O calendário da carne de frango brasileira tem data marcada: 20 e 21 de outubro. É quando o Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff) deve analisar o caso do Brasil e definir se o país volta à lista de habilitados a exportar para a União Europeia.
O pedido de análise partiu do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Antes dele, a Comissão Europeia publicou o relatório final da auditoria realizada no Brasil e avaliou de forma favorável os controles oficiais adotados nas cadeias de carne de aves e mel.
Parecer técnico favorável ainda não libera embarque. A reinclusão do Brasil na lista depende do comitê, e até lá nada muda na doca do frigorífico.
A suspensão das importações de carne do Brasil pela União Europeia entrou em vigor em 3 de setembro de 2026. O bloco, formado por 27 países, apontou que o Brasil não havia garantido conformidade com as regras europeias sobre uso de antimicrobianos.
O que os auditores encontraram na granja brasileira
A missão ocorreu entre 24 de agosto e 4 de setembro, semanas antes da publicação do relatório. Os auditores concluíram que o arcabouço legal e os controles oficiais brasileiros dão as garantias exigidas pela legislação europeia, que proíbe antimicrobiano como promotor de crescimento.
Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o documento é um atestado do serviço oficial. “O relatório é um reconhecimento importante do trabalho sério e consistente do Mapa, das Secretarias Estaduais e de seus profissionais, em conjunto com a cadeia produtiva”, afirmou.
Em 30 de setembro, o comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, sinalizou a ministros brasileiros que a retomada pode vir no curto prazo. A carne bovina corre em trilha separada: comprovar o controle sanitário exige acompanhar o ciclo de vida do animal, rastreabilidade que pode levar até dois anos.
Duas semanas para decidir se já forma estoque
No chão da granja, a dúvida é de calendário. Formar estoque e realojar lote agora significa ração comprada e turno de frigorífico escalado antes de a Europa dizer sim.
Esperar o dia 21 cobra o outro lado: galpão vazio e silo de ração sem giro justo no mês em que o pedido pode voltar. Nenhuma das duas sai de graça, e a escolha é anterior à reunião.
A ração que enche o comedouro desse lote vem do mesmo fluxo de grão que já está em movimento no país, como mostra o volume de grão que embarcou até agosto. Milho e soja de hoje são o custo do frango de dezembro.
Nos dias 20 e 21 de outubro o Scopaff analisa o caso brasileiro. Mesmo com avaliação favorável no comitê, a reinclusão formal do Brasil na lista de países habilitados é um passo à parte, que ainda precisa ser concluído pelo bloco.
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