O BNDES aprovou na terça-feira (22) R$ 180,7 milhões para implantar duas plantas de biometano de aterro sanitário, em Vila Velha (ES) e Mauá (SP). São 97 mil Nm³ por dia saindo de lixo urbano, e o que interessa ao confinamento e à granja é o carimbo: resíduo orgânico entrou na fila de crédito do banco.
O dinheiro sai do Fundo Clima e da linha Finem, dividido entre as duas obras: R$ 78,8 milhões no Espírito Santo e R$ 101,9 milhões em São Paulo. Os projetos são da GNR Vila Velha e da GNR Mauá, dos grupos Lara e MDC Energia, e somam investimento da ordem de R$ 245 milhões.
Os números do financiamento
R$ 180,7 milhões aprovados pelo BNDES, dentro de um investimento da ordem de R$ 245 milhões.
R$ 78,8 milhões para Vila Velha (ES) e R$ 101,9 milhões para Mauá (SP).
97 mil Nm³ por dia de capacidade somada: 32 mil no ES e 65 mil em SP.
Operação comercial prevista para o 1º semestre de 2027.
Precisão antes de tudo: o gás dessas duas plantas vem de resíduo sólido urbano, do biogás que se forma dentro da célula do aterro. Não é dejeto de gado nem de suíno, e a diferença importa.
Só que o caso atravessa a porteira por outro motivo. Resíduo orgânico passou a ser tratado como ativo financiável, com projeto, laudo, contrato e prazo de operação escritos em papel de banco.
E a porta de crédito tem nome. Fundo Clima e Finem são linhas gerais do BNDES, e foi por elas que saiu o dinheiro destas duas plantas.
Do lado do agro, sobra potencial parado. Segundo levantamento da Abren, divulgado em 23 de setembro, Mato Grosso do Sul aproveita apenas 6,5% do biometano que a vinhaça das usinas já instaladas poderia render.
A associação estima 126 milhões de m³ por safra de potencial contra 8,16 milhões de m³ por ano de aproveitamento efetivo. É estimativa de entidade do setor, não dado oficial, e o recorte é apenas Mato Grosso do Sul.
Do aterro para a porteira
Planta de biogás não começa no encanamento. Começa em obra de terra: escavação da célula e da lagoa, conformação de talude, greide e dreno, serviço de escavadeira meses antes de o primeiro gerador chegar à obra.
É a mesma rotina de canteiro que a gestão de resíduos e reciclagem já conhece de cor, aplicada agora dentro da porteira. Terminada a obra, o serviço troca de mão.
Aí entra a carregadeira. É ela que empurra esterco e palha para a caixa de carga do biodigestor todo dia, e é ela que retira o digestato e revira o composto na leira depois.
As duas plantas do BNDES têm operação comercial prevista para o 1º semestre de 2027. Até lá, o produtor que pensa em biodigestor tem tarefa medida: pesar o volume diário de dejeto, fechar o projeto de engenharia com a licença ambiental em mãos e chegar ao banco com cadastro pronto, antes de a fila de projeto de resíduo engrossar.
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