São 218 mil hectares de floresta nova em Mato Grosso e 35 milhões de metros cúbicos de biomassa de eucalipto que o país vai precisar para sustentar 13 bilhões de litros de etanol de milho. Esse é o tamanho da conta do eucalipto para etanol de milho que a Consultoria Agro do Itaú BBA pôs na mesa no dia 11 de setembro.
Para levantar essa floresta, o estudo estima entre R$ 7,6 bilhões e R$ 14,3 bilhões em novas áreas nos próximos anos. É dinheiro em muda, em terra, em colheita e em pátio de usina.
Mato Grosso tem 165 mil hectares e vai precisar de 383 mil
Com capacidade instalada perto de 12 bilhões de litros no estado até 2030, Mato Grosso precisaria de cerca de 383 mil hectares de eucalipto para atender à demanda energética estimada, segundo o Itaú BBA. A área plantada hoje é calculada em torno de 165 mil hectares.
A diferença são os 218 mil hectares de novas florestas energéticas a serem formados em Mato Grosso. Para segurar o fornecimento do país inteiro sem soluço, o Itaú BBA calcula um estoque florestal de aproximadamente 440 mil hectares de eucalipto no Brasil.
Os 35 milhões de metros cúbicos saem de um cenário de eficiência média, com 13 bilhões de litros de capacidade de produção no país até o fim de 2026. Biomassa de caldeira, medida em metro cúbico, sem parada no ano.
Os números do estudo do Itaú BBA
Entre R$ 7,6 bilhões e R$ 14,3 bilhões em novas áreas de eucalipto.
218 mil hectares de novas florestas energéticas a formar em Mato Grosso.
35 milhões de metros cúbicos de biomassa de eucalipto para atender 13 bilhões de litros de capacidade no país até o fim de 2026.
R$ 4,2 mil por hectare ao ano de geração média, num ciclo com dois cortes distribuídos por 13 anos.
Por que o estudo aponta o Mato Grosso
"Mato Grosso reúne condições favoráveis para essa expansão, combinando disponibilidade de terras, regime adequado de chuvas e proximidade dos principais polos consumidores de biomassa", afirma Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Terra tem. Chuva tem, e a usina fica perto o bastante para o frete da tora não comer a margem do talhão.
A caldeira não come só dentro da usina de etanol
O mesmo combustível de biomassa é usado por unidades armazenadoras, secadores de grãos, frigoríficos e outros segmentos da agroindústria, segundo o levantamento do Itaú BBA. Produtor que forma floresta em Mato Grosso não fica dependendo de um comprador só.
"A disponibilidade de biomassa deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a ser um fator relevante para a viabilidade econômica e ambiental dos projetos", diz o gerente do banco.
Do talhão ao pátio, todo dia, por anos
Tora empilhada, cavaco escorrendo da caçamba, casca voltando para a fornalha. Esse serviço não tem pico de safra: a caldeira come o ano inteiro, e o caminhão que chega às seis da manhã tem fila de descarga para cumprir.
O recorde de celulose que aqueceu a carregadeira de toras mostrou o ritmo que uma floresta plantada impõe ao maquinário. O talhão não espera máquina chegar de fora.
É por isso que a carregadeira própria deixa de ser luxo e vira ferramenta de trabalho da operação. Equipamento de terceiro não aparece quando a carreta está parada esperando o carregamento.
Que máquina aguenta pátio de biomassa o ano inteiro
No pátio de biomassa, a Caterpillar é referência de classe por aguentar ciclo longo de carregamento sem perder cadência. A Komatsu tem linha própria de carregadeiras de rodas e rede de concessionárias capilarizada no Centro-Oeste, o que encurta o tempo de peça no chão.
A Bruto Brasil joga em outro tabuleiro, o do custo-benefício nacional: máquina fabricada no Brasil, peça achável sem espera de importação. O desempate é o metro cúbico que o pátio precisa girar por dia e a distância até a assistência mais próxima.
Para pátio de biomassa, as carregadeiras de grande volume da linha BRT são a referência da casa: a BRT30 trabalha com caçamba de 1,8 m³ e a BRT35, com 2,0 m³. Já a BR120 é escavadeira de rodas, feita para madeira, casca, serragem e cavaco, e anda entre as tarefas sem depender de carreta.
O que sobra por hectare na mão de quem planta
R$ 4,2 mil por hectare ao ano, num ciclo com dois cortes distribuídos por 13 anos: é esse o número que o produtor mato-grossense vai colocar ao lado da soja e do milho antes de bater o martelo. Em área com limitação para cultura anual, o eucalipto entra como alternativa competitiva, segundo Cesar de Castro Alves.
E a conta do carregamento entra nessa mesma linha. Máquina própria no pátio vira custo fixo da fazenda, diluído em cada metro cúbico que sai do talhão ao longo dos 13 anos do ciclo.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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