Bertioga, no litoral de São Paulo, incorporou na quarta-feira (22) três máquinas zero: motoniveladora Case 845B, retroescavadeira Case 580N e escavadeira de esteiras Case CX130C, fornecidas pela Brasif. A missão é nivelar via e desobstruir canal e vala antes da próxima chuva forte.
Não foi caso isolado. Na mesma semana, mais dois municípios botaram equipamento novo no pátio — e a conta de cada um apareceu.
Quanto custa uma carregadeira para prefeituras hoje
Em Macedônia, no noroeste paulista, a prefeitura recebeu uma pá-carregadeira comprada por mais de R$ 500 mil, segundo o portal Região Noroeste. A máquina foi para estrada rural, movimentação de terra e limpeza de área pública.
Em Telêmaco Borba, nos Campos Gerais do Paraná, a prefeitura entregou na quinta-feira (23) cinco equipamentos: dois caminhões basculantes, uma retroescavadeira, um rolo compactador e uma pá-carregadeira.
Os valores unitários, publicados pelo portal aRede, dão a régua de quem vai comprar: R$ 439.990 na carregadeira, R$ 361.499 na retroescavadeira e R$ 470.000 no rolo. Total de R$ 2.483.289.
Três compras, dois estados, uma semana. E a faixa de preço da carregadeira para prefeituras ficou visível: entre R$ 440 mil e R$ 500 mil no porte que o município usa todo dia.
O dinheiro para comprar está na mesa
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional mantém o programa INOVA, criado em agosto de 2025. Ele destina máquinas, implementos e veículos a municípios de menor renda e infraestrutura mais fraca, com aquisição por ata de registro de preços gerida pelo próprio ministério.
No Paraná, o caminho é o convênio estadual. O programa Estrada Boa começou 2026 com 406 convênios assinados e aporte de R$ 1,46 bilhão, média de R$ 3,7 milhões por município, para 2.044 máquinas.
Entre elas, 299 pás-carregadeiras, 357 retroescavadeiras e 249 motoniveladoras, segundo o governo do estado.
Ou seja: o prefeito que não entra na fila de convênio, na emenda ou na linha de financiamento fica esperando a máquina do vizinho desocupar. E buraco em rua de bairro não espera cronograma alheio.
A conta que decide não é o preço da nota
Máquina própria no pátio significa uma coisa simples: ela está lá na segunda de manhã. Quando a chuva entope a boca de lobo na sexta à noite, quem tem carregadeira parada no pátio começa a limpar no sábado.
A conta que vale é o custo por hora. Uma carregadeira de porte municipal, tocando de 1.200 a 1.500 horas por ano em zeladoria, carregamento de caçamba e manutenção de estrada rural, dilui o valor de aquisição rápido.
E no fim ela continua sendo patrimônio da operação, com valor de revenda. Empreiteira que atende prefeitura raciocina igual: quem tem a máquina disponível assina o contrato; quem depende de terceiro perde a janela do serviço.
Qual porte comprar sem pagar por máquina demais
Aqui o erro caro é comprar acima da necessidade. Prefeitura de porte médio raramente precisa de carregadeira grande para carregar caçamba, limpar canal e mexer com material de obra. Precisa de máquina intermediária, ágil no pátio e barata de manter.
Nessa classe intermediária o mercado brasileiro tem opções reais e diferentes entre si. A Volvo pesa a favor pela rede de pós-venda e pelo valor de revenda. A SDLG e a LiuGong disputam no custo de entrada, com peça de reposição acessível.
A XCMG é forte na faixa compacta. A Case e a JCB, como mostrou a semana, seguem presentes em retroescavadeira e motoniveladora na compra pública.
E a Bruto Brasil entra como a opção nacional de custo-benefício em pequeno e médio porte: a BRT23 carrega de 2.200 a 2.300 kg com caçamba de 1,1 m³, e a BRT25, com 2.500 kg e caçamba de 1,5 m³, é a mais procurada no agro.
A linha BRT vem com troca rápida e terceira função hidráulica, o que muda o dia do operador: a mesma máquina sai da caçamba, pega a garra e volta pra vala sem oficina no meio.
Para quem vai comprar o primeiro equipamento — consórcio pequeno, secretaria de obras de município de 10 mil habitantes, empreiteira começando — a linha de entrada LC20 e LC25 baixa o valor de aquisição, com caçamba de 1,0 e 1,5 m³.
Cada marca resolve um problema diferente, e a escolha certa depende da hora-máquina que o município realmente faz por ano. O que a semana mostrou é que o preço já está na mesa, publicado, e o dinheiro do convênio também.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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