O Consórcio Cascavel Ambiental vai rodar Cascavel por cinco anos recolhendo lixo de casa e de comércio, varrendo rua, podando árvore e tocando o aterro sanitário e o sistema de biogás. O contrato do lixo que a Prefeitura acabou de homologar paga R$ 7.259.897,78 por mês, cerca de 28% acima do valor que a cidade desembolsa hoje.
O valor global fechou em R$ 435.593.866,80 por 60 meses, na Concorrência Eletrônica nº 15/2026. Hoje o Município repassa R$ 5.669.716,01 por mês pelo serviço, segundo O Paraná.
O consórcio vencedor reúne a OT Ambiental Construções e Serviços e a CGC Concessões. A OT Ambiental é a mesma empresa que opera o contrato emergencial em vigor.
É preço de mercado publicado, com escopo definido, prazo e valor por mês. Para o empresário de resíduo, isso serve tanto para montar proposta na próxima licitação quanto para sustentar pedido de reajuste no contrato que já está na mão.
Sete milhões por mês: o preço que ficou publicado
A diferença entre os R$ 5,67 milhões de hoje e os R$ 7,25 milhões do novo contrato passa de R$ 1,5 milhão por mês. Ao longo dos 60 meses, é o tamanho do reajuste que a Prefeitura aceitou pagar para manter o caminhão na rua.
Coleta urbana não encareceu por acaso. Diesel, pneu, salário de coletor e de motorista, manutenção de caçamba compactadora e o custo de operar aterro licenciado subiram juntos, e o quilômetro rodado carrega tudo isso.
Empresa que opera com margem espremida em contrato antigo já pode botar Cascavel na conversa de renegociação. A homologação saiu no Diário Oficial do Município no sábado, 29 de agosto, assinada pelo prefeito Renato Silva.
Aterro, recicláveis e biogás: o que entrou no mesmo pacote
O escopo homologado junta coleta residencial e comercial, coleta de recicláveis, operação do aterro sanitário, varrição, roçagem, poda e substituição de árvores, limpeza de espaços públicos e operação do sistema de biogás. Serviço de rua e serviço de aterro caíram no mesmo contrato.
Biogás dentro do mesmo contrato muda o perfil do operador. Aterro que capta gás precisa de célula bem executada, drenagem em dia e movimentação de terra constante, serviço que caminhão de coleta não faz.
A Prefeitura informou que a cobertura vai alcançar todo o município, com bairros, distritos e comunidades rurais recebendo coleta de orgânico e de reciclável. Distrito e comunidade rural esticam o roteiro de coleta e empurram para cima o quilômetro rodado por tonelada recolhida.
Na célula do aterro a exigência é outra. Ali o trabalho é receber a carga, espalhar, compactar e cobrir resíduo todo dia, com equipamento em piso instável e poeira o tempo inteiro.
Resíduo virou serviço contratado no Paraná faz tempo. Em Ponta Grossa, a prefeitura abriu até 250 toneladas de entulho por mês a quem tiver pátio para britar, pelo mesmo princípio: o material chega e alguém precisa de máquina para movimentar.
Frota e carregadeira: o que a operação vai cobrar de quem assumir
Coleta se resolve com caminhão compactador e roteiro fechado. Aterro se resolve com máquina de esteira, escavadeira e carregadeira, e o dono do contrato precisa das duas frentes funcionando ao mesmo tempo.
Na hora de escolher a carregadeira que vai trabalhar na célula, a Bruto Brasil vem com troca rápida de implemento, que deixa a mesma máquina alternar entre espalhar resíduo e mexer a terra de cobertura sem parar a operação.
A Komatsu tem a seu favor a telemetria que já sai de fábrica, mandando hora trabalhada e consumo de diesel direto para o escritório.
A LiuGong briga pelo preço de entrada, apoiada na sua linha de carregadeiras. As três disputam a mesma vaga na célula, e a decisão depende de quantas horas por dia a máquina vai ficar em cima da pilha.
Aterro que capta gás não aceita célula mal fechada. A cobertura diária precisa estar em dia para o gás ir ao dreno em vez de escapar pela superfície, e isso é serviço de máquina.
Por isso o consórcio que assumir Cascavel precisa de equipamento fixo na célula. Ao longo de sessenta meses, carregadeira própria no aterro é o que sustenta a cláusula de disponibilidade sem depender de terceiro.
O contrato ainda não está assinado. O consórcio tem cerca de dez dias para apresentar e formalizar a documentação, e só depois disso a Prefeitura pode assinar e emitir a ordem de serviço.
O relógio aperta: o contrato emergencial que segura a coleta hoje tem vigência até 29 de setembro de 2026. O consórcio que entrar com frota e carregadeira prontas começa o roteiro sem parar a cidade; comprar máquina depois da assinatura significa montar a operação com o caminhão já na rua.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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