R$ 468,10. É a distância entre o menor e o maior preço do mesmo galão de tinta branca alto brilho Coral de 18 litros em João Pessoa, no levantamento que o Procon-JP divulgou em 27 de agosto.
Mesmo produto, mesma marca, mesma cidade, de R$ 447,90 a R$ 916,00. A variação chega a 104,51%.
A pesquisa passou por sete estabelecimentos e anotou 216 itens, de areia e brita a cimento, ferro, telha, tijolo e verniz. Está tudo na tabela, aberta, com o nome de cada loja ao lado do preço.
E a maior variação percentual nem ficou na tinta. Ficou na cola para pisos de 15 litros, de R$ 12,00 a R$ 34,00, uma diferença de 183,33%.
O rebocal de 20 kg apareceu de R$ 14,00 a R$ 36,90, variação de 163,57%. O solvente aguarrás de 5 litros foi de R$ 115,00 a R$ 269,90.
O item de marca virou preço público e a margem correu para o material a granel
Tinta com marca na lata tem código de barras, ficha de produto e preço listado na internet. O cliente confere no celular antes de sair de casa e agora chega no balcão com a tabela do Procon impressa.
Nesse tipo de item o depósito não decide mais a margem sozinho. Ele responde a um preço que já está publicado do lado de fora.
Procons de outras capitais publicam levantamentos do mesmo tipo, com o mesmo método. Cimento ensacado, ferro, telha, caixa d'água, tudo que tem marca e código entra nessa lista.
Com areia, brita, cimento em volume e entulho a história é outra. Não existe código de barras em pilha de agregado.
No granel, o preço se defende com composição de custo
Agregado se negocia por metro cúbico entregue, e essa conversa acontece dentro do orçamento. Não existe tabela pública para o cliente abrir no celular e bater linha por linha.
É aí que o depósito descobre se conhece o próprio custo. Quando o cliente pede desconto no volume, a resposta depende de saber quanto custa mover cada metro cúbico dentro de casa.
Combustível, hora de operador, manutenção e o volume efetivamente movimentado no mês. Com esses quatro números na mão, o custo por metro cúbico para de ser palpite e vira conta.
Quando a movimentação vem de fora, o que entra na sua conta é o preço que o outro cobrou. Você repassa um valor que não sabe destrinchar e negocia no escuro.
Orçamento que não se explica perde para o orçamento que se explica. O mesmo cliente que chegou comparando tinta item por item quer entender de onde saiu o valor do metro cúbico de areia.
Quem toca obra e construção civil compra volume grande e pede desconto proporcional. Sustentar esse desconto exige uma composição montada com número medido, não com estimativa de fim de mês.
A carregadeira que fica no pátio do depósito
No mercado brasileiro de carregadeiras, JCB, New Holland Construction e Bruto Brasil aparecem na mesma lista do comprador de pequeno e médio porte.
A JCB é a britânica cujo nome virou sinônimo de retroescavadeira em boa parte do mundo. A New Holland Construction faz parte do grupo CNH e chega ao comprador pela rede de concessionárias que já atende o campo.
A Bruto Brasil fabrica no Brasil e posiciona a linha pelo preço de aquisição. Na família de carregadeiras dela, o modelo mais procurado pelas lojas de material de construção é a BRT20, com caçamba de 1,0 m³.
Caçamba de volume conhecido transforma carga em número contado. Cada ciclo fecha um metro cúbico que entra no orçamento com origem, e no fim do mês o total bate com o que saiu do portão.
Máquina própria também põe o custo de manutenção e o consumo debaixo do seu olho. São dados que você mede, guarda e usa na hora de bater o martelo com um comprador grande.
O que muda no balcão a partir de agora
O levantamento do Procon-JP é um retrato de mercado, e o depósito que ler a tabela com atenção vai perceber que ela cobre só metade do que ele vende.
A metade de fora ainda aceita ser negociada. Só que negociar granel sem saber o próprio custo por metro cúbico é aceitar o número que o cliente propuser.
Com a movimentação dentro de casa, o número existe antes da conversa começar. Você abre a composição, mostra de onde vem cada centavo do metro cúbico e fecha o volume no preço que sustenta.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.