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Fertilizantes e Grãos

Adubo na frente da fila: governo dá preferência ao fertilizante da safra 2026/2027 por seis meses

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André Camargo
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Adubo na frente da fila: governo dá preferência ao fertilizante da safra 2026/2027 por seis meses

O adubo ganhou preferência na fila dos portos públicos. O governo publicou no Diário Oficial da União a recomendação de priorizar o desembarque de fertilizante mineral, e a medida vale por seis meses.

A ordem chega em cima da hora. Agosto tem 6,075 milhões de toneladas de fertilizante programadas para desembarcar no país, segundo a agência marítima Williams Brasil.

O levantamento junta o que já atracou, o que está fundeado esperando vaga e o que ainda vem chegando, com previsões que vão até novembro. O Porto de Santos fica com 2,587 milhões dessas toneladas.

Fertilizante para a safra 2026/2027 tem fila preferencial nos portos

Quem assina é a Comissão Nacional das Autoridades nos Portos, na Resolução nº 3, ao lado do Ministério de Portos e Aeroportos. Os seis meses contam da data da publicação e o prazo pode ser prorrogado ou revisto.

Entram na regra nitrogenados, fosfatados, potássicos e os demais macro e micronutrientes destinados à safra 2026/2027. Os ministérios da Agricultura e de Portos e Aeroportos apontam o risco de faltar insumo diante das tensões geopolíticas e dos entraves na logística internacional.

Não é afrouxamento de controle: a resolução manda manter os exames sanitários, fitossanitários, aduaneiros e de qualidade. O que muda é a ordem de atracação, e ordem de atracação é dinheiro.

Cada dia de navio fundeado esperando berço vira diária cobrada, e essa diária entra no preço da tonelada que chega na revenda. Antecipar a descarga em plena janela de compra do plantio mexe com o custo do adubo lá no interior.

Os números

  • 6,075 milhões de toneladas de fertilizante programadas para desembarcar nos portos entre 1º e 24 de agosto, segundo a Williams Brasil.

  • 2,587 milhões de toneladas previstas só para Santos; Rio Grande aparece com 873,5 mil toneladas.

  • 93% do fertilizante consumido pela agricultura brasileira vem de fora, com China e Rússia na frente dos fornecedores.

  • 45,5 milhões de toneladas importadas em 2025, recorde histórico do país.

Do cais ao barracão: o adubo chega concentrado na hora do plantio

Navio priorizado quer dizer carga descendo mais rápido. E carga descendo mais rápido quer dizer caminhão graneleiro chegando em fila na revenda, na cooperativa e no armazém do produtor.

Adubo é granel pesado. Chega solto, tem que ser empilhado, retomado da pilha e carregado de novo, e quem faz esse serviço no chão do barracão é a pá-carregadeira.

Entre janeiro e maio deste ano o desembarque de nitrogenados e fosfatados caiu 8,7%, de 7,69 milhões para 7,02 milhões de toneladas, enquanto o preço médio de internalização subiu 14,4%. Com o produto mais caro e chegando concentrado agora, cada hora que a carga passa parada no pátio pesa direto na conta.

Na semana de pico, quem descarrega é a máquina que já está no pátio. Máquina própria não depende de agenda de terceiro justamente quando a região inteira precisa da mesma coisa no mesmo dia.

O que pesa na escolha de quem move granel o ano inteiro

Na classe que o agro mais procura, a conta é velha conhecida. A Volvo CE é lembrada pela robustez e pelo consumo de diesel; a SDLG entra pelo preço de aquisição e pela rede de assistência espalhada no interior; a LiuGong joga forte na disponibilidade de peça de reposição.

A Bruto Brasil disputa essa mesma faixa com a BRT25, de 2.500 kg de capacidade e caçamba de 1,5 m³, posicionada como custo-benefício nacional. São 8.500 kg de peso operacional, 4.100 mm de altura de descarga e motor Deutz Weichai 6cc de 125 HP.

No mesmo porte trabalham a SDLG L956F, a Volvo L60 e a LiuGong 835. Cada uma tem o seu argumento, e a decisão depende da conta de cada operação: quanto se carrega por dia, quanto custa a hora parada e o que a assistência consegue atender na sua região.

Quem acompanha o movimento de fertilizantes e grãos sabe que o pico de recebimento de insumo e o pico de expedição quase encostam um no outro. O mesmo pátio que descarrega adubo em setembro carrega semente, calcário e, mais adiante, saca de soja.

Setembro é a hora da verdade para quem comprou insumo

Em Mato Grosso, o vazio sanitário da soja vai até 6 de setembro. Pelo calendário do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso, o plantio da safra 2026/2027 fica liberado de 7 de setembro a 7 de janeiro.

São seis meses de validade para a resolução dos portos contra uma janela de semeadura que abre em menos de duas semanas. O adubo que descer do navio agora é o que vai para o sulco.

A
Redação
André Camargo

Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.

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