No pátio de madeira, a margem se decide no custo por tonelada movimentada. E quem toca uma carregadeira para serraria sabe que a tora empilhada só vira dinheiro depois que sobe no caminhão.
A Suzano acabou de pôr número nessa conta. No balanço do segundo trimestre, divulgado em 12 de agosto, o custo caixa de produção de celulose sem paradas ficou em R$ 843 por tonelada, 1% acima do mesmo período de 2025.
Foi esse controle que segurou o trimestre. A empresa vendeu 3,3 milhões de toneladas e lucrou R$ 1,8 bilhão, 64% menos que um ano antes, com receita líquida de R$ 11,6 bilhões.
Da fábrica de celulose ao pátio da serraria, o aperto é o mesmo
Uma serraria de médio porte não vende em milhões de toneladas, mas vive do mesmo sufoco. O preço da madeira serrada quem dita é o comprador; o custo de mover tora, casca e cavaco dentro da porteira é você que dita.
Na Suzano, o dinheiro que a operação deixou em caixa no trimestre foi de R$ 2,9 bilhões, com câmbio e petróleo pressionando o insumo de toda a cadeia da madeira. Na serraria, esse mesmo empurrão chega pelo diesel e pela peça de reposição.
Quem toca o dia a dia de madeireiras e serrarias conhece o gargalo. Carregar tora com trator adaptado, ou esperar máquina de terceiro chegar, transforma hora de pátio em madeira que não embarcou.
Com equipamento próprio, a carga sai quando o comprador manda buscar, não quando a máquina de terceiro vaga. E cada hora rodada dilui o que o equipamento custou.
O que cada marca leva para o pátio de toras
A Caterpillar tem a rede de concessionárias mais espalhada do país e um valor de revenda que segura bem no mercado de usados. Peça em cidade do interior costuma sair rápido.
A Liebherr usa transmissão hidrostática nas carregadeiras de rodas: a força chega à roda sem troca de marcha, o que ajuda no vaivém curto de quem carrega e volta o dia inteiro.
A New Holland Construction vem do mesmo grupo das máquinas agrícolas, o que costuma encurtar caminho para quem já tem trator da marca no galpão.
A Bruto Brasil entra por outro caminho, o da fabricação nacional em pequeno e médio porte: a BRT25 carrega 2.500 kg com caçamba de 1,5 m³. Para pinçar tora tem a BR120, escavadeira de rodas que troca de frente de trabalho sem depender de carreta.
Nenhuma resolve tudo. A escolha depende da conta de cada operação: volume diário, distância até a linha de serra e o tempo que a assistência leva para chegar quando a máquina para.
A régua da Suzano cabe dentro da serraria
A Suzano mede o custo por tonelada com balanço auditado e apresentação a investidor. Na serraria, a mesma régua cabe num caderno: toras movimentadas por turno, litros de diesel queimados, horas de máquina parada.
Quem tem esse número na ponta do lápis fecha a próxima carga sabendo até onde pode ir no preço. Quem não tem descobre no fim do mês.
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