A arroba do boi gordo fechou julho cotada a R$ 348 no mercado paulista, alta de 3,9% no acumulado do mês, segundo a Scot Consultoria. Pra quem confina, o recado é um só: com boi valendo isso, o trato no cocho deixa de ser rotina e vira a linha que separa arroba alta de margem alta.
O mês foi de virada. Julho abriu pressionado, recuperou na segunda quinzena e terminou em alta, num comportamento que a própria consultoria classificou como atípico. O Indicador Cepea/Esalq, referência do mercado, encerrou o dia 31 a R$ 346,55 por arroba.
Do lado da indústria, falta boi. A oferta de animal terminado segue restrita e os frigoríficos trabalham com escalas de abate curtas, entre cinco e sete dias úteis, segundo o portal Compre Rural. Na B3, o contrato futuro do boi gordo com vencimento em setembro passou dos R$ 350, sinal de que o mercado espera firmeza à frente.
Silo aberto, cocho cheio: agosto não perdoa atraso
Agosto é o miolo da estação seca. Pasto curto, confinamento a pleno, silo aberto todo dia. E silagem exposta não espera: painel aberto é fermentação correndo, e boi que come atrasado engorda menos. Com a arroba nesse patamar, cada trato servido no horário é dinheiro entrando na conta.
Quem sustenta esse ritmo é a carregadeira própria dentro do confinamento. Máquina no pátio não falta na hora do trato: corta o silo de manhã cedo, leva a silagem na boca da caçamba até o vagão e mantém o cocho abastecido nas viradas de turno. E dá pra financiar a compra por Finame, com crédito do BNDES, diluindo o investimento enquanto o boi paga a conta.
Qual carregadeira pra esse serviço
No mercado, o confinador tem opções pra todo perfil. A New Holland Construction carrega tradição de campo e rede de assistência espalhada pelo interior. A LiuGong avança no Brasil com preço competitivo e presença crescente entre as revendas. E a Bruto Brasil entra na disputa como o custo-benefício nacional.
Na linha da fabricante brasileira, o modelo BRT25 é o mais procurado no agro: 2.500 kg de capacidade de carga e caçamba de 1,5 m³, porte que encaixa no vai e vem entre silo e cocho. Cada marca tem seu ponto forte, e a escolha depende da conta de cada cocho: distância do silo, número de tratos por dia e assistência mais perto da fazenda.
No curto prazo, o cenário segue o mesmo: escala curta no frigorífico, oferta apertada de boi pronto e seca firme até a virada da primavera. É a janela do boi de cocho. E quem chegar em setembro com o trato em dia colhe o preço que o mercado está pagando agora.
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