A Prefeitura de Juiz de Fora (MG) estima gastar até R$ 28,9 milhões em dois anos para derrubar os imóveis condenados pelas chuvas de fevereiro de 2026. O teto está nos documentos do credenciamento de empresas que o município mantém aberto, segundo apuração do Folha JF publicada em 7 de outubro de 2026.
Teto não é gasto. O Folha JF deixa claro que nem todo esse valor será necessariamente gasto, e diz que não achou nos documentos quantos imóveis poderão cair ao longo dos dois anos.
Assinado, o que existe é bem menos. O mesmo levantamento localizou três contratos ligados às demolições: R$ 288 mil com a Montreal Construções, R$ 985 mil com a D&A Loc e R$ 1,698 milhão com a Martins Construção Civil e Ambiental.
Somados, os três dão R$ 2,97 milhões — 10,3% do teto. Sobram R$ 25,9 milhões de espaço até o limite, e é esse espaço que explica por que o chamamento continua de porta aberta.
Dividido pelos dois anos, o teto dá média simples de R$ 14,45 milhões por ano. A conta é nossa, não número da Prefeitura, e até agora o município comprometeu em contrato pouco mais de um décimo do limite.
Como funciona o credenciamento de empresas de demolição
Credenciamento não é pregão com vencedor. É chamamento permanente: a empresa que cumpre as exigências se habilita e entra na lista de quem pode ser acionado, sem sessão de disputa e sem homologação.
Entre a habilitação e o primeiro caminhão de entulho saindo da rua ainda existe a ordem de serviço, que é o contrato de fato. É por isso que o teto de um credenciamento costuma ficar bem acima do que aparece nos contratos, padrão que se repete em outras matérias sobre demolição e movimentação de entulho.
61 imóveis caíram até 2 de outubro, e a fila não fechou
Até 2 de outubro de 2026, 61 imóveis já tinham sido demolidos, número divulgado pela própria Prefeitura. É contagem acumulada desde as chuvas de fevereiro, não total do mês nem da semana.
A origem está em 23 de fevereiro de 2026, quando um grande deslizamento atingiu a área nos fundos das residências, segundo a Defesa Civil de Juiz de Fora. Mais de sete meses depois, o desmonte das casas condenadas ainda estava em curso.
No Dom Bosco, Zona Sul, 16 imóveis foram demolidos na Rua Kátia Falconi no início da semana de 5 a 11 de outubro. Os dois números não se somam porque são de datas diferentes: os 61 são o acumulado até 2 de outubro, e estes 16 vieram depois — o Folha JF os trata como adicionais ao total.
Nenhuma das duas fontes publica o volume de entulho gerado nessas frentes, nem em toneladas nem em número de caçambas. O que está divulgado é a contagem de imóveis, e só.
A Tribuna de Minas acompanhou outras duas frentes. No Eldorado, a derrubada dos imóveis da Rua Arcanjo de Campos Miranda começou em 7 de outubro; no Vitorino Braga, o serviço na Rua Baependi começou em 7 e seguiu em 8 de outubro.
Não há número oficial de imóveis demolidos depois de 8 de outubro, e o Folha JF registra que o total deve aumentar em relação aos 61. O credenciamento segue aberto enquanto a lista de condenados não terminar, e R$ 25,9 milhões do teto continuam sem contrato assinado.
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