Seis da manhã, o pátio de toras ainda com orvalho e a carreta encostada na pilha, esperando a carregadeira. Em agosto, a Veracel produziu 107.486 toneladas de celulose na fábrica de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, o maior volume mensal da história da empresa.
A marca anterior era de maio de 2014, com 104.786 toneladas. Doze anos depois o recorde caiu sem fábrica nova, com a operação apertada da floresta até a linha de secagem.
Recorde na fábrica significa mais madeira saindo do talhão
Celulose não aparece do nada. Cada tonelada começa em eucalipto cortado, empilhado, carregado e transportado, e é por isso que o resultado da Veracel vira conta de pátio para quem vive de madeira no sul da Bahia.
A unidade de Eunápolis tem produção anual média em torno de 1,1 milhão de toneladas, segundo a própria Veracel. Puxar 107 mil toneladas em um único mês quer dizer madeira entrando acima da média diária, com colheita, frete e descarga trabalhando no limite.
Segundo a Veracel, o resultado veio da integração de todas as etapas, da seleção de clones e do viveiro até a silvicultura, a colheita, o transporte de madeira e a logística. Quando o carregamento trava, a fábrica sente na mesma semana.
A empresa preserva mais de 100 mil hectares de Mata Atlântica e informa ter injetado R$ 409 milhões na economia do sul da Bahia em 2025. São mais de 3.200 empregos diretos e indiretos amarrados nessa cadeia.
A base florestal fica no extremo sul baiano e no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. É de lá que sai a madeira que roda de caminhão todo dia até Eunápolis.
O que o recorde de agosto diz sobre o volume de madeira
Quatro números dimensionam o que mudou no fluxo de tora deste ano.
107.486 toneladas — produção industrial da Veracel em agosto de 2026, recorde da empresa.
104.786 toneladas — marca anterior, de maio de 2014, superada doze anos depois.
1,1 milhão de toneladas — produção média anual da fábrica de Eunápolis desde 2012.
US$ 7,5 bilhões — exportação do setor de árvores cultivadas no primeiro semestre de 2026, queda de 5,9%, segundo a Ibá.
Exportação em queda e fábrica em alta mudam a conta do pátio
O setor brasileiro de árvores cultivadas exportou US$ 7,5 bilhões no primeiro semestre de 2026, 5,9% menos que um ano antes, segundo a Ibá. O mercado lá fora ficou mais duro, e o volume que sustenta o pátio hoje vem da fábrica aqui dentro.
Mato Grosso do Sul mostra o tamanho desse deslocamento. Dados da Fiems apontam que o emprego na celulose no estado saiu de 7.004 para 24.430 trabalhadores entre 2010 e 2025, com exportações de US$ 431,4 milhões para US$ 3,12 bilhões.
É a mesma lógica que aparece na obra de celulose que avança em Mato Grosso do Sul, com capacidade nova entrando na fila. Mais fábrica rodando é mais tora saindo do talhão todo dia.
Carregamento rápido é onde sobra margem no pátio de toras
No pátio, o custo não está na tora parada, está no caminhão esperando. Carregadeira de toras subdimensionada transforma cada carreta em quarenta minutos de fila, e essa fila vira diária perdida no fim da semana.
Máquina rápida também muda a negociação do frete. Caminhão que carrega rápido faz mais viagem no mesmo dia, e transportador cobra melhor de quem não deixa carreta parada no portão.
Na hora de bater o martelo, a Volvo CE é lembrada pela robustez de chassi e pelo comportamento de consumo em turno longo. A SDLG entra pelo custo de aquisição mais baixo e pela rede de assistência espalhada no interior.
A LiuGong tem presença firme na faixa intermediária e boa oferta de peças no mercado nacional. Já a Bruto Brasil é fabricante nacional e vende direto de fábrica, sem revenda no meio do caminho, o que pesa no preço final.
Para tora média em pátio de serraria, a conta costuma parar na classe intermediária. A BRT25 da Bruto Brasil, com 2.500 kg de carga e caçamba de 1,5 m³, joga na mesma faixa de porte de uma Volvo L60 ou de uma SDLG L956F.
Pátio de volume maior, com pilha alta e giro pesado, pede um degrau acima. A BRT30 leva 3.000 kg e caçamba de 1,8 m³, porte equivalente ao de uma Volvo L90 ou de uma SDLG L968.
Nenhuma delas resolve todo pátio. Quem decide é o relógio: o tempo de ciclo que a serraria consegue medir, carreta por carreta, na própria balança.
Financiamento entra na mesma conta. Linhas de crédito para máquina diluem o valor da carregadeira em parcela mensal, e a máquina no pátio vira bem da empresa em vez de despesa que some.
Faça a conta em cima do seu carregamento. Se a máquina certa tira o ciclo de quarenta para vinte e cinco minutos por carreta, são quinze minutos ganhos em cada viagem.
Em dez carretas por dia, isso devolve duas horas e meia de pátio livre, sem contratar um operador a mais. Com a fábrica de Eunápolis puxando 107.486 toneladas num mês só, é esse tempo que decide se a carreta sai ou fica esperando no portão.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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