O adubo ganhou preferência na fila dos portos públicos. O governo publicou no Diário Oficial da União a recomendação de priorizar o desembarque de fertilizante mineral, e a medida vale por seis meses.
A ordem chega em cima da hora. Agosto tem 6,075 milhões de toneladas de fertilizante programadas para desembarcar no país, segundo a agência marítima Williams Brasil.
O levantamento junta o que já atracou, o que está fundeado esperando vaga e o que ainda vem chegando, com previsões que vão até novembro. O Porto de Santos fica com 2,587 milhões dessas toneladas.
Fertilizante para a safra 2026/2027 tem fila preferencial nos portos
Quem assina é a Comissão Nacional das Autoridades nos Portos, na Resolução nº 3, ao lado do Ministério de Portos e Aeroportos. Os seis meses contam da data da publicação e o prazo pode ser prorrogado ou revisto.
Entram na regra nitrogenados, fosfatados, potássicos e os demais macro e micronutrientes destinados à safra 2026/2027. Os ministérios da Agricultura e de Portos e Aeroportos apontam o risco de faltar insumo diante das tensões geopolíticas e dos entraves na logística internacional.
Não é afrouxamento de controle: a resolução manda manter os exames sanitários, fitossanitários, aduaneiros e de qualidade. O que muda é a ordem de atracação, e ordem de atracação é dinheiro.
Cada dia de navio fundeado esperando berço vira diária cobrada, e essa diária entra no preço da tonelada que chega na revenda. Antecipar a descarga em plena janela de compra do plantio mexe com o custo do adubo lá no interior.
Os números
6,075 milhões de toneladas de fertilizante programadas para desembarcar nos portos entre 1º e 24 de agosto, segundo a Williams Brasil.
2,587 milhões de toneladas previstas só para Santos; Rio Grande aparece com 873,5 mil toneladas.
93% do fertilizante consumido pela agricultura brasileira vem de fora, com China e Rússia na frente dos fornecedores.
45,5 milhões de toneladas importadas em 2025, recorde histórico do país.
Do cais ao barracão: o adubo chega concentrado na hora do plantio
Navio priorizado quer dizer carga descendo mais rápido. E carga descendo mais rápido quer dizer caminhão graneleiro chegando em fila na revenda, na cooperativa e no armazém do produtor.
Adubo é granel pesado. Chega solto, tem que ser empilhado, retomado da pilha e carregado de novo, e quem faz esse serviço no chão do barracão é a pá-carregadeira.
Entre janeiro e maio deste ano o desembarque de nitrogenados e fosfatados caiu 8,7%, de 7,69 milhões para 7,02 milhões de toneladas, enquanto o preço médio de internalização subiu 14,4%. Com o produto mais caro e chegando concentrado agora, cada hora que a carga passa parada no pátio pesa direto na conta.
Na semana de pico, quem descarrega é a máquina que já está no pátio. Máquina própria não depende de agenda de terceiro justamente quando a região inteira precisa da mesma coisa no mesmo dia.
O que pesa na escolha de quem move granel o ano inteiro
Na classe que o agro mais procura, a conta é velha conhecida. A Volvo CE é lembrada pela robustez e pelo consumo de diesel; a SDLG entra pelo preço de aquisição e pela rede de assistência espalhada no interior; a LiuGong joga forte na disponibilidade de peça de reposição.
A Bruto Brasil disputa essa mesma faixa com a BRT25, de 2.500 kg de capacidade e caçamba de 1,5 m³, posicionada como custo-benefício nacional. São 8.500 kg de peso operacional, 4.100 mm de altura de descarga e motor Deutz Weichai 6cc de 125 HP.
No mesmo porte trabalham a SDLG L956F, a Volvo L60 e a LiuGong 835. Cada uma tem o seu argumento, e a decisão depende da conta de cada operação: quanto se carrega por dia, quanto custa a hora parada e o que a assistência consegue atender na sua região.
Quem acompanha o movimento de fertilizantes e grãos sabe que o pico de recebimento de insumo e o pico de expedição quase encostam um no outro. O mesmo pátio que descarrega adubo em setembro carrega semente, calcário e, mais adiante, saca de soja.
Setembro é a hora da verdade para quem comprou insumo
Em Mato Grosso, o vazio sanitário da soja vai até 6 de setembro. Pelo calendário do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso, o plantio da safra 2026/2027 fica liberado de 7 de setembro a 7 de janeiro.
São seis meses de validade para a resolução dos portos contra uma janela de semeadura que abre em menos de duas semanas. O adubo que descer do navio agora é o que vai para o sulco.
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