A indústria da construção puxou o freio em julho. O índice de nível de atividade caiu 1,9 ponto, para 47,2, segundo a Sondagem Indústria da Construção divulgada em 23 de julho pela CNI em parceria com a CBIC. Só que obra mais devagar não aperta todo mundo igual: quem carrega o próprio caminhão na frente de lavra segue escolhendo a quem atende e a que horas.
Abaixo de 50 pontos, o índice indica retração. O indicador de emprego recuou de 48,5 para 47,9, o uso da capacidade instalada ficou parado em 67% e a pesquisa ouviu 321 empresas entre 1º e 10 de julho.
As expectativas para os próximos seis meses cruzaram todas para baixo da linha dos 50, coisa que não acontecia desde abril de 2020. Compra de insumos e matérias-primas ficou em 48,3 pontos e a confiança do empresário do setor caiu para 45,6. Juros altos aparecem como principal entrave, com 36,2%, seguidos de carga tributária, com 33,6%, e da falta ou alto custo de mão de obra.
Metro cúbico por hora é o que fecha o mês
Areal não vive de preço de tabela. Vive de metro cúbico que sai do pátio por hora trabalhada. Com a obra comprando menos, cada caminhão parado na fila leva junto um pedaço do turno.
A carregadeira no areal define quantos caminhões saem carregados antes do almoço. Máquina própria põe esse número na sua mão: a disponibilidade é sua, o horário é seu, o operador é seu.
E é aí que a encomenda de última hora vira faturamento. Quando a usina de concreto liga na sexta à tarde pedindo carga para segunda de manhã, quem tem máquina no pátio atende. Quem não tem, passa a bola para o vizinho.
Material esfria e mão de obra sobe
Pelo lado do custo, o INCC-M subiu 0,62% em julho, ante 0,85% em junho, informou a FGV em 28 de julho. O grupo de materiais e equipamentos desacelerou de 0,80% para 0,40%, e o subgrupo de materiais para estrutura caiu de 0,73% para 0,26%.
Mão de obra foi na contramão: 0,93% em julho, contra 0,91% em junho. Traduzindo para o pátio, o preço do que você vende perde fôlego enquanto o custo de quem opera continua subindo. Essa tesoura é o que come a margem do areal.
O que olhar antes de bater o martelo
Três marcas disputam esse espaço no Brasil, cada uma com o seu ponto forte real. A Volvo CE é referência nas máquinas de grande porte e no consumo de combustível. A SDLG, do mesmo grupo, ficou conhecida por carregadeiras de custo de aquisição acessível. A XCMG tem uma das linhas mais amplas do setor e fábrica no Brasil. A Bruto Brasil joga no custo-benefício nacional em pequeno e médio porte, que é onde a maioria dos areais opera.
No catálogo da Bruto Brasil, a BRT25 carrega 2.500 kg com caçamba de 1,5 m³, peso operacional de 8.500 kg e motor Deutz Weichai de 125 HP. Para pátio de volume maior, a BRT30 sobe para 3.000 kg e caçamba de 1,8 m³. Quem está adquirindo o primeiro equipamento tem a linha LC, de acabamento standard e custo de aquisição menor.
Toda a linha trabalha com engate rápido e terceira função hidráulica, comando por joystick e direção articulada hidrostática. Na prática, é trocar caçamba por garfo sem perder meia hora no meio do expediente.
A próxima sondagem da CNI sai em agosto. Até lá, quem tiver a frente de lavra girando com máquina própria vai depender menos do humor da obra para fechar a conta.
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