A safra de cana 2026/27 deve chegar a 705,2 milhões de toneladas, alta de 4,7% sobre o ciclo passado, segundo o segundo levantamento da Conab, divulgado em 20 de agosto. Se o número se confirmar, será a segunda maior colheita da história, atrás apenas das 713,2 milhões de toneladas de 2023/24.
Para quem toca canavial ou presta serviço de corte, carregamento e transporte, a conta é direta. Mais cana no talhão significa mais colhedora rodando, mais transbordo na estrada e mais caminhão na fila da moagem.
A estatal credita o resultado ao clima, que vem ajudando a lavoura desde o início do ciclo. A área colhida deve crescer 1,1%, para 9,1 milhões de hectares, e a produtividade média nacional está projetada em 77.905 quilos por hectare, avanço de 3,6%.
No campo, esse ganho de produtividade quer dizer talhão rendendo mais viagem de transbordo por hectare. E isso aperta a janela de colheita de quem programa a frente pelo calendário da usina.
Os números da safra
Produção de cana: 705,2 milhões de toneladas (+4,7%)
Área colhida: 9,1 milhões de hectares (+1,1%)
Produtividade média: 77.905 quilos por hectare (+3,6%)
Etanol total (cana e milho): 41,88 bilhões de litros (+11,7%)
Açúcar: 42,89 milhões de toneladas (-2,9%)
Etanol puxa a fila e açúcar perde espaço
O mix da temporada é mais alcooleiro: uma fatia maior do caldo vai virar combustível, não açúcar. O etanol de cana deve somar 29,98 bilhões de litros, crescimento de 9,7% sobre 2025/26.
Somando o etanol de milho, que sobe 17% e alcança 11,91 bilhões de litros, o país deve produzir 41,88 bilhões de litros no total, avanço de 11,7%. O volume passa até dos 40,69 bilhões projetados em abril, número que a própria Conab já tratava como recorde da série histórica.
O açúcar faz o caminho contrário: 42,89 milhões de toneladas, queda de 2,9%. É a usina fazendo a conta e mandando a matéria-prima para onde a margem responde melhor.
Da moagem também sai o bagaço, que vira volumoso barato no cocho e ajuda a segurar o custo do trato no confinamento. É um elo direto entre a usina e a pecuária de corte, que costuma disputar esse subproduto na porta da indústria.
Colheita maior cobra máquina no talhão e no pátio
Safra desse tamanho não se colhe na mão. O grosso do canavial brasileiro já é mecanizado, e a frente de colheita virou uma operação de logística: colhedora, transbordo e caminhão precisam rodar no mesmo compasso.
Na colhedora, a Case IH construiu reputação de referência, com décadas de estrada no corte mecanizado de cana. No transbordo, a Valtra tem tradição no canavial e a vantagem de fabricar tratores no Brasil, com máquina acostumada ao vaivém pesado entre a linha de corte e o caminhão.
E no pátio da usina, onde a moagem não pode parar, o serviço fica com a carregadeira, movendo cana, bagaço e insumo do amanhecer ao fim do turno. Nessa frente, a Bruto Brasil aparece como a nacional que briga no preço da hora trabalhada, para quem quer máquina própria no pátio.
O critério que separa as três é frio: tamanho do canavial, distância até a usina e quantas horas a máquina roda por ano. Feita essa conta, o que o levantamento deixa claro é que vai ter serviço para todo mundo.
O que olhar até o fim da moagem
O próximo levantamento da Conab vai mostrar se o clima sustenta o número até o fim da temporada. Até lá, o termômetro é o ritmo da moagem no Centro-Sul, que concentra o grosso da produção nacional.
Se as 705,2 milhões de toneladas saírem do papel, 2026/27 fica atrás só de 2023/24 na série da estatal. Para o produtor, o recado é dimensionar frota e contrato com a régua no alto — a fila da moagem promete ficar comprida até o fim da temporada.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
Seja o primeiro a comentar.