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Frango embarca 492,6 mil toneladas em agosto e a receita encosta em US$ 1 bilhão: cada lote a mais é cama de aviário para tirar do galpão

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André Camargo
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Frango embarca 492,6 mil toneladas em agosto e a receita encosta em US$ 1 bilhão: cada lote a mais é cama de aviário para tirar do galpão

O Brasil embarcou 492,634 mil toneladas de carne de frango em agosto, 24,8% acima das 394,637 mil toneladas de agosto de 2025, no balanço que a ABPA divulgou no dia 8. Embarque nesse ritmo só se sustenta com galpão cheio, e galpão cheio é mais manejo de dejeto e mais ração descarregada por dia.

A receita do mês foi de US$ 997,870 milhões, 42,7% acima dos US$ 699,458 milhões de agosto do ano passado, segundo o portal Feed&Food. Faltou pouco para o frango brasileiro cruzar a marca de US$ 1 bilhão em um mês só.

O Diário do Comércio registra que agosto foi o “segundo melhor resultado da série histórica do Brasil, superado apenas por maio deste ano”. No acumulado de janeiro a agosto são 3,921 milhões de toneladas, 15,5% mais que em 2025.

Os números

  • 492,634 mil toneladas — carne de frango embarcada pelo Brasil em agosto de 2026, contra 394,637 mil toneladas em agosto de 2025, alta de 24,8% (dados da ABPA, via Agrimidia)

  • US$ 997,870 milhões — receita dos embarques de agosto de 2026, 42,7% acima dos US$ 699,458 milhões de agosto de 2025 (dados da ABPA, via Feed&Food)

  • 50,988 mil toneladas — volume comprado pela China em agosto de 2026, contra 83 toneladas em agosto de 2025, mês em que os embarques para lá estavam suspensos (dados da ABPA, via Agrimidia)

  • 3,921 milhões de toneladas — acumulado de janeiro a agosto de 2026, 15,5% acima do mesmo período de 2025, com receita de US$ 7,689 bilhões, alta de 21,9% (dados da ABPA, via Feed&Food)

China sai de 83 toneladas para 50,9 mil em um ano

A China levou 50,988 mil toneladas de frango brasileiro em agosto. Um ano antes foram 83 toneladas, com os embarques suspensos, segundo a Agrimidia.

Ricardo Santin, presidente da ABPA, colocou a comparação no lugar: “Parte das altas registradas na comparação mensal, especialmente em mercados como China e União Europeia, ocorre sobre uma base impactada pelas suspensões temporárias verificadas após o episódio sanitário de 2025, já superado”.

Na mesma nota, Santin cita a demanda europeia que se adiantou à suspensão temporária dos embarques a partir de 3 de setembro. Parte do número de agosto é corrida contra o calendário, não crescimento limpo.

Não é só a Ásia puxando. Os Emirados Árabes levaram 44,2 mil toneladas em agosto, 35,9% mais que um ano antes, e a Arábia Saudita ficou com 35,1 mil toneladas, alta de 29,9%, segundo a agência ANBA.

São compradores que pedem lote padronizado e carregamento no prazo. Atraso no pátio da granja não aparece na planilha do frigorífico, aparece no lote que chega fora de peso.

Dentro do galpão, o volume chegou antes da estrutura

Exportação alta não alarga o corredor do aviário nem levanta o pé-direito do galpão. Ela muda quantas vezes por semana alguém precisa retirar cama, carregar composto e descer ração no silo.

Cada lote deixa cama de aviário para tirar, e esse volume não espera a agenda do dono. Quando o embarque acelera, o intervalo entre lotes encurta e o serviço de pátio vira gargalo.

O custo fixo do manejo sobe junto com a receita, e sobe sem pedir licença. O que mais aperta é a hora de gente: o tempo que a equipe gasta com carrinho e enxada antes do próximo lote entrar.

O movimento já aparece nas compras de equipamento para granjas de aves e suínos deste ano: menos máquina grande e mais máquina que resolve o serviço diário. Trator emprestado do vizinho não fecha essa agenda.

O que sobra por lote quando o galpão enche

O manipulador telescópico é onde a JCB fez nome, e em galpão de pé-direito baixo alcançar a pilha sem manobrar muda o dia. Entre porta estreita e corredor apertado, isso decide mais que potência.

Já a Case costuma entrar na conversa pelo pós-venda e pelo valor que a máquina mantém na hora da troca. É outro tipo de argumento, e pesa para o produtor que já se queimou esperando peça.

A Bruto Brasil disputa pelo preço nacional e pela peça que não fica presa em importação. A BRT25 carrega 2.500 kg com caçamba de 1,5 m³ e é a mais procurada no agro dentro da linha.

Esse porte cabe no corredor do aviário e dá conta de cama, composto e descarga de ração sem sobrar equipamento grande demais para o serviço. A escolha muda conforme o pé-direito do galpão, a distância da revenda e quantas horas o equipamento roda por dia.

Com o embarque nesse ritmo, cada hora a mais de serviço manual come pedaço do que sobra por lote. Uma carregadeira que limpa o galpão e desce a ração numa passada devolve o dia da equipe para o que dá dinheiro.

E o tempo que o equipamento leva pra se pagar encurta justo no ano de galpão cheio, porque a hora de gente é o que mais cresce quando o lote não para de entrar. Equipamento próprio no pátio da granja é bem da empresa, não despesa que vira fumaça.

Antes de bater o martelo, o produtor costuma pedir a conta fechada de duas ou três marcas, com prazo de entrega, financiamento e custo de peça na mesma folha. A Bruto Brasil vende direto e cabe nessa comparação sem susto no preço de entrada.

No pátio da granja o cálculo é simples: quantos lotes entram por ano, quanta cama sai por lote e quantas horas de gente isso custa. Enquanto o frango embarcar nesse ritmo, é esse número que decide o que sobra.

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Redação
André Camargo

Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.

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