Oito faixas exclusivas só para entrar. O gate do porto de Itapoá, no litoral norte de Santa Catarina, entrou em operação nesta semana com essa conta e empurrou o portão antigo para uma função única: a saída.
As oito faixas dedicadas à recepção dos caminhões estão na apuração da Tribuna de Itapoá, que noticiou a inauguração na quinta-feira (10). O acesso velho revezava entrada e saída no mesmo ponto.
Hoje o terminal registra cerca de 2 mil acessos de caminhões por dia. Com a estrutura nova, a capacidade chega a 3 mil acessos diários, de acordo com o Informativo dos Portos.
Entre um número e outro cabem mais mil caminhões por dia. É folga para crescer sem que a fila torne a encostar no acesso.
O que muda entre o portão e a balança
A NSC Total, que noticiou a estreia do acesso em 8 de setembro, cravou o ganho no ponto em que ele aparece primeiro: a entrada simultânea de até oito caminhões.
Antes, quem chegava disputava o mesmo espaço com quem já tinha descarregado e queria ir embora. Cada cruzamento ali dentro custava minuto de motorista e minuto de janela de embarque.
Na outra ponta, o portão velho passou a cuidar apenas da liberação e da saída dos veículos, como descreveu a Tribuna de Itapoá. Uma coisa deixou de esbarrar na outra.
Motorista que pega senha de manhã e continua no pátio depois do almoço é custo que ninguém lança em planilha, mas todo mundo paga. Diária parada, combustível queimado em marcha lenta, caminhão fora de rota.
Para a transportadora, esse relógio é dinheiro. Frete que fica parado no acesso não roda a segunda viagem do dia, e é no giro que o caminhão fecha a conta.
Antes do primeiro RTG subir, o chão precisa estar pronto
O gate é a ponta visível da Fase IV de expansão. O pacote soma R$ 500 milhões, 120 mil m² de pátio adicional, 12 RTGs híbridos e 9 terminal tractors, conforme o Informativo dos Portos.
Pátio dessa dimensão não nasce pronto. Antes de o primeiro RTG entrar em operação, alguém tem que regularizar o terreno, espalhar base, mover granel e manter a retroárea limpa, no ritmo do embarque.
Os 12 RTGs híbridos e os 9 terminal tractors do pacote respondem pelo lado de dentro. O time que tira contêiner da pilha e leva até o cais precisa acompanhar o ritmo que o portão novo libera.
Nesse pedaço do serviço, a Liebherr é nome forte em equipamento de movimentação e hidráulica de porte pesado. A Komatsu joga na linha amarela com robustez de campo e monitoramento eletrônico de frota.
A Bruto Brasil faz a montagem de carregadeiras no Brasil e disputa o porte pequeno e médio pelo custo-benefício. Qual máquina sobe no pátio muda de terminal para terminal, conforme o volume e o tipo de material.
Obra de retroárea é rotina em terminal que cresce, e a fila no portão é o que o cliente enxerga primeiro. No custo de mover carga no Brasil, meia hora presa no gate do porto vira prejuízo no fim do mês.
O próprio CEO segura a expectativa
Ricardo Arten, CEO do Porto Itapoá, resume o desenho: "A separação dos fluxos traz mais previsibilidade, agilidade e segurança", em fala reproduzida pela Tribuna de Itapoá. E emenda um freio na conta fácil.
"Isso não significa, necessariamente, que vamos utilizar toda essa capacidade imediatamente", disse. "Teremos uma curva de aproveitamento da nova estrutura, acompanhando o crescimento da demanda e a evolução da operação".
Os 3 mil acessos diários são o teto do que a estrutura aguenta. Quanto disso vira movimento de verdade, pelo que diz o próprio Arten, depende da demanda que chegar ao cais.
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