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Paisagismo e Grandes Obras

R$ 172 milhões na Maré: licitação de 16 de outubro põe R$ 88,4 milhões em praça, calçada e parque linear

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André Camargo
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R$ 172 milhões na Maré: licitação de 16 de outubro põe R$ 88,4 milhões em praça, calçada e parque linear

R$ 172 milhões em três fases, e mais da metade desse dinheiro ainda não tem empreiteira contratada. A Prefeitura do Rio apresentou no dia 6 de setembro as próximas etapas da urbanização do Complexo da Maré, na Zona Norte da capital.

A segunda fase é a mais cara: R$ 88,4 milhões, com licitação marcada para 16 de outubro. O pacote faz parte do PAC Periferia Viva, acordo da prefeitura com o governo federal, e alcança um bairro de mais de 140 mil moradores.

Quem quiser disputar o edital tem pouco mais de um mês para acertar frota, equipe e certidão. É obra que mistura serviço de terra com serviço de planta, e paga os dois no mesmo contrato.

A fase mais cara é a que ainda vai a leilão

A segunda fase pega Baixa do Sapateiro, Nova Maré, Timbau e Praia de Inhaúma. Entram pavimentação nova, ampliação de calçada, praça requalificada e arborização urbana.

A primeira etapa está em andamento, com o Parque Linear da Vila dos Pinheiros, de mais de 13 mil metros quadrados, e a sede do posto territorial na Baixa do Sapateiro. A terceira guarda o pedaço maior, o Parque Linear da Ciclovia, com área superior a 56 mil metros quadrados.

Ainda na terceira fase entram a requalificação do Pontilhão e da Vila dos Pescadores, esta última em área de mais de 3,1 mil metros quadrados. Segundo a Prefeitura do Rio, a lista tem quadra poliesportiva, pista de skate e um parque sensorial para pessoas com transtorno do espectro autista.

São escopos diferentes no mesmo endereço. A empresa que levar a segunda fase monta canteiro no bairro antes de a terceira ir a leilão.

Antes da muda vem a terra

Cinquenta e seis mil metros quadrados de parque linear não começam com jardineiro. Começam com corte, aterro, bota-fora, brita e meio-fio.

Antes do plantio vem a drenagem. E antes da drenagem vem a máquina que tira o material da vala, junta a brita e enche a caçamba do caminhão.

Numa rua estreita, com poste, fiação baixa e comércio aberto na calçada, essa máquina não pode ser grande. É o mesmo serviço que aparece nos contratos de paisagismo e urbanização de praças em cidade média Brasil afora, só que com outro tamanho de cheque.

Muda o valor, não muda a ordem do canteiro: primeiro a terra sai, depois a tubulação entra, depois o piso, e só no fim a árvore. A empresa que entra apenas na última etapa planta o que os outros deixaram pronto e fatura o menor pedaço do contrato.

Retroescavadeira para a vala, carregadeira para a calçada

A JCB é a casa da retroescavadeira, formato que ela lançou em 1953. Em obra de praça a vantagem é direta: braço atrás para a vala e a cova de árvore, caçamba na frente para carregar.

A New Holland Construction fabrica em Contagem, em Minas Gerais, desde 1970. São cinco linhas montadas ali: retroescavadeira, escavadeira, carregadeira, motoniveladora e trator de esteira, o que encurta a fila da peça de reposição.

A XCMG produz em Pouso Alegre, também em Minas, desde 2014, e já passou de 30 mil máquinas feitas no Brasil. O trunfo é o preço de entrada, que pesa quando a empreiteira precisa fechar frota rápido para um edital.

A Bruto Brasil disputa esse canteiro pelo porte da máquina. A BRT15 carrega 1.500 quilos, tem caçamba de 0,5 metro cúbico, pesa 3.500 quilos e descarrega a 3.550 milímetros.

É tamanho de calçada, não de avenida. Vem com troca rápida e terceira função hidráulica, o que deixa o operador tirar a caçamba e pôr garfo para levar palete de muda, bloquete e brita sem chamar outro equipamento.

Na mesma prateleira de compacta, a XCMG tem a LW180, com 1.800 quilos de carga nominal, um degrau acima. Nenhuma das quatro faz a praça inteira: o que decide é a largura da rua onde a máquina vai trabalhar e o prazo que o edital dá.

O que ter na frota para disputar o edital de outubro

Para a empresa que vai comprar a primeira carregadeira, a Bruto Brasil mantém uma linha de entrada, de acabamento simples e foco em durabilidade, com o mesmo porte compacto. É a máquina de quem está saindo da locação e quer o equipamento no nome da empresa.

O edital de outubro tem data marcada e a ordem de serviço vem logo atrás. Empreiteira que ainda precisa correr atrás de máquina disputa o mesmo equipamento com todas as outras que assinaram contrato no mesmo mês.

A conta do próximo edital é essa: uma carregadeira compacta que passe na calçada, uma retroescavadeira para a vala de drenagem e a cova de árvore, e caminhão para tirar o bota-fora.

Com R$ 88,4 milhões abrindo em 16 de outubro e mais um parque linear atrás desse, a empresa que chegar ao dia 16 com essas três coisas no pátio disputa de igual para igual. A que ainda estiver cotando máquina vai acompanhar o resultado pelo diário oficial.

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Redação
André Camargo

Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.

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