A agricultura empresarial contratou R$ 28,2 bilhões em crédito rural em julho, o primeiro mês da safra 2026/2027. O dado saiu em 10 de agosto, no primeiro Boletim Mensal de Desempenho do Plano Safra, do Ministério da Agricultura e Pecuária, e vem com um número que mexe com quem toca fazenda: só R$ 118,1 milhões foram parar nos programas de investimento, a linha que banca máquina, armazém e irrigação.
Foram 26.034 contratos no mês. E a maior parte do dinheiro não veio do balcão clássico de custeio. Veio da Cédula de Produto Rural, o papel em que o produtor antecipa caixa dando o próprio grão como garantia.
CPR responde por dois terços do dinheiro que entrou na lavoura
A CPR somou R$ 18,8 bilhões, 66,6% de tudo que foi contratado em julho, em 12.940 operações. O custeio convencional, a linha que banca semente, adubo e defensivo, ficou em R$ 6,5 bilhões, ou 23% do total. Dentro do custeio, o Pronamp levou R$ 3,5 bilhões e os demais produtores, R$ 3 bilhões.
Já o crédito com juros equalizados mal começou a andar. Nessas linhas, a taxa de juros é controlada pelo governo federal e a diferença para a taxa de mercado é coberta pelo Tesouro Nacional, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. Dos R$ 97,6 bilhões programados para a safra, apenas R$ 1,3 bilhão saiu em julho. A portaria que regulamentou a equalização é de 22 de julho e autorizou 26 instituições financeiras a operar as linhas, num total de R$ 141,8 bilhões equalizáveis até 30 de junho de 2027.
Os números do primeiro mês da safra 2026/2027
R$ 28,2 bilhões contratados pela agricultura empresarial em julho, em 26.034 operações.
R$ 18,8 bilhões em CPR, 66,6% do total, concentrados em 12.940 contratos.
R$ 6,5 bilhões em custeio, R$ 1,5 bilhão em comercialização e R$ 891 milhões em industrialização.
R$ 118,1 milhões nos programas de investimento, cerca de 0,4% de tudo que foi contratado.
Investimento em máquina ficou em R$ 118,1 milhões
É a menor fatia do boletim. O RenovAgro respondeu por R$ 56 milhões, o Pronamp Investimento por R$ 31 milhões e o PCA, a linha de armazenagem dentro da porteira, por R$ 17,6 milhões. Em um mês de R$ 28,2 bilhões, é troco.
Na prática, trocar carregadeira ou trator pelo crédito subsidiado ficou para os meses seguintes. Quem depende do RenovAgro ou do Pronamp Investimento entra numa disputa por um bolo que, em julho, não passou de R$ 118,1 milhões.
Quem não quer esperar a fila do subsidiado fecha a compra com recurso próprio ou linha livre de banco. Na faixa intermediária de carregadeira, a mais pedida no agro, a escolha passa pela SDLG L956F, que joga com preço de entrada e rede de assistência espalhada pelo interior, e pela BRT25, da nacional Bruto Brasil, com 2.500 kg de carga e caçamba de 1,5 m³. Qual das duas encaixa depende da conta de cada fazenda.
A conta que pesa é a do tempo perdido. Carregadeira que não está no pátio na semana da colheita vira caminhão na fila, trato atrasado e safra esperando. Nas propriedades que acompanham o dia a dia da gestão de fazendas, a janela de decidir máquina costuma se fechar quando o custeio da soja entra em pico e o caixa vira insumo.
O próximo boletim do Ministério da Agricultura, com o acumulado de agosto, mostra se o dinheiro equalizado chegou ao balcão. Até lá, o relógio é o do plantio: quando a soja entra no chão, o custeio come o caixa e a decisão de investimento fica para o ano seguinte.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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