As escavadeiras entraram em cena na quarta-feira, 12 de agosto, e derrubaram os três primeiros prédios no caminho da nova sede do governo de São Paulo, na Rua Helvétia e na Alameda Barão de Piracicaba, no centro da capital. O serviço é da Habitem, empresa contratada pela CDHU, e abre a fase de demolições do projeto que promete redesenhar a região da Praça Princesa Isabel.
Para o empresário de demolição e remoção de entulho, o número que interessa vem na sequência: são 67 imóveis na lista de derrubada da CDHU, concentrados em poucas quadras de Campos Elíseos. Tudo dentro de uma obra orçada em R$ 4,7 bilhões.
Os três prédios desta primeira leva estavam lacrados desde 2024, depois de uma operação do Ministério Público contra o crime organizado na região, segundo o Metrópoles. Em nota, a CDHU afirmou que “os serviços são realizados de forma programada, seguindo os procedimentos técnicos e de segurança necessários”.
As máquinas trabalharam nos dias 12 e 13, sempre em imóveis lacrados. Moradores do entorno relataram ao Metrópoles o incômodo de conviver com destroços e pontos abandonados enquanto a fila de derrubadas não anda.
R$ 4,7 bilhões e 250 mil m² num quadrilátero só
O tamanho do canteiro explica o interesse do setor. O complexo vai concentrar mais de 20 mil servidores estaduais em 250 mil m² de área construída no entorno da Praça Princesa Isabel, segundo o Jornal de Brasília.
O contrato é uma concessão paga ao longo de 30 anos, num total de R$ 4,7 bilhões, e o desenho do projeto passou por consulta pública aberta em janeiro de 2025. Só a conta das desapropriações chega a R$ 825,7 milhões.
A aposta da gestão Tarcísio é tirar as secretarias hoje espalhadas pela cidade e juntar tudo num endereço único, para enxugar a máquina administrativa e puxar a ocupação do centro. Mas, antes de qualquer viga subir, é o serviço de derrubada que toca a região.
Prédio colado em prédio: o serviço que a obra despeja no mercado
A primeira frente já dá a medida do trabalho. São construções encostadas umas nas outras, rua estreita, vizinho ocupado e trânsito de centro, o tipo de demolição que não admite improviso.
Derrubar prédio nessas condições é serviço mecanizado, andar por andar, com máquina de porte certo, água batendo na poeira e triagem do material na boca da caçamba. E a CDHU informou que faz vistorias cautelares nos imóveis vizinhos antes de cada derrubada, para documentar o estado das construções e embasar indenizações futuras, segundo o Diário do Estado de SP.
E tem o entulho. Uma fila de 67 imóveis é caçamba rodando por meses, com transporte e destinação de resíduo de construção e demolição, o RCD, no meio de uma das regiões mais movimentadas da capital.
Tem ainda a ponta da reciclagem. Concreto e alvenaria que descem podem virar agregado reciclado depois de britados, e pátio de RCD da região metropolitana deve sentir esse movimento.
Por enquanto, quem executa é a Habitem, contratada pela CDHU para esta etapa. O canteiro se soma a outras frentes de demolição que o setor acompanha pelo país, com uma diferença de peso: aqui o contratante é o Estado, o cronograma é público e a obra tem fôlego de anos.
Justiça suspende despejo na Alameda Barão de Piracicaba
A obra também tem um nó social, e ele já chegou ao tribunal. Na segunda-feira, 17 de agosto, o juiz Fausto Dalmaschio Ferreira suspendeu o despejo de cerca de 50 famílias que vivem em imóveis e pensões da Alameda Barão de Piracicaba, segundo o Brasil de Fato.
No grupo há pelo menos 14 crianças. A Defensoria Pública apontou falhas no atendimento, como famílias fora do cadastro, documentos perdidos e auxílio-aluguel de R$ 400 para uma parte delas, metade dos R$ 800 pagos aos deslocados mais recentes.
O governo estadual diz que cadastrou 65 famílias da área desde 2024, com auxílio-moradia garantido até o encaminhamento definitivo. E afirma que um grupo que não participou dos cadastros entrou nos imóveis depois disso.
No total, o projeto da nova sede do governo deve deslocar cerca de 600 famílias de baixa renda, segundo o Jornal de Brasília. Pelo desenho apresentado em consulta pública, elas têm direito a aluguel social até a entrega das novas moradias, realocação num raio de até 1 km e fila exclusiva nos programas habitacionais da CDHU.
Para quem vai trabalhar ali, decisão judicial não é detalhe. Frente embargada é cronograma que escorrega, e contrato bom é o que já entra prevendo esse tipo de pausa.
O que vem agora
O contrato definitivo da construção ainda depende de assinatura com o consórcio MEZ-RZK, vencedor da concessão, segundo o Diário do Estado de SP. Enquanto o papel não sai, a CDHU mantém o cronograma de demolições programadas nos imóveis já desocupados.
A fila dos 67 anda prédio a prédio, com vistoria antes e caçamba depois. Assinado o contrato, a derrubada deixa de ser preparação de terreno e vira o primeiro capítulo visível da obra de R$ 4,7 bilhões no centro de São Paulo.
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