O DNIT adiou para 13 de outubro a abertura das propostas do edital de R$ 418,2 milhões que retoma a duplicação de 17,2 km da BR-280, entre Araquari e São Francisco do Sul, em Santa Catarina. O adiamento empurra em algumas semanas o calendário de 36 meses de corte e aterro que o litoral norte catarinense esperava começar a contratar agora.
O teto do contrato caiu de R$ 423,1 milhões para R$ 418,2 milhões depois que o órgão atualizou o orçamento da obra. Mexer no preço máximo obriga a devolver o prazo às empresas interessadas, e foi isso que jogou a sessão para outubro.
O trecho está parado desde 2022. O contrato antigo foi rescindido e o DNIT fatiou o segmento em dois lotes; o 1A é o que está com edital na rua.
Os 17,2 km que voltam para a fila do corte e aterro
O lote 1A junta o contorno de São Francisco do Sul e a travessia urbana de Araquari. É o pedaço que costura a BR-101 ao porto de São Francisco do Sul, rota de caminhão de granel e de contêiner o ano inteiro.
Duplicar ali começa bem antes da capa asfáltica. Vem movimento de terra, drenagem e acerto de greide em área urbana, com desvio de tráfego e rede enterrada no caminho.
O prazo de execução continua em 36 meses corridos, contados da ordem de serviço. São três anos de canteiro num raio curto, o que segura frota e equipe na mesma região em vez de espalhar máquina por três estados.
Teto menor deixa menos folga para quem vai dar preço
A diferença entre os dois números é de R$ 4,9 milhões. Não muda um metro cúbico do volume a ser cortado e aterrado, muda a folga de quem vai apresentar proposta e ainda tem combustível, manutenção e hora-máquina para fechar.
Na ponta da subcontratação o efeito é direto. Empreiteira com máquina no próprio nome disputa em outra condição, porque não depende de terceiro para abrir cada frente de serviço.
Em duplicação de rodovia o serviço pesado começa na escavadeira e no trator de esteira, e a Komatsu vende essa linha no Brasil há décadas.
Depois vem o acerto do greide e da valeta, serviço de motoniveladora e de retroescavadeira. A Case tem os dois na prateleira há muito tempo.
Na hora de encher caminhão dentro do canteiro entra a carregadeira. A LiuGong chegou ao país brigando por preço de aquisição, e a Bruto Brasil disputa a faixa de porte médio.
O material do trecho é que manda. Terra boa sai rápido, saibro e rocha alterada mudam o tamanho do equipamento e o número de horas.
O calendário até a sessão de 13 de outubro
Empresa que pretende entrar como subcontratada tem pouco mais de um mês para acertar documentação, acervo técnico e disponibilidade de frota. É a mesma corrida que aparece nas outras obras de terraplanagem contratadas por órgão público, que puxam a mesma equipe e a mesma máquina da região.
Os lotes vizinhos seguem tocando. O trecho entre Araquari e Guaramirim está perto do fim e o contorno de Jaraguá do Sul, com túnel de mais de mil metros, tem entrega prevista para 2027.
O lote 1A é o vão que sobrou no meio dessa costura, e nenhum caminhão de terra sobe na obra antes de o edital ter dono. A sessão de abertura das propostas está marcada para 13 de outubro, às 10h.
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