O mercado de fertilizantes vive uma semana de conta apertada: adubo importado 18,8% mais caro do que há um ano, inflação de alimentos no radar e os R$ 10 bilhões do Profert à espera de sanção presidencial. O respiro veio do índice da Mosaic, divulgado na quinta (13): o poder de compra do produtor melhorou 5% em julho.
O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes fechou julho em 1,35, queda de 5% frente a junho — quanto menor o número, melhor a troca para quem compra adubo. A melhora veio da alta média de 4% das commodities agrícolas, com a soja subindo perto de 7%.
O alívio de um mês não muda a foto: o Brasil segue importando mais de 80% do fertilizante que usa, segundo a Agência Senado. É essa dependência que o Profert quer atacar, com até R$ 10 bilhões em créditos fiscais para quem construir, ampliar ou reativar fábrica de fertilizantes no país entre 2027 e 2031.
O programa passou no Senado na terça-feira da semana passada (11), como PL 699/2023, do senador Laércio Oliveira (PP-SE), com relatoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Desde então, o texto está na mesa da Presidência da República, à espera de sanção.
Crédito fiscal tem teto de R$ 2 bilhões por ano e trava de 20%
O desenho é de crédito fiscal sobre tributos federais, com teto de R$ 2 bilhões por ano. O que não for usado num ano pode passar para o seguinte, até completar os R$ 10 bilhões em cinco anos.
Tem trava: o benefício fica limitado a 20% do que a empresa gastar com a produção, e os projetos passam por seleção competitiva do governo federal. Empresas habilitadas também ganham acesso a linhas de crédito do BNDES, segundo a Revista Cultivar.
O pacote ainda isenta o adicional de frete da marinha mercante na importação de matéria-prima, com limite de R$ 200 milhões por ano. E cria meta de mistura mínima de fertilizante nacional nos produtos vendidos no país, começando em 2% e subindo aos poucos até 10%.
Brasil compra menos adubo e paga 18,8% mais caro
A urgência tem número. Em julho, o Brasil importou 4,10 milhões de toneladas de fertilizantes, queda de 14,4% frente a julho de 2025, ao preço médio de US$ 430 por tonelada, alta de 18,8%, segundo o Farmnews.
No acumulado até julho, foram 22,39 milhões de toneladas, com preço médio 16,9% acima do ano passado. E o susto veio antes: em março, a ureia bateu US$ 710 a tonelada no Brasil, alta de 89% em um ano, segundo dados da consultoria do Itaú BBA citados pela CNN Brasil.
Adubo caro não para na porteira. Alimentação pesa 21,3% do IPCA, e a Warren Investimentos calcula que a pressão dos alimentos pode adicionar até 2 pontos percentuais à inflação no biênio 2026-2027, também segundo a CNN Brasil.
Essa conta também mexe com quem está fora da lavoura. Milho e farelo mais caros encarecem a ração de aves e suínos, custo que pesa direto para quem sustenta a exportação de carne de frango em ritmo recorde neste agosto.
O tamanho da conta em quatro números
Até R$ 10 bilhões em créditos fiscais entre 2027 e 2031, com teto de R$ 2 bilhões por ano, segundo a Agência Senado;
Mais de 80% do fertilizante usado no Brasil vem de fora;
4,10 milhões de toneladas importadas em julho, a US$ 430 a tonelada, preço 18,8% maior que há um ano, segundo o Farmnews;
Poder de compra do produtor melhorou 5% em julho, com o índice da Mosaic em 1,35.
Sanção presidencial define quando os R$ 10 bilhões saem do papel
Na ponta da revenda, nada muda amanhã. O crédito só começa a rodar em 2027 e depende de fábrica nova, ampliada ou reativada sair do chão.
Mas quem toca misturadora, do big bag na baia à carregadeira abastecendo a linha, passa a ter no horizonte um concorrente nacional do produto importado, com meta de mistura mínima crescendo ano a ano.
O próximo passo está com o Planalto: sem sanção presidencial, os R$ 10 bilhões não saem do papel. Depois vem a regulamentação, que vai detalhar a seleção competitiva dos projetos antes de o programa valer de 2027 a 2031.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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