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Confinamentos e Pecuária

Cota da China cheia derruba embarque de carne, mas arroba resiste em R$ 348

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André Camargo
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Cota da China cheia derruba embarque de carne, mas arroba resiste em R$ 348

A China fechou a torneira e o embarque sentiu. O Brasil exportou 227,94 mil toneladas de carne bovina em julho, queda de 17,7% sobre o mesmo mês de 2025, com a cota da China praticamente estourada — e mesmo assim a arroba do boi gordo terminou a primeira semana de agosto firme, perto de R$ 348 nas praças de referência de São Paulo.

Os dados vêm da Secretaria de Comércio Exterior, compilados pela consultoria Safras & Mercado. A média diária de embarque ficou em 9,9 mil toneladas por dia útil, a menor de 2026.

China levou quase metade a menos de carne em julho

Os chineses compraram 82,7 mil toneladas no mês, contra 158,4 mil toneladas em julho do ano passado — recuo de 47,8%. De janeiro a julho, o Brasil já mandou 1,189 milhão de toneladas para lá, o equivalente a 107,53% do limite de 1,106 milhão de toneladas fixado para o ano.

Passou 83,3 mil toneladas do teto. Quem embarca fora da cota paga sobretaxa, e por isso boa parte da indústria parou de programar carga para a China e foi caçar comprador em outro destino.

A receita caiu menos que o volume porque o preço subiu

O faturamento do mês foi de US$ 1,447 bilhão, 5,8% abaixo de julho de 2025. Bem menos que o tombo do volume, e a explicação está no preço: a tonelada saiu a US$ 6.350,50, alta de 14,4% na comparação anual.

Vendeu menos carne e cobrou mais caro por ela. É esse prêmio que vem segurando a ponta do frigorífico e, por tabela, o que ele consegue pagar pelo boi na porteira.

O que mudou no embarque de julho

  • 227,94 mil toneladas embarcadas, 17,7% menos que em julho de 2025

  • US$ 1,447 bilhão de receita, recuo de 5,8%

  • US$ 6.350,50 por tonelada, alta de 14,4% no ano

  • 82,7 mil toneladas para a China, contra 158,4 mil um ano antes

Com menos turno rodando, a escala de abate encurta

Plantas que dependiam do mercado chinês reduziram abate e concederam férias coletivas a funcionários. Menos linha rodando significa menos gado entrando na fila.

Só que a oferta de boi terminado também está curta. As escalas de abate rodam entre dois e quatro dias na maioria dos frigoríficos, com relatos pontuais de até sete dias, prazo apertado para o padrão da indústria, e é isso que tem impedido o comprador de puxar a arroba para baixo.

Abiec põe China e Europa no mesmo pacote

A Abiec afirmou nesta semana que a demanda pela carne brasileira caiu com a cota da China e com as medidas adotadas pela União Europeia. São duas frentes fechando ao mesmo tempo, o que empurra o setor a correr atrás de outros mercados.

No cocho, a conta continua rodando todo dia

Para quem está com boi no confinamento, nada disso muda o trato de amanhã. A silagem já está no silo, o custo do dia está contratado e o animal não espera decisão de comércio exterior.

Por isso muito confinador anda olhando o calendário de saída com lupa. Adiantar ou segurar a boiada, com escala enxuta e arroba firme, virou decisão de caixa, não de palpite.

A indústria agora espera a abertura de uma nova cota chinesa para voltar a programar carga cheia. Até lá o pecuarista faz a conta com o que tem na mão: boi curto no pasto, frigorífico com turno reduzido e um preço que se sustenta mais pela falta de gado do que pela força do comprador.

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Redação
André Camargo

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