O portão de ferro da entrada principal foi a leilão com lance inicial de R$ 30 mil. Saiu da mansão do Jardim Pernambuco, no Leblon, junto com as 1.681 peças ofertadas na rodada final, nesta segunda-feira (14).
A casa foi vendida por R$ 220 milhões e já está sendo derrubada. Antes de a retirada de entulho engrenar, o acervo foi para o martelo: o corrimão da escadaria abriu a R$ 2.200 e uma fotografia, a R$ 1.
A lista completa saiu no domingo (13), no Alô Alô Bahia e no Bnews. O Brasil em Folhas confirmou que a última rodada de lances cai hoje.
O que saiu da casa antes da máquina
A mansão tinha cerca de mil metros quadrados de piso de tábua corrida em peroba-rosa, conforme o inventário do acervo publicado pelo Alô Alô Bahia. As 11 portas e janelas do segundo andar foram ofertadas em um item só, por R$ 8 mil.
Nem tudo era peça nobre. Um par de luminárias abriu a R$ 320, um armário de banheiro a R$ 100 e um lote de vasos sanitários e bidês, a R$ 1 mil.
Nada disso vira resíduo. Cada porta, cada esquadria e cada metro de tábua que sai inteiro é volume que não sobe na caçamba nem paga taxa de aterro na hora da destinação.
Triagem primeiro, caçamba depois
Demolição de alto padrão deixou de ser derrubar e levar embora. São duas frentes que rendem dinheiro: a triagem do que dá para reaproveitar e a retirada de entulho do que sobrou da estrutura.
A segunda frente é a que pesa no caixa da demolidora. Tonelada de resíduo de construção custa carga, frete e destinação, e cada item desmontado antes da máquina some dessa fatura.
O caçambeiro sente primeiro, porque menos volume por obra significa menos viagem no mês. Parte da compensação vem da triagem, serviço que prende a máquina por mais dias no mesmo endereço.
Desconstrução seletiva separa a demolidora que só derruba da que também vende o que tirou. Para montar esse segundo caixa, o canteiro precisa de gente treinada em demolição e desconstrução seletiva e de equipamento que carregue sem destruir a peça.
Cada tipo de serviço pede uma máquina diferente
Rompimento e manuseio de material pedem escavadeira hidráulica com implemento, terreno em que a Hyundai montou linha própria de braço de demolição e rompedor. Em acesso estreito, com muro e vizinho colado, a JCB firmou nome na retroescavadeira e no manipulador telescópico.
Carregar o entulho até a caçamba é outro serviço, e nele trabalha a carregadeira. A Bruto Brasil cobre essa faixa com a BRT20, de porte intermediário, e a troca rápida de implemento na terceira função hidráulica.
Trocar de marca no meio do serviço sai caro, então a definição vem antes do primeiro dia de obra. O que pesa é o volume diário de carga e a largura do acesso.
Noventa dias de obra em rua de alto padrão
A demolição começou no início de setembro e deve levar cerca de três meses, segundo o BPMoney. No lugar da casa, a incorporadora Mozak vai erguer o Estância Pernambuco, condomínio fechado com dez residências.
Cronograma curto em bairro residencial cobra método de qualquer demolidora: carga contínua, controle de poeira e de ruído, caminhão entrando e saindo em janela de horário. Obra em rua estreita não recupera atraso dobrando turno.
No pico da obra, o que sai mais caro: a parcela da carregadeira comprada ou o dia parado esperando máquina de terceiro? Com o equipamento no nome da empresa, o cronograma deixa de depender da agenda de outra companhia.
Comprar também é patrimônio, com linha de financiamento de bem de capital e valor de revenda lá na frente. E o custo por hora da carregadeira que já está no endereço cai a cada viagem a mais que ela faz.
De um lado, o portão de ferro, o corrimão e mil metros de peroba-rosa que foram ao martelo com preço de partida. Do outro, a estrutura de R$ 220 milhões virando resíduo, descendo na caçamba um caminhão por vez.
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