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Confinamentos e Pecuária

UE barra a carne do Brasil desde 3 de setembro: para onde vai o boi que iria para o bloco

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André Camargo
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UE barra a carne do Brasil desde 3 de setembro: para onde vai o boi que iria para o bloco

A União Europeia suspendeu no dia 3 de setembro a entrada de carne bovina, carne de frango, ovos e mel vindos do Brasil. Os setores atingidos venderam US$ 2,026 bilhões ao bloco em 2025.

E o boi que iria para a Europa não sumiu do cocho. Ele só trocou de fila: vai para a China, para outros compradores de fora ou para o mercado interno.

A conta do pecuarista está no preço dessa troca. Segundo o Poder360, o europeu pagava perto de US$ 10 pelo quilo da carne bovina, enquanto o chinês paga por volta de US$ 6,50.

O comprador não some. O que some é o prêmio, e prêmio é o que separa o lote que fecha a conta do lote que só empata.

Europa levava 3,5% do volume e pagava o preço mais alto

A Scot Consultoria calcula que o bloco ficou com 3,5% do volume de carne bovina exportado em 2025 e com 5,5% do faturamento. Pouca carreta, muita nota.

A exposição também não é igual em todo o país. Cinco estados respondem por 98% do que sai para o bloco: Mato Grosso, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, pela mesma conta da Scot.

Quem termina boi em Mato Grosso sente primeiro: sozinho, o estado embarcou US$ 337,4 milhões ao bloco, pela mesma conta da Scot. O frigorífico que embarcava para lá vai atrás de outro contrato, e a escala de abate se reorganiza em cima disso.

O que muda no calendário de abate e de venda

Vale ligar para o comprador do frigorífico antes de fechar a próxima escala. Pergunte se a planta que ia receber o seu lote embarcava para o bloco europeu e se a data de entrega mudou.

No varejo, o baque imediato tende a ser pequeno. A ABPA avalia que o risco de pressão nos preços internos é baixo, porque os importadores europeus anteciparam compras e encheram o estoque antes da suspensão.

Isso compra algumas semanas de negociação. Quem já tem boi na balança pode usar esse tempo para ajustar a data de entrega em vez de despejar o lote na primeira oferta que aparecer.

É um mercado que vai mexer semana a semana daqui para a frente. Quem vive de escala faz bem em acompanhar o noticiário da pecuária antes de fechar preço.

Frango pode voltar ainda neste ano; o boi, não

A auditoria europeia nas cadeias de frango e mel foi feita na própria semana da suspensão. A análise dos resultados leva cerca de dois meses, e o setor avícola espera reabrir as vendas ao bloco ainda neste ano, segundo a Agência Brasil.

Com o gado é outra história: a carne bovina para a Europa depende de um ciclo bem mais longo. A garantia exigida por Bruxelas cobre a vida inteira do animal, e um bovino que passe a seguir as novas regras hoje leva de 24 a 36 meses até o abate, segundo a Agência Brasil.

Agora a bola está com o governo. Na semana da suspensão, a CNA enviou ofício ao Itamaraty pedindo que o Brasil acione o Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões previsto no acordo entre Mercosul e União Europeia.

O mecanismo permite cobrar compensação equivalente e, no limite, suspender concessões tarifárias dadas ao bloco. Enquanto isso, o Brasil aguarda o parecer da auditoria de frango e mel e segue negociando o protocolo de certificação que a União Europeia exige do rebanho.

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Redação
André Camargo

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