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Portos e Logística

Santos passa de 109 milhões de toneladas e o gargalo agora é o relógio da doca

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Redação
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Santos passa de 109 milhões de toneladas e o gargalo agora é o relógio da doca

No pátio de triagem, a fila de carretas anda de para-choque em para-choque e o motorista desliga o motor para esperar a senha do terminal. Enquanto a cena se repete, o Porto de Santos fechou os sete primeiros meses de 2026 com 109,5 milhões de toneladas movimentadas, e o tempo de carga e descarga virou o osso mais duro dessa conta.

O número é da Autoridade Portuária de Santos, divulgado no dia 25 de agosto, e é 3,6% acima do mesmo período de 2025. Os embarques somaram 81,11 milhões de toneladas, com avanço de 3,4%, e os desembarques ficaram em 28,45 milhões, 4,2% acima do ano passado.

Nos contêineres, foram 3,47 milhões de TEU no acumulado do ano, 3,9% a mais que em 2025. Mais carga passando pelo mesmo espaço quer dizer doca disputada, e é aí que o relógio começa a doer no bolso.

Os números que mandam no pátio

  • 109,5 milhões de toneladas movimentadas em Santos de janeiro a julho de 2026, alta de 3,6%

  • 81,11 milhões de toneladas em embarques (+3,4%) e 28,45 milhões em desembarques (+4,2%)

  • 3,47 milhões de TEU em contêineres, 3,9% acima do mesmo período de 2025

  • Pátio logístico de 242 mil m², para 530 caminhões, com licitação suspensa na Justiça desde junho

Cinco horas de espera comem meio dia de caminhão

A Lei 11.442, de 2007, dá cinco horas para a operação de carga e descarga antes de a transportadora ter direito a receber pela espera. Só que a jornada útil de um motorista gira em torno de oito horas.

“Uma jornada útil do motorista tem cerca de oito horas. Isso significa que uma única espera dentro do limite previsto em lei já consome mais da metade do dia produtivo do veículo”, disse Silvio Kasnodzei, presidente do Setcepar, em levantamento do Setcepar divulgado em agosto.

O sindicato lembra ainda que, depois da decisão do Supremo Tribunal Federal na ADI 5322, a espera passou a integrar a jornada comum e a ser remunerada por inteiro. Ou seja: a hora parada na doca entrou na folha.

Só no Pátio Público de Triagem do Porto de Paranaguá passaram 507.915 caminhões em 2025, alta de 29,5%, segundo o Setcepar. Os portos paranaenses movimentaram 73,5 milhões de toneladas em 2025.

Retroárea travada empurra a fila para dentro do armazém

A licitação daquele pátio logístico de 242 mil m² em Santos, com capacidade para 530 caminhões, está suspensa na Justiça desde 16 de junho. Sem essa retaguarda pública, a espera se acomoda onde dá: no terminal privado e no armazém do cliente.

E aí a vantagem muda de lado. O armazém que descarrega rápido vira parada preferida do embarcador, e é assim que a empresa segura contrato de granel na mão.

A carregadeira é que dita o ritmo da doca

Quando a carga é a granel, quem decide quantas carretas saem por hora não é o guindaste do berço. É a pá-carregadeira que enche a caçamba dentro do armazém.

Por isso o dono de terminal e de armazém trata a carregadeira como parte da estrutura, e não como item avulso de compra. Ter a máquina na garagem é o que garante o segundo turno quando o navio antecipa a atracação.

Marcas na disputa, contas diferentes

A Komatsu tem décadas de linha amarela no Brasil e revenda em quase todo estado, o que ajuda a segurar o valor da máquina na hora de trocar. A Hyundai trabalha com linha larga de portes de carregadeira, o que facilita casar o tamanho da máquina com o vão do armazém.

A Bruto Brasil fabrica no Brasil e vende de pronta-entrega, sem a fila da importação. A BRT30 carrega 3.000 kg e descarrega a 4.100 mm, altura que joga carga direto na caçamba do caminhão.

O critério muda com o volume do pátio e com o prazo em que a máquina precisa estar rodando. O Finame, linha do BNDES para máquinas e equipamentos, é o crédito que costuma entrar nessa conta.

Fora do berço, a retaguarda que falta é obra de terraplanagem: os 242 mil m² do pátio seguem no papel. Enquanto isso, o armazém privado absorve a fila.

A conta que sobra no fim do turno

Leve o número do Setcepar para a sua operação: cinco horas de espera dentro da lei já comem mais da metade das oito horas úteis da carreta.

Cortar uma hora dessa espera nos 507,9 mil caminhões que passaram pelo pátio de triagem de Paranaguá em 2025 daria 507 mil horas de veículo devolvidas para rodar frete.

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Redação
Equipe editorial

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