O dono de granja tem motivo pra fazer conta boa no meio do ano. A ABPA, associação que reúne o setor de proteína animal, elevou no dia 28 de julho as projeções de 2026 para a carne de frango: a produção deve fechar entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas, alta de até 5,6% sobre 2025. As exportações podem subir até 10,3%, chegando a 5,875 milhões de toneladas.
É revisão pra cima sobre o que a própria entidade esperava no começo do ano. No frango, a alta projetada nos embarques representa mais de meio milhão de toneladas a mais saindo do país num ano só.
A suinocultura vai no mesmo embalo. A produção de carne suína pode chegar a 5,87 milhões de toneladas, avanço perto de 5%, e os embarques devem alcançar 1,6 milhão de toneladas, alta de até 5,9%, segundo a associação.
Na porteira, a conta é direta: mais frango e mais suíno saindo do país é mais lote alojado, mais ração no cocho e mais serviço no pátio, de Santa Catarina ao Mato Grosso.
Mais lote no galpão, mais ração no silo
Crescer até 5,6% na produção de frango exige matriz alojada, pintinho na caixa e, acima de tudo, comida. Ração é o grosso do custo de qualquer granja, e uma alta dessas puxa a demanda por milho e farelo de soja. Quem garante o insumo cedo tende a segurar a margem quando o mercado aperta.
Tem ainda o serviço que ninguém vê de fora. Mais lote alojado é mais cama de aviário pra revirar, retirar e vender entre um ciclo e outro. Em granja de porte maior, esse vaivém de cama e ração já ocupa uma carregadeira o dia inteiro no pátio.
Pro suinocultor, o raciocínio se repete. Alta de 5% na produção significa mais leitão terminado, mais dejeto pra manejar e galpão girando mais cheio o ano todo. E integração aquecida costuma abrir espaço pra quem quer ampliar plantel ou reformar instalação.
Granja rodando mais cheia também escancara o gargalo: silo pequeno, fábrica de ração no limite, galpão pedindo reforma. A decisão de ampliar tomada agora define quem chega pronto no ciclo cheio do ano que vem.
Mercado interno também puxa a demanda
Não é só o porto que trabalha. A ABPA projeta que o consumo de carne suína no Brasil deve passar de 19 pra 20 quilos por habitante em 2026. No ovo, o número impressiona: 301 unidades por pessoa ao ano, alta de até 4,5%, com produção nacional de 64,8 bilhões de ovos.
Pra quem vive de postura ou de terminação, é demanda firme pelos dois lados: o contêiner que embarca no porto e o carrinho que enche no mercado do bairro.
Os números da ABPA
Produção de carne de frango: entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026, alta de até 5,6%
Exportação de frango: até 5,875 milhões de toneladas, crescimento de até 10,3%
Carne suína: produção de até 5,87 milhões de toneladas (+5%) e exportação de 1,6 milhão de toneladas (+5,9%)
Ovos: 64,8 bilhões de unidades produzidas e consumo de 301 ovos por habitante
E o horizonte não fecha em dezembro. O presidente da ABPA, Ricardo Santin, afirmou que as primeiras projeções para 2027 já apontam novo avanço da produção das três proteínas: frango, suíno e ovos. Pra quem toca granja, o próximo passo é alinhar compra de insumo e planejamento de alojamento agora — pelo desenho da associação, o ano que vem chega com ainda mais trabalho no pátio.
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