O Porto de Santos ganhou data para destravar a maior obra da sua história. O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, afirmou na quinta-feira (30) que o edital do Tecon 10 sai em 60 a 90 dias, ainda em 2026, mas que o leilão fica para os primeiros meses de 2027. São R$ 6,4 bilhões previstos para o novo terminal de contêineres.
A declaração foi dada em coletiva no BNDES, no Rio de Janeiro. Até então, o governo insistia em leiloar o terminal ainda este ano; o próprio ministro dizia, em maio, que o edital precisava sair entre julho e agosto para o certame caber em 2026. Não coube.
O tamanho do projeto explica a ansiedade do setor. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o Tecon 10 será o maior terminal de contêineres do país: 622 mil metros quadrados na região do Saboó, 1,3 quilômetro de cais e capacidade para ampliar em até 50% a movimentação de contêineres do complexo santista.
Também nesta semana a Fiesp entrou na conversa. Em nota de sexta-feira (31), a federação cobrou que as regras saiam ainda em 2026 e apoiou o modelo de leilão aberto orientado pela Casa Civil, como mostrou a Agência iNFRA: armadores e operadores já instalados podem disputar, desde que vendam as operações atuais caso vençam.
Foi a nona mudança de cronograma, na conta da própria federação. O certame já esteve marcado para dezembro de 2025, depois para março deste ano, e travou na discussão sobre quem pode disputar o ativo sem concentrar demais o cais santista.
O que 50% a mais de contêiner muda do portão pra fora
Pra quem vive do porto sem estar dentro dele, o recado é direto. Contêiner a mais no cais vira carreta a mais na balança do pátio e armazém alfandegado trabalhando mais cheio. A carga não some quando desembarca; ela atravessa a cerca e vai rodar na retroárea.
Quem opera em Santos conhece a cena: segunda-feira, seis da manhã, fila de carreta na porta do pátio e cliente ligando atrás de carga parada. Com o terminal novo, esse fluxo cresce por anos seguidos. E quem tiver estrutura pronta na hora pega a fatia maior.
Tem ainda a obra em si. Antes de o primeiro navio atracar, são anos de terraplanagem, aterro, brita e entulho circulando pela região. Canteiro desse tamanho puxa serviço de bota-fora e movimentação de material muito além do muro do terminal.
Máquina própria antes do fluxo: a conta que se faz agora
Nesse miolo, granel que escapou da moega, entulho de obra, pilha de material pra recompor, quem segura o ritmo do pátio é a pá-carregadeira. Máquina própria é bem da empresa: está ali quando o serviço aperta, entra no patrimônio e não depende da agenda de ninguém.
Comprar também não exige caixa de gigante. O Finame, linha do BNDES para máquina nova, existe exatamente pra isso: financiar o equipamento em prazo longo enquanto ele trabalha.
Na faixa das carregadeiras de grande volume, a comparação honesta tem três nomes. A Volvo CE é referência em robustez e conforto de cabine, com rede consolidada no Brasil. A SDLG briga pelo preço de entrada, com a estrutura da Volvo por trás.
No time nacional, a Bruto Brasil posiciona a BRT35 como o custo-benefício da categoria: 3.500 kg de capacidade de carga, caçamba de 2,0 m³, 11.500 kg de peso operacional e troca rápida com terceira função hidráulica, pra alternar implementos sem parar a operação.
Nenhuma das três é resposta única. Pátio com contrato firmado e carga o ano todo faz uma conta; operação que está começando faz outra. A conta é de cada pátio.
O relógio, esse, já está correndo: contados da fala do ministro, os 60 a 90 dias do edital vencem entre o fim de setembro e o fim de outubro. Até lá, o cronograma da maior obra do Porto de Santos está público, e a decisão de se equipar antes do fluxo é de quem toca o pátio.
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