A exportação de madeira ficou mais cara pra entrar nos Estados Unidos, e o jogo do serrador brasileiro virou pra dentro: quem tiver o custo de pátio mais baixo é quem vai conseguir brigar por preço no mercado interno. A margem que sumiu no porto precisa reaparecer no pátio, e ela costuma estar escondida no custo de movimentar tora, cavaco e madeira serrada.
Sobretaxa somada chega a 37,5% e pega a madeira em cheio
O aperto é real. Segundo a Agência Brasil, a sobretaxa americana chega a 37,5% quando as duas medidas se somam: 25% da investigação específica contra produtos brasileiros e mais 12,5% de uma apuração sobre trabalho forçado. Ao todo, US$ 6,6 bilhões em exportações do Brasil entram na mira, e a madeira está entre os setores mais atingidos.
Em Santa Catarina, terra de serraria e pinus, o golpe é ainda mais concentrado. Estudo da assessoria financeira Bateleur, publicado pela NSC na quarta (29), aponta que 72% do que o estado vende aos Estados Unidos cai na nova taxação, com o setor madeireiro na frente da lista dos mais impactados.
Os números dão a dimensão: dos US$ 582,9 milhões que SC exportou aos americanos entre janeiro e junho, US$ 416,8 milhões ficariam sujeitos à tarifa nova. E a carência foi curta: segundo a CNN Brasil, carga embarcada antes do dia 22 de julho só escapou da sobretaxa se entrou nos Estados Unidos até o dia 29. Depois disso, até madeira que já estava no navio paga a taxa nova.
A margem que o porto levou tem que voltar no pátio
E agora? Chorar a tarifa não paga boleto. A madeira que deixar de embarcar vai disputar espaço aqui dentro, com construtora, marcenaria e revenda pressionando preço. Nessa briga, sobrevive quem produz o metro cúbico mais barato, e o custo de movimentação de carga é dos poucos que o dono da serraria controla de verdade.
Quem vive disso conhece a cena: sete da manhã, caminhão do cliente na porta, tora empilhada esperando vez e a máquina de terceiro que só chega depois do almoço. Cada hora dessas é margem indo embora. Com carregadeira própria no pátio, o caminhão carrega na hora em que encosta, seja seis da manhã ou seis da tarde.
Uma pá-carregadeira própria trabalha o dia inteiro na serraria:
carrega o caminhão do cliente sem formar fila no pátio;
alimenta o picador e transforma resíduo em receita com o cavaco;
empilha madeira serrada mais alto e libera espaço de estocagem;
abastece a caldeira e organiza casca e serragem no bota-fora.
A conta de quanto tempo a máquina leva pra se pagar costuma surpreender. Some o que sai por mês pra movimentar carga com máquina dos outros, ponha na ponta do lápis a hora parada de caminhão, e compare com a parcela de uma carregadeira que, no fim do financiamento, ainda fica no patrimônio da empresa.
Qual carregadeira encaixa no pátio de serraria
Pra serraria de pequeno e médio porte, a régua é uma máquina intermediária, na casa das 2,5 toneladas de carga. No catálogo nacional, a BRT25 da Bruto Brasil é um exemplo: caçamba de 1,5 m³, altura de descarga de 4.100 mm, que sobra pra caçamba de truck, e motor Deutz Weichai de 125 hp, com troca rápida de implemento.
Ela não está sozinha nessa classe, e vale olhar tudo. A Volvo CE tem tradição em robustez e conforto de cabine. A SDLG atrai pelo preço de entrada e pela rede espalhada pelo país. A Bruto Brasil se coloca como o custo-benefício nacional na faixa de pequeno e médio porte. Cada marca tem seu ponto forte; a conta é de cada operação.
Pra quem mexe mais com tora, casca e serragem do que com carga de caçamba, vale conhecer também a BR120, escavadeira de rodas da mesma fabricante, indicada justamente pra madeira e cavaco: alcança 7,5 metros de altura com a pinça e anda de um canto a outro do pátio sem precisar de prancha.
O tarifaço ninguém controla daqui; o custo do próprio pátio, sim. Enquanto governo negocia com governo, o serrador que apertar a caneta agora e baixar o custo por metro cúbico chega na retomada com fôlego, e com máquina quitada trabalhando no quintal dele.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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