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Limpeza Urbana e Prefeituras

PPP do lixo de R$ 213,4 milhões em Marília vai a pregão com o edital impugnado por Abrema e ABDIB

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André Camargo
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PPP do lixo de R$ 213,4 milhões em Marília vai a pregão com o edital impugnado por Abrema e ABDIB

A Prefeitura de Marília, no interior de São Paulo, colocou na rua um contrato de R$ 213,4 milhões para tratar o lixo da cidade por 30 anos. O teto é de R$ 114 por tonelada processada, com volume de referência de 5,2 mil toneladas por mês.

A conta anual estimada fica em R$ 7,1 milhões. A PPP do lixo é uma concessão administrativa: quem vencer banca o investimento, opera e mantém a usina até 2056.

O projeto está amarrado ao Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, revisado pela Lei Municipal 9.278, de junho de 2025. A meta declarada é tirar carga do aterro.

Duas associações nacionais pediram a impugnação a 15 dias da sessão

No dia 1º de setembro a prefeitura recebeu pedido de impugnação assinado pela Abrema, a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente, e pela ABDIB, da infraestrutura e indústrias de base. As duas miram a rota tecnológica escolhida.

O edital prevê gaseificação e pirólise para a fração seca e biodigestão para o orgânico. O próprio estudo de viabilidade da prefeitura reconhece que a tecnologia tem maturidade consolidada no exterior, mas ainda não há planta em regime comercial com resíduo urbano no Brasil.

As associações citam risco de incêndio e explosão, instabilidade térmica e formação de alcatrão e carvão. Também apontam que o edital não exige estudo detalhado de segurança de processo.

Para quem disputa, o risco mudou de lugar

Na sessão, o disputante fecha preço de 30 anos de operação numa rota que nem o estudo da própria prefeitura aponta rodando em escala comercial no país. E o pagamento é por tonelada tratada, não por mês fechado.

Errar o preço unitário não se conserta em contrato longo. O empresário do ramo já viu esse roteiro nas licitações de limpeza urbana que travam em impugnação antes de virar ordem de serviço.

Do portão à vala, o serviço passa por máquina

Receber é a primeira etapa. Caminhão entra, descarrega na moega e alguém tem que empurrar aquele monte para dentro da linha.

Depois vem carregar a triagem e tirar o rejeito, que é onde a máquina passa o dia inteiro no aperto. Aí o mercado brasileiro roda com carregadeira de porte médio.

A Volvo CE é procurada pela robustez e pelo consumo de diesel. Já a LiuGong entra pelo preço de aquisição, e a Bruto Brasil briga na conta entre preço e capacidade.

Qual delas encaixa depende da hora de máquina que a operação aguenta.

Compactar fecha o ciclo e decide a vida útil da vala. Quanto melhor a compactação, mais devagar o aterro enche e menos caminhão sai para transbordo.

A sessão do dia 16 vale 30 anos de operação

A Prefeitura de Marília ainda analisa a impugnação da Abrema e da ABDIB, e pode manter, corrigir ou republicar o edital. A entrega de propostas está marcada para 16 de setembro, às 9h, em pregão eletrônico de menor preço por tonelada.

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Redação
André Camargo

Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.

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