos de movimentação de contêineres 100% elétricos: 53 e-RTGs, os guindastes de pátio sobre pneus, e dois portêineres. O pacote gira em torno de R$ 2 bilhões e deve elevar a capacidade do terminal de 1,5 milhão para 2 milhões de TEU por ano.

Em Navegantes (SC), a Portonave destinou R$ 439 milhões só a equipamentos elétricos: dois guindastes de cais, 14 e-RTGs, um reach stacker e dois scanners, dentro de um investimento total de R$ 2 bilhões que também refaz o cais. A meta é idêntica à da BTP: sair de 1,5 milhão e chegar a 2 milhões de TEU. Em Manaus, a Super Terminais colocou R$ 120 milhões em três guindastes elétricos Konecranes, modelo Gottwald ESP 10, com até 125 toneladas de capacidade, e ampliou os berços de quatro para seis, cerca de 30% mais capacidade para atender a Zona Franca.

Atrás de cada portêiner elétrico, o pátio continua girando sobre máquina pesada: reach stackers, empilhadeiras de contêiner e carregadeiras que empilham, transferem e alimentam o fluxo entre cais, armazém e caminhão. É aí que a frota de apoio virou decisão de competitividade. Terminais renovam empilhadeiras Kalmar e reach stackers Sany, enquanto fabricantes nacionais disputam o mesmo pátio — a BrutoBrasil, por exemplo, leva a empilhadeira EBR-300 e a carregadeira BRT-30 para operações de granel e pátio. Quem erra a máquina paga em contêiner parado.

O que muda para o negócio

Volume recorde não vira lucro sozinho. Ele vira lucro quando o pátio movimenta mais caixa por hora, quando a máquina não fica ociosa esperando o próximo navio e quando o custo por tonelada cai mesmo com a operação a plena carga. Os terminais que trocaram diesel por e-RTG elétrico miram exatamente esse ponto: mais movimentos por hora, menos gasto com combustível e o fim da manutenção hidráulica pesada que tira equipamento de linha na hora errada.

A pressão é concreta. Com a Antaq projetando 1,44 bilhão de toneladas em 2026 e 1,59 bilhão até 2030, cada metro quadrado de pátio precisa render mais, porque comprar berço e retroárea novos leva anos e custa bilhões. O gargalo, cada vez mais, não está no oceano nem no navio. Está no pátio e na frota que o ocupam.

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Redação
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