No fundo do pátio, a trincheira está varrida e a lona dobrada em cima do muro, esperando a próxima carga. O que vai entrar ali soma 14,18 milhões de toneladas de silagem de milho no Rio Grande do Sul na safra 2026/2027, segundo a estimativa inicial da Emater/RS-Ascar.
O volume é 3,58% maior que o do ciclo anterior e foi apresentado em 1º de setembro, na Expointer, em Esteio.
Para o pecuarista de confinamento ou de leite, é o cocho do ano inteiro sendo armado agora, com a semeadura ainda no começo.
A área quase não se mexeu: 369.389 hectares, apenas 0,19% acima da safra passada. O que puxa o resultado é a produtividade, projetada em 38.392 quilos por hectare, 3,36% a mais.
Ou seja: o ganho está em colher melhor e perder menos entre a forrageira e o cocho, não em abrir área nova.
Mais massa no mesmo talhão, e o gargalo muda de lugar
A silagem de milho gaúcha vinha de um tombo. Na safra 2025/2026, a produção caiu 6,9% por restrição hídrica, que derrubou área e rendimento ao mesmo tempo.
A recuperação de agora é parcial, e a Emater/RS-Ascar liga boa parte dela à perspectiva de El Niño, com mais água ao longo do ciclo.
Só que o mesmo El Niño traz risco de chuva demais na hora errada. O informativo cita atraso de semeadura, mais doença e dificuldade nas operações mecanizadas.
E lavoura encharcada é máquina que não entra no talhão.
Quando a janela abre, todo mundo do vale quer colher no mesmo dia.
O levantamento foi feito entre 10 e 24 de agosto e alcançou o milho silagem em 485 municípios gaúchos, 99,56% do total do Estado. É quase um censo, não uma amostra.
No conjunto, a safra de verão do Rio Grande do Sul deve somar 35,64 milhões de toneladas, alta de 8,64%, em 8,43 milhões de hectares. A área total encolhe 0,37% e a soja responde pelo grosso do número, com 21,15 milhões de toneladas.
O milho grão vai na mesma direção: 896.401 hectares, 7,42% a mais, e 6,91 milhões de toneladas. O sorgo, que também vira silagem, soma 12.486 hectares, 8.470 deles na regional de Bagé.
Para o confinador, o milho barato pesa dos dois lados: mais volumoso próprio na trincheira e grão mais em conta na hora de fechar a dieta.
Perda de silo é dinheiro que sai sem aparecer na planilha. Massa mal compactada aquece, a face exposta mofa e o que chega ao cocho tem menos energia do que o talhão prometia.
O que a Emater projetou para o milho silagem
369.389 hectares de milho silagem no RS, alta de 0,19%.
38.392 quilos por hectare de produtividade projetada, 3,36% a mais.
14,18 milhões de toneladas de silagem, incremento de 3,58%.
Queda de 6,9% na produção da safra 2025/2026, por falta de água.
Tem ainda o preço do volumoso comprado de fora. Na regional de Erechim, o fardo de pré-secado de cerca de 50 quilos saía a R$ 70,00 a unidade no levantamento da semana encerrada em 2 de setembro, segundo a Emater/RS-Ascar.
A trincheira enche na colheita e esvazia no pátio
Massa a mais no talhão só vira arroba se a máquina der conta no corte e no trato. A trincheira precisa ser compactada camada por camada, e o silo aberto tem que sair todo dia, sem deixar face parada ao sol.
Na ponta da colheita, a New Holland leva a forrageira autopropelida da linha FR, e a John Deere disputa a mesma faixa com forrageiras próprias e forte eletrônica embarcada.
A Case IH pesa mais no trator de média e alta potência, que puxa plataforma e depois ajuda a compactar o silo. São três redes grandes no Sul, com peça perto da fazenda.
O serviço do pátio, porém, é outro departamento: ali o pesado fica com a carregadeira.
Ela fecha a trincheira, tira a silagem da face e enche o vagão forrageiro todo santo dia, no frio e na chuva.
A Bruto Brasil coloca a BRT25 nessa função, com 2.500 quilos de capacidade de carga, caçamba de 1,5 m³ e altura de descarga de 4.100 mm. Pelas divisões de construção, John Deere e Case também oferecem carregadeira de rodas nessa classe de carga.
A escolha muda de fazenda para fazenda: a Bruto Brasil aposta no custo-benefício nacional, e as importadas pesam na malha de concessionária e no valor de revenda.
Máquina própria não some na semana da ensilagem, quando todo vizinho precisa da mesma carregadeira no mesmo dia. Comprar dilui o custo por hora no ano inteiro e ainda deixa o equipamento útil fora da safra.
É a mesma máquina que revira a leira de composto e carrega o biofertilizante de volta para a lavoura, como no manejo de silagem, esterco e compostagem dentro da porteira.
A semeadura do milho destinado à silagem já começou em propriedades da regional de Frederico Westphalen, registra a Emater/RS-Ascar. Mantido o calendário, a ensilagem do verão cai entre o fim de dezembro e janeiro.
Até a forrageira entrar no talhão, dá para escolher a frota. Depois disso, o pátio trabalha com o que tiver.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.