Começou na terça-feira, 25 de agosto, e tem data marcada para acabar: 4 de setembro. Esse é o prazo da etapa de plantio do maior jardim de chuva de Belém, na Avenida Marechal Hermes.
São mais de 500 metros de canteiro, acompanhando o meio-fio da avenida. A parte verde é a última de uma sequência que começou no início de agosto.
O que veio antes da primeira muda entrar no canteiro
Antes do plantio, a frente de serviço retirou o pavimento existente, escavou, regularizou o solo e assentou o sistema de drenagem. Só então vieram o meio-fio e o lançamento de terra vegetal.
Na prática, o contrato de paisagismo virou um contrato de obras de movimentação de terra. A muda é o acabamento; o serviço de verdade está embaixo dela.
O trecho da Marechal Hermes era canteiro central pavimentado, área impermeável de ponta a ponta. Tirar esse piso significa demolição, carga e bota-fora antes de qualquer coisa verde.
Quem monta preço para esse tipo de obra precisa contar caminhão para retirar o entulho do pavimento quebrado. E precisa contar carregadeira e escavadeira trabalhando em avenida aberta, com trânsito rodando ao lado.
Poços de retenção e infiltração escondidos debaixo da grama
O canteiro não é só uma faixa de terra fofa. Embaixo dele há poços de retenção e infiltração, que seguram a água e a devolvem ao solo.
É o conceito de cidade-esponja: captar, absorver e infiltrar a chuva onde ela cai, em vez de empurrar tudo para a galeria. A prefeitura aposta nisso para reduzir o escoamento superficial, os alagamentos e o calor na avenida.
Essa estrutura não substitui a galeria da avenida. Ela trabalha junto, segurando parte do volume antes que a água corra para o asfalto e desça toda de uma vez pela boca de lobo.
Para a empreiteira, isso muda a exigência técnica. Cota, camada e compactação passam a ser medidas, porque terra lançada de qualquer jeito entope o poço e o jardim vira poça.
A obra faz parte do programa Belém Mais Verde, tocado pela prefeitura em parceria com a Cerpa. É o maior jardim de chuva da capital paraense, mas não o primeiro: o plantio da Rua dos Mundurucus já foi concluído e o Horto Municipal recebeu o seu entre junho e julho deste ano.
E o programa não para nesse canteiro. Ele junta microflorestas urbanas, corredores verdes e ampliação da arborização, o que espalha frentes de obra pequenas por vários pontos da cidade.
Pouco mais de uma semana para vestir 500 metros de verde
De 25 de agosto a 4 de setembro são onze dias de janela para plantar o trecho inteiro. Entram espécies ornamentais e arbóreas, umas de flor, outras só de folhagem.
As mudas saem da Granja Modelo: petúnias selvagens, inhame, tajá, helicônia-papagaio, cana-da-índia e grama-amendoim. A mistura é proposital, para dar cor e camadas diferentes ao longo dos 500 metros.
Prazo assim encadeia as frentes. Quem escava, quem carrega e quem planta trabalham quase colados, e um atraso de dois dias na terra vegetal come metade da janela do plantio.
A prefeitura já anunciou novos jardins para a Travessa Rui Barbosa, a Rua Quintino Bocaiúva e o bairro da Terra Firme. Cada um deles repete a mesma ordem de serviço: quebrar piso, escavar, drenar, encher de terra e só então plantar.
O plantio da Marechal Hermes tem conclusão prevista para 4 de setembro. Depois dessa data, os próximos trechos entram na fila e o Belém Mais Verde segue atrás da meta de 1 milhão de mudas na cidade.
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