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Materiais de Construção

IGP-10 dispara 1,47% em setembro, mas a alta parou antes de chegar ao depósito de material de construção

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André Camargo
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IGP-10 dispara 1,47% em setembro, mas a alta parou antes de chegar ao depósito de material de construção

1,47% em setembro, depois de queda de 0,51% em agosto. O IGP-10 da FGV IBRE, divulgado no dia 16, virou para cima puxado pelo atacado; no material de obra a variação do mês ficou em 0,30%.

O empurrão está no atacado.

O IPA, o índice de preços ao produtor amplo, saiu de queda de 0,69% em agosto para alta de 1,90% em setembro. Dentro dele, o estágio de matérias-primas brutas marcou 3,91%, contra 0,23% no mês anterior.

Matérias-primas brutas são insumo agropecuário e mineral, o primeiro elo da cadeia. Não é o saco de cimento nem a barra de aço que chega ao depósito.

O elo de cima

Matheus Dias, economista do FGV IBRE, ligou o movimento dos produtos agropecuários ao aumento das incertezas climáticas com o fortalecimento do El Niño.

Nos estágios seguintes a alta é bem menor. Bens intermediários subiram 0,47% e bens finais, 0,56%.

Na ordem dos estágios, a matéria-prima bruta vem primeiro, o bem intermediário depois, o bem final por último. Correu o primeiro.

O IPC, que pega o preço no consumidor, ficou em 0,44%.

E o INCC, o índice da construção civil, fechou setembro em 0,50%. Dentro dele, o grupo Materiais e Equipamentos saiu de 0,20% para 0,30%.

O atacado virou de queda para alta forte e o material que abastece a obra mal se mexeu.

Os 3,91% são do estágio de matérias-primas brutas do IPA. Não são o preço do material de construção, e trocar um pelo outro muda a decisão de compra do mês.

Alta no início da cadeia nem sempre desce inteira. Parte fica pelo caminho e o resto chega com atraso de meses.

O movimento nasceu no lado agropecuário e mineral, o mesmo lado de insumos agrícolas e grãos. Da lavoura até o balcão do depósito há vários elos no meio.

Na prática, o custo de refazer a compra ainda não mudou de patamar. A margem do mês que vem depende do preço pago agora.

O depósito é o último elo antes da obra.

Comprar caro no elo de cima significa entregar caro no de baixo, ou comer a diferença na margem do mês.

A janela do outro indexador

O IGP-10 não é o índice que reajusta contrato: aluguel de galpão e contrato de fornecimento costumam vir amarrados ao IGP-M, calculado pela mesma FGV.

Os dois medem o mesmo cesto e mudam só a janela de coleta. O IGP-10 apura entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do corrente; o IGP-M, entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do corrente.

Por isso o IGP-10 sai antes.

O dono de depósito com galpão sob cláusula de IGP-M tem aí a leitura antecipada do reajuste que vem pela frente.

Antes de bater o martelo numa renovação, o indexador merece leitura linha a linha.

Construtora e empreiteira estão no mesmo ponto: o custo de canteiro subiu 0,50% enquanto o índice cheio subiu 1,47%.

No ano, o IGP-10 acumula 2,97%. Em 12 meses, 3,29%.

Reposição feita agora pega o material de obra num patamar que ainda não absorveu o que se passou no andar de cima. O release da FGV não afirma que esse repasse vai descer a cadeia.

Neste mês o aperto veio pelo indexador, com a nota do fornecedor praticamente parada.

No pátio do depósito, a carregadeira que move areia e brita roda igual em setembro e em outubro. O que oscila é o preço da carga que ela empilha.

O IGP-M de setembro mede o mesmo cesto numa janela vizinha. O preço que chega ao depósito continua no grupo Materiais e Equipamentos do INCC, que subiu 0,30% no mês.

A
Redação
André Camargo

Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.

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