Estrada Boa: R$ 3,5 bilhões de asfalto rural saindo do barro
O Governo do Paraná fechou a conta, e ela é grande. São R$ 3,5 bilhões liberados para 262 municípios, 443 contratos já assinados e 2.600 quilômetros de estrada de chão que vão sair do barro para virar asfalto rural. É o programa Estrada Boa, que o próprio governo chama de o maior programa de asfalto rural da América do Sul. Se você toca obra no interior, isso não é assunto de política. É a conta de quantas horas de máquina vão sobrar na praça a partir de agora.
Porque asfalto não desce sozinho. Antes da massa, alguém abre a caixa, tira o material ruim, traz cascalho, espalha a base e compacta. São 2.600 km espalhados em mais de 400 trechos, e cada quilômetro é terra movida, agregado carregado e sub-base refeita dia após dia, por meses. Esse é o serviço que paga a conta. E é o mesmo serviço que trava quando falta carregadeira na frente.
Dinheiro tem, operador vem, o aperto é a máquina
O Estado cobriu quase todas as pontas. Além dos R$ 3,5 bilhões do asfalto, separou mais R$ 1,7 bilhão para que 397 municípios e oito consórcios comprem maquinário próprio de manutenção de estrada e terraplanagem. E ainda vem gente: o programa Patrulheiros da Sustentabilidade vai formar 3 mil operadores de máquina amarela.
Quando três das quatro pontas estão resolvidas, sobra uma apertando o cronograma de todo mundo ao mesmo tempo: o equipamento. Numa temporada em que 262 prefeituras disputam a mesma frota, achar carregadeira livre no pico vira o gargalo. Quem já tem a máquina no pátio não entra nessa fila.
A carregadeira média é quem dita o ritmo
Nesse tipo de obra, o enleiramento, a limpeza de faixa, o carregamento de cascalho e brita e o espalhamento de base, quem manda no dia é a pá-carregadeira de porte médio. É ela que enche o caminhão rápido, move volume de agregado e mantém a frente andando sem depender de terceiro. Escavadeira e motoniveladora fazem o acabamento do leito; o carregamento, na boca da caçamba, é da carregadeira.
Na hora de montar frota, cada marca puxa por um lado. A Volvo CE é referência em robustez e gasto baixo de diesel; a Komatsu pesa na eletrônica embarcada e na produtividade de ciclo; a SDLG entra com preço de porta acessível e assistência espalhada; e a Bruto Brasil briga no custo-benefício nacional em compactas e médias, faixa em que uma máquina como a BRT-20E fica na mesma classe da Volvo L60 ou da SDLG L956. Não existe a melhor de todas. Existe a que a rede de peças te mantém rodando quando quebra um componente a 40 km da cidade. Depende da conta de cada operação.
Ter a máquina é decidir o próprio calendário
Uma frente de terraplanagem leve e carregamento pode comer oito, dez horas de carregadeira por dia. Num estado que vai pavimentar por dois, três anos seguidos, quem tem o equipamento no pátio marca o próprio calendário e responde sim quando a prefeitura liga. O próprio governo apontou nessa direção ao destinar R$ 1,7 bilhão para os municípios comprarem máquina própria.
Máquina de construção nova entra em linhas como o FINAME, do BNDES, com prazo e taxa pensados pra quem produz, e a parcela costuma sair da própria obra que ela está tocando. É um bem que continua rendendo depois que o Estrada Boa acabar, seja em outra frente, seja na revenda. Para pico curto e serviço pontual, alugar resolve. Mas quando a demanda é longa e disputada como essa, apertar a caneta num equipamento próprio costuma virar a favor de quem opera pesado o ano todo.
O Paraná montou o tabuleiro: recurso liberado, operador em formação, contrato assinado. O que vai separar quem pega a safra de asfalto de quem fica olhando é banal: ter a carregadeira certa disponível na hora que o telefone tocar.
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