Cinco da manhã, a rampa aberta e o caminhão do frigorífico encostando na granja. Com a crise da suinocultura travando o preço lá fora, é dentro do galpão que o produtor independente ainda decide quanto sobra de cada lote.
O preço do suíno vivo caiu até 44% para quem vende sem contrato de integração, segundo a Associação Catarinense de Criadores de Suínos. É ração, conversão alimentar e tempo de alojamento que separam a granja que segura a ponta da que sai no prejuízo.
A ACCS calcula que o valor pago pela integração e pelas cooperativas caiu de R$ 6,80 para R$ 4,65 o quilo. No mercado independente, a queda foi de R$ 8,50 para R$ 4,73.
Foram 13 reduções de preço em 2026, com intervalo médio de 18 dias entre um anúncio e outro. Pela conta da associação, um suíno de 130 quilos sai hoje com prejuízo acima de R$ 250.
“Não dá para suportar mais esse preço que está hoje na suinocultura”, afirmou Losivanio Lorenzi, presidente da ACCS.
Oferta cresce mais rápido que o consumo e a exportação não dá conta
O problema não é falta de comprador, é excesso de animal pronto. A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos contabiliza 488 mil cabeças a mais no abate do segundo trimestre, alta de 3,2% sobre 2025.
A exportação cresceu, mas não segurou o excedente. Foram 915 mil toneladas embarcadas até julho, 9,12% acima do ano passado, e a carne que sobrou empurrou o preço da porteira para baixo.
A ABCS registra 16 meses seguidos de alta no abate, de março de 2025 a junho deste ano. São 446,7 mil toneladas a mais no período, com 273 mil toneladas ficando no mercado interno.
Do outro lado da conta, o insumo não ajudou. A relação de troca entre o suíno e o mix de milho e farelo de soja segue abaixo do patamar saudável apontado pela ABCS, e parte das granjas já trabalha com margem negativa.
Onde o suinocultor ainda consegue defender dinheiro: dentro da granja
Com o preço de venda fora do alcance, sobra mexer no custo por quilo produzido. A ração responde pela maior fatia da conta, e o restante se decide em manejo, mortalidade e no tempo que o lote leva até o abate.
É por isso que máquina de pátio virou item de planilha na granja grande. New Holland, JCB, Case e a brasileira Bruto Brasil disputam o produtor que quer mecanizar carregamento de ração, limpeza de galpão e manejo de dejeto com equipamento próprio.
Quem acompanha o mercado de avicultura e suinocultura já viu esse ciclo antes. A diferença agora é o plantel de matrizes, que cresce há cerca de quatro anos sem a demanda interna acompanhar, segundo o Cepea.
A ACCS defende mobilização entre produtores, indústria, cooperativas e integradores para buscar equilíbrio entre oferta e demanda.
O capítulo seguinte está na lavoura. A ABCS acompanha a colheita americana e o plantio da safra 2026/27 no Brasil, que vão definir o preço do milho e do farelo de soja no cocho a partir do fim do ano.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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