O Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, abre os portões neste sábado para a 49ª Expointer. Até 6 de setembro, o Parque de Máquinas reúne 135 empresas de máquinas e implementos agrícolas, do Rio Grande do Sul, de outros estados e do mercado internacional.
Para quem toca lavoura, esses nove dias valem mais do que um passeio pela feira. É neles que a indústria concentra lançamento, condição de pagamento e desconto de balcão, e é ali que boa parte da decisão sobre a frota da fazenda sai do papel.
Quem segurou a troca do trator na safra passada chega agora com a máquina mais velha e o mesmo serviço para fazer. O vendedor do outro lado do balcão sabe disso.
A indústria chega a Esteio com sede de vender
O contexto explica o clima nos estandes. Os negócios fechados na feira somaram R$ 3,78 bilhões em 2025, contra R$ 7,39 bilhões na edição de 2024, segundo o balanço divulgado pela organização no último dia do evento.
Na Agritech Lavrale, fabricante de tratores sediada em Indaiatuba (SP), o gerente de Vendas e Marketing Cesar Roberto Guimarães de Oliveira fala em "momento de cautela, tanto para os produtores quanto para a indústria". A empresa avisou que vai revisar as metas de vendas do ano.
E o peso da feira não é só regional. O Rio Grande do Sul responde por mais de 60% da produção nacional de máquinas agrícolas, então o humor do Parque de Máquinas dá a temperatura da indústria inteira.
O crédito separa interesse de contrato assinado
O Simers, sindicato das indústrias de máquinas e implementos agrícolas do Rio Grande do Sul, trata a feira como o primeiro grande teste do Plano Safra 2026/2027. O presidente da entidade, Claudio Bier, chama a Expointer de "vitrine estratégica para a indústria".
Bier condiciona a retomada à velocidade do dinheiro. Se as linhas estiverem operando de fato durante os nove dias, diz ele, o ambiente fica favorável.
Oliveira vê o Plano Safra com otimismo, mas amarra o efeito à rapidez com que o crédito chega ao agricultor familiar. Para ele, é a ampliação real do acesso que puxa a renovação de frota nas propriedades menores.
Cada estande defende uma carta diferente
A John Deere aposta na tecnologia embarcada, com piloto automático e telemetria que já viraram rotina nas lavouras grandes. A Valtra vende personalização de fábrica, com o trator montado conforme o serviço de cada propriedade.
A Massey Ferguson joga em casa, já que a fábrica de tratores da marca fica em Canoas, a poucos quilômetros do parque de Esteio.
No corredor das carregadeiras a conversa é outra, de carregar grão, esterco e calcário e encher caçamba. A Bruto Brasil disputa esse espaço pelo custo-benefício nacional, com fabricação, peça e assistência dentro do país.
Quem tem gado faz outra conta. Na rotina de cocho e trato do rebanho, quem não tem a máquina no galpão paga hora de serviço de terceiro todo santo dia.
O placar da frota da fazenda sai no último dia
No encerramento, a organização da Expointer divulga quanto os negócios em máquinas e implementos movimentaram. É esse número, e não o de visitantes, que mede a disposição do produtor de trocar equipamento.
Em 2025 o público bateu recorde, 1.010.020 pessoas, e mesmo assim os negócios em máquinas caíram quase pela metade. Portaria cheia e contrato assinado são coisas diferentes, e o balanço final mostra qual das duas pesou.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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