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Madeireiras e Serrarias

Obra da Arauco passa de 70% e leva 33.580 credenciados a uma cidade de 8.404 habitantes

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André Camargo
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Obra da Arauco passa de 70% e leva 33.580 credenciados a uma cidade de 8.404 habitantes

A obra de celulose da Arauco em Inocência (MS) passou de 70% de avanço nas obras, e a fábrica liga no fim de 2027. São 3,5 milhões de toneladas de fibra curta por ano que vão precisar de tora entrando no portão todo dia.

O canteiro do Projeto Sucuriú fica a cerca de 50 km do centro e já credenciou 33.580 pessoas, numa cidade de 8.404 habitantes pelo Censo 2022 do IBGE. Quase quatro vezes a população em crachás emitidos.

São crachás emitidos ao longo de dois anos de canteiro. O quadro fixo da fábrica pronta é outro, e bem menor.

O canteiro que mudou a rotina de Inocência

O investimento anunciado para o Projeto Sucuriú é de R$ 25 bilhões. O valor total do empreendimento é esse, distribuído desde a terraplanagem de 2024 até a partida da fábrica.

O terreno tem 3.500 hectares, às margens do Rio Sucuriú. O canteiro também passou da marca de 1 milhão de horas trabalhadas.

A terraplanagem começou em 2024. De lá para cá, 1.087 empresas foram incorporadas à rede de fornecedores da Arauco, e 6.168 veículos passaram pelo credenciamento do canteiro.

Esse volume de fornecedor dá a medida do que uma obra desse tamanho arrasta atrás de si. A cadeia começa a girar muito antes de a fábrica ligar.

Numa cidade de pouco mais de 8 mil habitantes, um canteiro assim muda a rotina inteira. E o efeito não para na cerca da obra.

Credenciamento de 33.580 pessoas retrata o fluxo do canteiro, que sobe no pico da montagem e cai quando a estrutura fica pronta. A demanda por madeira faz o caminho contrário: começa quando a fábrica liga e não para mais.

A madeira que uma planta desse porte vai pedir

Fibra curta é a celulose de eucalipto. Ela sai de floresta plantada, colhida, arrastada e carregada antes de entrar no caminhão que abastece a fábrica.

Uma linha dimensionada para 3,5 milhões de toneladas por ano não se abastece com fornecimento improvisado. Quem vai entregar tora para uma planta desse tamanho precisa de área plantada, estrada interna em ordem e equipamento de carga rodando.

O calendário já está na mesa: a fábrica opera no fim de 2027. A floresta que vai alimentar essa linha precisa chegar em ponto de corte antes disso, com transporte contratado e frente de carregamento montada.

Isso muda o planejamento de quem toca floresta plantada em propriedade rural na região. Fornecer madeira por contrato, com data e volume fechados, é outra exigência em relação à venda esporádica.

Serraria, fornecedor florestal e transportador de tora olham para a mesma data no calendário. Cada um precisa chegar em 2027 com capacidade instalada, não com plano no papel.

A planta fica a 50 km do centro de Inocência. Toda tora que entrar ali vai rodar estrada, e caminhão em estrada é hora contada, com carregamento rápido cobrado nas duas pontas.

A tora tem que estar em ponto de corte antes de 2027

Depender de hora de máquina de terceiro funciona enquanto o volume é pequeno e a data é flexível. Em contrato de fornecimento, o carregamento tem horário e o caminhão não espera.

Equipamento da casa está na frente de corte no dia combinado. E carregamento rápido no talhão libera o caminhão para mais uma viagem no mesmo dia, que é onde o contrato de fornecimento se ganha ou se perde.

Existe linha de crédito voltada para equipamento agrícola e florestal, e isso muda a conta de quem vai comprar. É o tipo de decisão que costuma ser tomada quando o contrato de fornecimento aparece no horizonte.

Quem compra a primeira carregadeira de porte agrícola pesa custo de aquisição e reposição de peça dentro do país, terreno da Bruto Brasil, enquanto a Komatsu entra na conta de quem já roda operação pesada e contínua, com linha florestal consolidada. Peça nacional encurta a parada no meio da frente de corte, e máquina no porte certo não trabalha no limite todo dia.

No fim de 2027, a linha da Arauco começa a pedir madeira todos os dias. O que vale ali é a tora saindo do talhão no horário e o caminhão fechando a carga com a máquina que estava lá, pronta.

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Redação
André Camargo

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