As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 3,16 milhões de toneladas em maio, queda de 14,7% na comparação com o mesmo mês de 2025, quando o volume tinha sido de 3,70 milhões. O número é da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) e saiu nesta semana. Para quem toca revenda, cooperativa ou armazém, o recado é direto: o adubo que não entrou no pátio em maio não sumiu do mapa, ele foi empurrado para a frente.
E volume empurrado tem um jeito conhecido de voltar. Ele volta concentrado, em menos semanas, com mais caminhão na balança de uma vez só.
No acumulado de janeiro a maio, o país recebeu 15,46 milhões de toneladas, uma redução de 2,2% ante as 15,81 milhões do mesmo período do ano passado. No ano, portanto, o recuo é bem menor que o de maio isolado.
Produção nacional cai 26,2% em maio e joga o peso para o navio importado
A fabricação brasileira de intermediários para fertilizante ficou em 485 mil toneladas em maio, resultado 26,2% menor que o de um ano antes. No acumulado de cinco meses, foram 2,41 milhões de toneladas, recuo de 17,1%.
Segundo a Anda, o custo do enxofre é o principal peso sobre a linha de fosfatados. Menos produção aqui dentro significa mais dependência do que chega de fora, e o calendário do seu estoque passa a depender da fila do porto.
As importações também cederam: 3,31 milhões de toneladas em maio, 9,4% abaixo de 2025.
Paranaguá recebe 9,6% menos adubo e muda a conta do frete de retorno
O porto de Paranaguá movimentou 3,64 milhões de toneladas de fertilizante entre janeiro e maio, uma queda de 9,6% ante o mesmo período do ano passado.
Isso mexe direto com quem monta frota. Menos adubo descendo do porto na entressafra é menos carga de volta para o caminhão que subiu com grão, e o custo do quilômetro vazio cai no colo de alguém.
Mato Grosso concentra 25,2% da entrega e a fila de descarga fica desigual
Mato Grosso puxou 3,89 milhões de toneladas no acumulado, o equivalente a 25,2% de tudo que foi entregue no país. Depois vêm Paraná (1,75 milhão), São Paulo (1,67 milhão), Goiás (1,61 milhão) e Minas Gerais (1,15 milhão).
Na prática, um quarto do movimento nacional cabe em um único estado. Quando o embarque atrasa e depois destrava, é lá que a pilha de granel cresce mais rápido e o galpão fica sem corredor.
Pátio parado hoje não quer dizer máquina parada em setembro
Quem toca armazém sabe como é. A manhã começa com três carretas na balança, o operador abre a caçamba, e a pilha de superfosfato tem que sair da porta antes do meio-dia para o próximo entrar.
Nesse aperto, a carregadeira que descarrega, monta pilha e alimenta a ensacadeira vira o gargalo do dia inteiro. No mercado brasileiro, quatro marcas aparecem com frequência nessa faixa de trabalho:
Case: rede de concessionárias espalhada pelo interior, o que encurta parada por falta de peça.
JCB: linha compacta, pensada para galpão de pé-direito baixo e corredor estreito.
SDLG: importada de preço de entrada mais baixo, comum como segunda máquina de cooperativa.
Bruto Brasil: fabricação nacional, com peça e assistência dentro do país, como no BRT25.
Crédito curto e conflito no Irã empurraram a compra para o fim do ano
A Anda aponta dois freios no período. O conflito envolvendo o Irã travou fechamento de negócio novo a partir de maio, com efeito que deve se estender para a temporada 2026/2027.
O outro freio é o crédito. Com linha mais apertada, a revenda segurou compra e o produtor adiou a reposição, o que explica boa parte do tombo de maio sem que a demanda tenha desaparecido.
Quem tem silo e galpão vazio agora está diante de uma escolha de caixa: antecipa a montagem do estoque e paga armazenagem, ou espera o preço acomodar e corre o risco de disputar caminhão na janela mais cheia do ano?
O próximo dado da Anda, com o fechamento de junho, mostra se o recuo foi um ponto fora da curva ou se o ano de fato virou. Até lá, a conta que decide o pátio de setembro está sendo feita agora, na planilha de quem compra adubo.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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