O governo federal bateu o martelo em R$ 176,7 milhões para demolir a ponte antiga do Estreito dos Mosquitos e erguer outra no lugar. A ordem de início saiu na terça-feira, 1º de setembro, mesmo dia em que o extrato do contrato foi publicado no Diário Oficial da União.
A estrutura fica na BR-135, na entrada de São Luís, no Maranhão. É a ponte Marcelino Machado, de 1960, hoje com deslocamento de blocos de concreto, corrosão da camisa metálica e perda de rigidez.
A travessia entrou na fila de emergência depois que o laudo apontou também fissuração elevada. Não deu para esperar o rito de licitação comum.
Derrubada fatiada, com a pista vizinha aberta
Não vai ter implosão. Segundo o Ministério dos Transportes e o DNIT, a demolição será controlada e gradual, tocada ao longo dos próximos meses para não abalar a estrutura paralela, que segue carregando o tráfego nos dois sentidos.
São duas pontes lado a lado. A do sentido de entrada tem 459 metros e é a que vai ao chão; a do sentido de saída, com 465 metros, fica de pé e sob monitoramento 24 horas por dia.
No canteiro isso significa corte por etapa e escoramento, com a retirada de material saindo sem fechar a via ao lado. O DNIT afirma que não está prevista a implantação do sistema de Pare e Siga durante a execução das obras.
São 459 metros de concreto armado que vão virar entulho. É serviço de demolição de estrutura de concreto sobre água, com pista ativa a poucos metros.
Contratação emergencial junta projeto e obra no mesmo pacote
A contratação foi emergencial e integrada, no Regime Diferenciado de Contratações. O mesmo contratado responde por estudo, projeto e execução da travessia nova.
Ficou com o Consórcio Ponte Estreito Maranhão, formado pela Construtora A. Gaspar e pela Arteleste Construções.
No regime integrado, quem executa também assina o projeto. O desenho da demolição sai da mesma mesa que vai tocar o serviço, o que encurta o vaivém de aprovação.
Frente desse tamanho não se resolve só com contrato assinado. Escavadeira de braço longo, martelo hidráulico, basculante e área de bota-fora licenciada precisam estar de pé antes da primeira batida.
Restrição de caminhão pesado já vale no feriado
Antes de a obra começar, o DNIT anunciou para 3 de setembro a portaria que limita a passagem de veículo pesado na travessia. O teste da regra é no feriado de 7 de setembro.
Fica restrito quem passar de 2,60 metros de largura, 4,40 metros de altura, 19,80 metros de comprimento ou 58,5 toneladas de peso bruto total combinado. Na prática, é o carreteiro de carga especial que precisa refazer a rota.
A BR-135 é o corredor de entrada da capital maranhense. Caminhão de obra, carreta de insumo e caçamba de entulho passam por ali todo dia.
Antes de fechar frete de máquina ou de agregado para São Luís, vale medir a carreta contra esses limites. Passar deles significa esperar janela de horário.
A obra começa em 10 de setembro. A restrição de peso passa pelo primeiro teste três dias antes, no feriado, e a derrubada da estrutura antiga vai em etapas nos meses seguintes.
Para a ponte nova, o DNIT trabalha com 2027 e ainda não fechou data.
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