1,47% em setembro, depois de queda de 0,51% em agosto. O IGP-10 da FGV IBRE, divulgado no dia 16, virou para cima puxado pelo atacado; no material de obra a variação do mês ficou em 0,30%.
O empurrão está no atacado.
O IPA, o índice de preços ao produtor amplo, saiu de queda de 0,69% em agosto para alta de 1,90% em setembro. Dentro dele, o estágio de matérias-primas brutas marcou 3,91%, contra 0,23% no mês anterior.
Matérias-primas brutas são insumo agropecuário e mineral, o primeiro elo da cadeia. Não é o saco de cimento nem a barra de aço que chega ao depósito.
O elo de cima
Matheus Dias, economista do FGV IBRE, ligou o movimento dos produtos agropecuários ao aumento das incertezas climáticas com o fortalecimento do El Niño.
Nos estágios seguintes a alta é bem menor. Bens intermediários subiram 0,47% e bens finais, 0,56%.
Na ordem dos estágios, a matéria-prima bruta vem primeiro, o bem intermediário depois, o bem final por último. Correu o primeiro.
O IPC, que pega o preço no consumidor, ficou em 0,44%.
E o INCC, o índice da construção civil, fechou setembro em 0,50%. Dentro dele, o grupo Materiais e Equipamentos saiu de 0,20% para 0,30%.
O atacado virou de queda para alta forte e o material que abastece a obra mal se mexeu.
Os 3,91% são do estágio de matérias-primas brutas do IPA. Não são o preço do material de construção, e trocar um pelo outro muda a decisão de compra do mês.
Alta no início da cadeia nem sempre desce inteira. Parte fica pelo caminho e o resto chega com atraso de meses.
O movimento nasceu no lado agropecuário e mineral, o mesmo lado de insumos agrícolas e grãos. Da lavoura até o balcão do depósito há vários elos no meio.
Na prática, o custo de refazer a compra ainda não mudou de patamar. A margem do mês que vem depende do preço pago agora.
O depósito é o último elo antes da obra.
Comprar caro no elo de cima significa entregar caro no de baixo, ou comer a diferença na margem do mês.
A janela do outro indexador
O IGP-10 não é o índice que reajusta contrato: aluguel de galpão e contrato de fornecimento costumam vir amarrados ao IGP-M, calculado pela mesma FGV.
Os dois medem o mesmo cesto e mudam só a janela de coleta. O IGP-10 apura entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do corrente; o IGP-M, entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do corrente.
Por isso o IGP-10 sai antes.
O dono de depósito com galpão sob cláusula de IGP-M tem aí a leitura antecipada do reajuste que vem pela frente.
Antes de bater o martelo numa renovação, o indexador merece leitura linha a linha.
Construtora e empreiteira estão no mesmo ponto: o custo de canteiro subiu 0,50% enquanto o índice cheio subiu 1,47%.
No ano, o IGP-10 acumula 2,97%. Em 12 meses, 3,29%.
Reposição feita agora pega o material de obra num patamar que ainda não absorveu o que se passou no andar de cima. O release da FGV não afirma que esse repasse vai descer a cadeia.
Neste mês o aperto veio pelo indexador, com a nota do fornecedor praticamente parada.
No pátio do depósito, a carregadeira que move areia e brita roda igual em setembro e em outubro. O que oscila é o preço da carga que ela empilha.
O IGP-M de setembro mede o mesmo cesto numa janela vizinha. O preço que chega ao depósito continua no grupo Materiais e Equipamentos do INCC, que subiu 0,30% no mês.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.