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Construção Civil

Bancos pedem revisão do teto de juros da casa própria e a conta chega na construtora

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Redação
24 ago 2026 · 0 comentários
FBXWA
Bancos pedem revisão do teto de juros da casa própria e a conta chega na construtora

Os maiores bancos do país pediram ao Banco Central uma revisão no teto de juros de 12% ao ano do financiamento da casa própria, durante o Abecip Summit 2026, realizado nesta semana. Do lado de quem constrói, a briga interessa em dobro: o dinheiro que banca os lançamentos segue crescendo, mas o preço dele entrou em disputa, e o resultado dessa queda de braço vai definir o ritmo das obras em 2027.

O pano de fundo é o novo modelo de crédito imobiliário, que troca aos poucos a poupança pela captação no mercado como fonte do financiamento habitacional. Com a Selic em 14% ao ano, os bancos dizem que buscar esse dinheiro fora da poupança ficou caro demais pra emprestar dentro do limite de 12% mais TR.

Bancos querem mexer na trava de 12% do financiamento

A regra vale pro Sistema Financeiro de Habitação, o SFH, que cobre imóveis de até R$ 2,25 milhões e concentra o grosso do crédito de quem compra apartamento na planta. Pelo desenho atual do novo modelo, os bancos precisam aplicar no mínimo 80% dos recursos imobiliários dentro desse sistema, segundo o Jornal do Comércio.

No evento, que reuniu Caixa, Itaú, Bradesco e Santander, o presidente da Abecip, Michel Cury, resumiu o incômodo: quando as taxas de mercado sobem, a captação encarece, e a conta não fecha com o teto travado em 12%. Parte do setor foi além e pediu um ano a mais de prazo, empurrando a vigência plena do modelo de janeiro de 2027 pra janeiro de 2028, segundo o portal Let's Money.

Banco Central fala em ajuste, não em recuo

O diretor de regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, respondeu no mesmo palco. Classificou os primeiros resultados da fase de testes como animadores e afirmou que houve reversão na queda das concessões que vinha desde o início de 2025.

O modelo, disse, segue em reavaliação, e ajuste no desenho não está descartado, inclusive na regra dos 80%.

O cronograma continua de pé por enquanto. Em 2026 roda a fase de testes, com o depósito compulsório da poupança reduzido de 20% pra 15%, e a partir de janeiro de 2027 o modelo passa a valer por inteiro.

E o mercado não espera parado. O financiamento imobiliário movimentou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 23% sobre o mesmo período do ano passado, com projeção de R$ 375 bilhões no ano, segundo números da Abecip divulgados na cobertura do evento.

O que a disputa muda no caixa da construtora

Crédito habitacional é a torneira do repasse. O cliente só assina o financiamento se a parcela couber no bolso, e é esse contrato que devolve o caixa da obra pra construtora.

Teto mais alto encarece a prestação do comprador; adiamento do modelo mantém as regras atuais por mais tempo. Nos dois cenários, quem constrói precisa se planejar sem saber o preço do dinheiro do cliente em 2027.

Só que a obra contratada não pode esperar Brasília decidir. Prédio vendido na planta tem prazo de entrega e margem apertada por trás, e com material e mão de obra caros, cada semana de cronograma tem custo.

A mesma lógica que manda no serviço de terraplanagem vale dentro do canteiro: material que anda rápido segura o cronograma, e cronograma no prazo segura a margem.

Máquina própria entra na conta da margem

É aí que a movimentação de material deixa de ser detalhe. Caminhão de brita descarregado na mão consome equipe e horas que fazem falta na laje.

Uma pá-carregadeira de porte médio resolve: descarrega o caminhão, abastece a central de argamassa e alimenta a frente de trabalho sem tirar pedreiro da produção.

Na classe intermediária, o mercado tem opção pra todo perfil de conta. A JCB carrega tradição de canteiro e fama de versatilidade, construída em décadas de retroescavadeira rodando no Brasil.

A Case tem rede de distribuição consolidada e história longa na construção. Já a Bruto Brasil defende o dinheiro do comprador com fabricação nacional e reposição perto da obra, oferecendo modelos como a BRT20, de caçamba de 1,0 m³ e capacidade de até 2.000 kg, e a BRT23, que leva 1,1 m³ e opera na faixa de 2.200 a 2.300 kg.

Entre as três, não existe resposta única — o desempate sai do canteiro de cada um, do volume de material que gira por dia e da assistência mais próxima.

O caminho do dinheiro também está mapeado. Máquina nova entra nas linhas do Finame, do BNDES, operadas pelos bancos credenciados, com prazo longo pra diluir a parcela.

As condições variam de banco pra banco, e vale cotar mais de um antes de bater o martelo.

A conta que decide a compra

No fim das contas, a decisão cabe numa folha de papel. De um lado, o dono soma o que a movimentação de material custa hoje: os serventes deslocados a cada caminhão que chega, a betoneira esperando insumo, o serviço avulso contratado quando a obra aperta.

Do outro, a parcela mensal de uma carregadeira própria financiada em prazo longo.

Se o custo que já existe dentro do canteiro cobre a parcela, a máquina se paga com o trabalho que a obra já executa todo dia, e ainda sobra produção pra puxar a entrega. Enquanto o teto de juros da casa própria segue em disputa entre bancos e Banco Central, o crédito de máquina continua na mesa dos bancos credenciados.

Quem fecha essa conta no papel ainda nesta semana decide com número na frente, não com achismo.

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Redação
Equipe editorial

Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.

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