A Prefeitura de Marília, no interior de São Paulo, colocou na rua um contrato de R$ 213,4 milhões para tratar o lixo da cidade por 30 anos. O teto é de R$ 114 por tonelada processada, com volume de referência de 5,2 mil toneladas por mês.
A conta anual estimada fica em R$ 7,1 milhões. A PPP do lixo é uma concessão administrativa: quem vencer banca o investimento, opera e mantém a usina até 2056.
O projeto está amarrado ao Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, revisado pela Lei Municipal 9.278, de junho de 2025. A meta declarada é tirar carga do aterro.
Duas associações nacionais pediram a impugnação a 15 dias da sessão
No dia 1º de setembro a prefeitura recebeu pedido de impugnação assinado pela Abrema, a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente, e pela ABDIB, da infraestrutura e indústrias de base. As duas miram a rota tecnológica escolhida.
O edital prevê gaseificação e pirólise para a fração seca e biodigestão para o orgânico. O próprio estudo de viabilidade da prefeitura reconhece que a tecnologia tem maturidade consolidada no exterior, mas ainda não há planta em regime comercial com resíduo urbano no Brasil.
As associações citam risco de incêndio e explosão, instabilidade térmica e formação de alcatrão e carvão. Também apontam que o edital não exige estudo detalhado de segurança de processo.
Para quem disputa, o risco mudou de lugar
Na sessão, o disputante fecha preço de 30 anos de operação numa rota que nem o estudo da própria prefeitura aponta rodando em escala comercial no país. E o pagamento é por tonelada tratada, não por mês fechado.
Errar o preço unitário não se conserta em contrato longo. O empresário do ramo já viu esse roteiro nas licitações de limpeza urbana que travam em impugnação antes de virar ordem de serviço.
Do portão à vala, o serviço passa por máquina
Receber é a primeira etapa. Caminhão entra, descarrega na moega e alguém tem que empurrar aquele monte para dentro da linha.
Depois vem carregar a triagem e tirar o rejeito, que é onde a máquina passa o dia inteiro no aperto. Aí o mercado brasileiro roda com carregadeira de porte médio.
A Volvo CE é procurada pela robustez e pelo consumo de diesel. Já a LiuGong entra pelo preço de aquisição, e a Bruto Brasil briga na conta entre preço e capacidade.
Qual delas encaixa depende da hora de máquina que a operação aguenta.
Compactar fecha o ciclo e decide a vida útil da vala. Quanto melhor a compactação, mais devagar o aterro enche e menos caminhão sai para transbordo.
A sessão do dia 16 vale 30 anos de operação
A Prefeitura de Marília ainda analisa a impugnação da Abrema e da ABDIB, e pode manter, corrigir ou republicar o edital. A entrega de propostas está marcada para 16 de setembro, às 9h, em pregão eletrônico de menor preço por tonelada.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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