Em setembro, o Brasil embarcou 29,4% mais ovo e recebeu menos por tonelada. O embarque de ovos somou 2.686 toneladas, contra 2.076 toneladas em setembro de 2025, e a receita do mês subiu só 6%, para US$ 5,866 milhões, segundo a ABPA.
O volume cresceu bem mais que o dinheiro que entrou. Pelos dois números da ABPA, o preço médio por tonelada embarcada caiu 18,1% contra setembro de 2025 — cálculo da redação, e não dado divulgado pela associação.
Chile triplica a compra e leva 1.204 toneladas
O Chile foi o principal destino do mês, com 1.204 toneladas, 201,3% acima das 400 toneladas de setembro de 2025, informou a ABPA. O Japão ficou com 351 toneladas, o Equador com 300 e o México com 244.
Equador e Serra Leoa aparecem na lista da associação sem registro de embarque em setembro de 2025. Por isso não têm percentual de comparação, só o volume do mês.
O Cepea/Esalq-USP, que compila dados da Secex, mediu o mesmo mês por outra base: alta de 15,7% sobre agosto de 2026, o maior volume em sete meses. O boletim saiu em 9 de outubro de 2026.
Na abertura feita pelo Cepea, os ovos processados somaram 1,15 mil toneladas, 59% acima de agosto de 2026, e o in natura ficou em 1,54 mil toneladas, 4% abaixo de agosto. O processado foi o que puxou o mês.
O recuo de 34,1% no ano vem da base dos Estados Unidos
De janeiro a setembro de 2026, o Brasil embarcou 22.669 toneladas de ovos, 34,1% menos que as 34.378 toneladas do mesmo período de 2025, segundo a ABPA. Tirando os Estados Unidos das duas pontas, o acumulado sobe 51,4%, de 14.863 para 22.501 toneladas.
A explicação está no ano passado. Os americanos compraram 19.515 toneladas de ovos brasileiros entre janeiro e setembro de 2025, quando a Influenza Aviária apertou a oferta deles, contra 168 toneladas no mesmo intervalo de 2026.
"O crescimento registrado em setembro e a expansão das vendas para mercados como Chile e Equador demonstram a diversificação dos destinos dos ovos brasileiros", afirmou o presidente da ABPA, Ricardo Santin. "A retração acumulada decorre, essencialmente, da excepcionalidade das compras realizadas pelos Estados Unidos em 2025."
A margem do granjeiro sai do custo dentro do galpão
Com o volume embarcado subindo e o preço médio cedendo, a margem do granjeiro deixa de sair do preço de venda e passa a sair de custo e produtividade dentro da granja. É a mesma leitura da relação de troca entre a caixa de ovos e o milho, que mostra quanto de ração a produção paga.
Mais ovo embarcado significa mais galpão em postura, e galpão em postura consome ração e produz dejeto todo dia. Sem operação montada no chão da granja, esse volume não se captura.
O serviço é diário e repetido: ração e grão entrando no silo, cama de aviário saindo do galpão a cada lote. Depois vem o dejeto, que precisa chegar à compostagem.
Equipamento próprio encurta a janela entre um lote e o outro.
Para o granjeiro, o equipamento próprio também é bem da empresa, com custo por hora diluindo ao longo dos lotes. Depender de terceiro para limpar galpão no dia marcado é o que trava o calendário de alojamento.
Na classe intermediária, a pá-carregadeira BRT20 da Bruto Brasil trabalha com capacidade de carga de 1.800 a 2.000 kg. É porte que atende carga de ração e retirada de cama sem virar máquina grande demais para o corredor da granja.
Na reposição de peça e na assistência, as três marcas chegam por caminhos diferentes. A Bruto Brasil é montadora nacional, atende direto de fábrica e tira a peça do próprio estoque.
A SDLG tem rede de concessionárias instalada no Brasil há mais de uma década, o que ajuda quando a peça é de uso comum na linha amarela. A XCMG mantém operação industrial no país e atende pelos próprios pontos autorizados.
Na granja, a escolha se decide pelo prazo da peça que falta. Esse prazo define quanto tempo o galpão fica esperando a limpeza entre um lote e o outro.
O Chile, principal destino apontado pela ABPA, levou 1.204 das 2.686 toneladas embarcadas em setembro. Os embarques de outubro vão mostrar se o ritmo do mês se mantém ou se setembro ficou isolado.
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