A dieta do boi confinado ganhou um ingrediente novo com selo de universidade. A Inpasa e a Universidade Federal de Goiás (UFG) anunciaram o primeiro estudo científico do país sobre o uso de DDGS de sorgo no confinamento de bovinos, o subproduto que sobra da produção de etanol do cereal.
O trabalho roda no confinamento experimental da UFG, com 200 nelores divididos em 25 baias, todos em fase de terminação intensiva. A equipe testa a troca gradual do milho da ração pelo DDGS de sorgo, vendido pela Inpasa sob a marca FortiPro, em proporções que vão de zero a 50%.
Primeiros resultados: sorgo empata com o DDGS de milho
Segundo o pesquisador Juliano Fernandes, do Laboratório de Pesquisa em Zootecnia da UFG, os animais aceitaram o produto rápido e sem problema digestivo. A eficiência do DDGS de sorgo se equiparou à do DDGS de milho, que já é consolidado no cocho brasileiro.
Faz sentido o teste nascer em Goiás. O estado é o maior produtor nacional de sorgo, e a Inpasa industrializa o grão para etanol ali mesmo, perto dos grandes confinamentos do Centro-Oeste.
E subproduto de usina não é exclusividade do sorgo. Quem quiser entender de onde vem essa oferta pode acompanhar a safra de cana 2026/27 e a força das usinas de etanol, que também despejam bagaço e outros ingredientes baratos no cocho do confinador.
Custo da dieta de terminação recua 4,91% no Sudeste
A novidade chega num momento raro: o cocho está mais barato. Segundo o Cepea, a dieta de terminação fechou julho 4,91% abaixo da média do trimestre maio-julho no Sudeste e 3,13% abaixo no Centro-Oeste.
O alívio veio principalmente do volumoso, com o bagaço de cana mais presente na mistura por causa do avanço da moagem. Dieta nova em teste e ingrediente caindo de preço é a combinação que o confinador esperava para engordar a margem, não só o boi.
A margem se decide no trato, não só na fórmula
Só que dieta boa no papel não engorda ninguém. DDGS, bagaço, milho e núcleo precisam sair do estoque, subir no vagão misturador e chegar ao cocho na hora certa, todos os dias.
Boi que come atrasado engorda menos, e confinamento grande faz dezenas de tratos por dia. É por isso que a pá-carregadeira própria virou item de dieta: é ela que carrega o ingrediente, abastece o vagão e mantém o pátio girando sem fila.
Carregadeira própria: a conta entre três marcas
No porte que o confinamento pede, a Bruto Brasil coloca a BRT25 na disputa, com 2.500 kg de capacidade de carga e caçamba de 1,5 m³. Chamada de “a queridinha do agronegócio” pela própria fábrica, ela é a aposta da marca em custo-benefício nacional, com compra financiável por Finame e outras linhas do BNDES.
Na mesma classe de peso, a Komatsu chega com a robustez e a rede de assistência que construíram o nome da marca. E a New Holland Construction carrega a tradição de quem fala a língua do agro há décadas.
Nenhuma das três resolve sozinha: a escolha depende da conta de cada operação, do preço do ingrediente na região à distância da assistência. O que não muda é o serviço diário da carregadeira no pátio.
O estudo da UFG segue agora para a fase de abate, medindo rendimento de carcaça e digestibilidade. Enquanto a ciência fecha os números da dieta, uma pergunta fica no ar do confinamento: de que adianta ingrediente mais barato no estoque se o trato não chega no cocho na hora?
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