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Terraplanagem

ANTT aprova edital de 887,6 km entre MT e RO e marca leilão para 17 de dezembro

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André Camargo
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ANTT aprova edital de 887,6 km entre MT e RO e marca leilão para 17 de dezembro

A Agência Nacional de Transportes Terrestres aprovou o edital de concessão da Rota Agro Central e marcou o leilão para 17 de dezembro de 2026, às 10 horas, na sede da B3, em São Paulo. O lote soma 887,6 km das BR-070/MT, BR-174/MT e BR-364/MT/RO, entre Cuiabá (MT) e Vilhena (RO), segundo o portal Acessa.com.

Para a empresa de terraplanagem, o que pesa nessa aprovação não é a tarifa do pedágio. É a lista de obras amarrada a um contrato de 30 anos, prazo informado pela ADVFN News.

O que a ANTT colocou no edital

O edital prevê R$ 6,13 bilhões em obras e ampliação de capacidade, conforme o Acessa.com. Outros R$ 4,30 bilhões estão reservados para operar e manter a estrada ao longo da concessão.

Somados, os dois números publicados pelo Acessa.com passam de R$ 10 bilhões, distribuídos por três décadas. A receita tarifária estimada para o mesmo período é de R$ 23,40 bilhões, valor divulgado pela ADVFN News.

A estruturação do projeto é do BNDES, com apoio do Ministério dos Transportes, segundo a Rota Bioceânica. A concessão recebeu o nome de Rota Agro Central e, no desenho do leilão, aparece como lote CN3.

23 km de duplicação e 163 km de faixas adicionais

Na relação divulgada pela Agência BNDES aparecem 23 km de duplicação de pistas e 163 km de faixas adicionais. Entram ainda passarelas, dispositivos de interseção e vias marginais.

Duplicar pista no cerrado começa muito antes da capa asfáltica. É corte, aterro, empréstimo e bota-fora, serviço contado em metro cúbico de terra movida e em hora de máquina no canteiro.

Faixa adicional em trecho ondulado obriga a alargar plataforma, mexer em talude e refazer drenagem. São 163 km nessa condição, espalhados por três BRs dentro de um mesmo contrato.

Os anúncios publicados até aqui não trazem o volume de terra a movimentar. Trazem a extensão da intervenção: são 23 km a duplicar e outros 163 km a receber faixa adicional.

Nada está contratado antes do leilão

Leilão marcado ainda não é leilão realizado. O que existe hoje é um edital aprovado pela ANTT e uma data reservada no pregão da B3.

Nenhum contrato de movimento de terra foi assinado. Os R$ 6,13 bilhões são investimento previsto ao longo de 30 anos, não obra com ordem de serviço na mão.

A concessionária só passa a existir depois que alguém arrematar o lote. É ela que vai contratar as frentes de serviço, e nenhuma data de início de obra consta do que foi divulgado até agora.

Por isso a fila se forma antes de o martelo bater. O empresário de terraplanagem que quiser trabalhar nesse trecho precisa se apresentar aos grupos que vão disputar o leilão, não à concessionária que ainda não nasceu.

O corredor que escoa o grão de Mato Grosso

As três rodovias do lote ligam Cuiabá a Vilhena, no caminho que a soja e o milho de Mato Grosso fazem rumo a Rondônia. É estrada que já roda cheia de bitrem em plena safra.

Frente de serviço em concessão paga por medição e exige estrutura montada no local: britagem, transporte interno, topografia e manutenção de frota dentro do canteiro. É um regime diferente do serviço avulso de loteamento urbano.

Contrato longo dá ao prestador uma previsibilidade rara no ramo: medição mensal, prazo em anos e frente de serviço definida em projeto. Isso mexe no cálculo de frota de uma empresa acostumada a serviço de curta duração.

Obra de concessão prende frota por temporada inteira. Máquina deslocada, canteiro longe da sede e equipe fixa mudam a agenda das obras de terraplanagem de toda a região.

O edital já está na rua e o cronograma tem data. O leilão da Rota Agro Central vai a pregão em 17 de dezembro de 2026, às 10 horas, na B3, em São Paulo.

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Redação
André Camargo

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