O mercado brasileiro recebeu 19,02 milhões de toneladas de fertilizante no primeiro semestre, contra 20,11 milhões no mesmo intervalo de 2025, segundo a ANDA. E, mesmo com menos adubo circulando, o poder de compra de fertilizantes do produtor melhorou em agosto.
O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes, calculado pela Mosaic, fechou o mês em 1,26, ante 1,35 em julho. A queda de 7% quer dizer uma coisa só no caixa da fazenda: menos produção entregue para levar a mesma carga de adubo.
O adubo cedeu e o grão subiu no mesmo mês
A conta melhorou pelos dois lados. Os preços das commodities agrícolas subiram 6% em média em agosto, com a cana-de-açúcar em alta de 8%, a soja em 5%, o milho em 4% e o algodão em 1%.
Do outro lado do balcão, os preços dos fertilizantes recuaram. O dólar quase não se mexeu, com valorização de cerca de 1%, e teve peso limitado no resultado.
Segundo a Mosaic, a alta dos grãos veio das expectativas em torno da safra norte-americana de soja e milho e do clima em regiões produtoras importantes. No Brasil, a dúvida sobre os efeitos do El Niño na próxima safra também sustentou preço.
Do porto até o talhão, o frete entra na conta
A ANDA aponta que a produção nacional de fertilizante caiu 16,3% no semestre, enquanto as importações recuaram 4,2%. Quanto maior a fatia que desembarca em porto, mais a conta final depende de transbordo, armazenagem e caminhão até a porteira.
Só em junho foram 3,55 milhões de toneladas entregues, 17,2% abaixo do mesmo mês de 2025. A associação credita o ritmo mais fraco ao cenário geopolítico, à restrição de crédito, aos juros altos e às incertezas climáticas.
O Oriente Médio segue no radar pela importância da região na logística e no comércio global de adubo. É de lá que vem parte relevante do fertilizante e dos insumos que o Brasil compra.
No pátio do armazém, quem descarrega manda no relógio
Adubo a granel chegando e grão saindo disputam o mesmo pátio nesta parte do ano. Caminhão na fila vira diária, e carga que demora a descer atrasa a adubação lá na lavoura.
Na linha de carregadeira usada em armazém e misturadora, a Volvo CE tem fama de robustez e consumo controlado, a SDLG briga no preço de entrada e na rede de assistência, e a Bruto Brasil se posiciona pelo custo-benefício nacional. Qual delas entra no pátio depende da conta de cada operação.
O que sobra no armazém depois de fechada a conta
Quem acompanha o mercado de fertilizantes e grãos ficou com um número prático na mão: agosto exigiu menos saca por tonelada de adubo do que julho. A ANDA afirma que a demanda do mercado interno foi atendida mesmo com o volume menor de entregas.
Se essa relação de troca se sustentar, quem fechou adubo com a soja valorizada trava custo abaixo de quem ficou esperando. E quem adiou vai brigar pelo mesmo produto num mercado em que a produção interna encolheu 16,3%.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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