Em João Pessoa, o lixo passou a esperar na calçada. Desde março, saco acumulado virou paisagem em bairros inteiros da capital paraibana, e a crise na coleta de lixo terminou do jeito que o setor mais teme: com o contrato trocando de mãos e a prefeitura pagando bem mais caro pela pressa.
Na quinta-feira (31), veículos locais noticiaram que a Prefeitura fechou contrato emergencial com a FBF Engenharia, Construções e Serviços por R$ 260 a tonelada coletada. É cerca de 54% acima dos R$ 168,51 que a cidade pagava à Inovar Ambiental, segundo levantamento do Blog do BG.
A nova operação deve começar neste sábado (1º), de acordo com o portal PB Agora. E a lição que o caso deixa não é sobre João Pessoa. É sobre frota.
Dez caminhões prometidos: assim se perde um contrato de coleta
A crise não nasceu ontem. Segundo a imprensa paraibana, a Inovar Ambiental tinha se comprometido a substituir os veículos com defeito e colocar dez caminhões novos em circulação, mas não cumpriu o prazo combinado com a prefeitura.
Em junho, cinco veículos apresentaram falha mecânica quase ao mesmo tempo, e o recolhimento atrasou principalmente na região das praias, conforme noticiou o site A Fonte e Notícia. A gestão municipal notificou a empresa mais de uma vez antes de partir para a contratação emergencial.
Repare no detalhe que mais importa: o contrato da Inovar valia até dezembro de 2026. A empresa não perdeu o serviço por preço nem por proposta. Perdeu porque o equipamento prometido não chegou ao pátio.
É a regra do setor. Na limpeza urbana, cronograma é cláusula: caminhão parado vira notificação, notificação vira rescisão, e o concorrente assume no fim de semana seguinte.
O que diz o contrato emergencial
Valor novo: R$ 260 por tonelada coletada, pago à FBF Engenharia, Construções e Serviços;
Valor anterior: R$ 168,51 por tonelada, no contrato com a Inovar Ambiental;
Diferença: cerca de 54% a mais por tonelada, segundo o Blog do BG;
Início previsto da nova operação: sábado, 1º de agosto, de acordo com o PB Agora.
Do lado do contratante, a conta também dói. A prefeitura que precisa resolver a coleta de lixo na urgência paga o preço da urgência: mais da metade acima do valor antigo, sem folga para negociar.
Para quem presta serviço a prefeituras, o recado é direto. Quem depende de equipamento alugado ou de caminhão que “está chegando” assina cronograma com o pátio dos outros. Quando o terceiro falha, a notificação e a manchete saem no nome de quem assinou.
E o problema começa antes do contrato. Em licitação de limpeza urbana, o edital costuma exigir comprovação de frota, idade máxima dos veículos e plano de manutenção. Quem já tem a máquina anexa documento; quem não tem, anexa promessa.
Frota própria no pátio é o que segura o contrato
O caminhão compactador leva a fama, mas a operação não termina nele. Ecoponto, área de transbordo, entulho de obra, galhada de poda: tudo isso passa pela pá-carregadeira, que empurra a pilha e sobe o material na caçamba do basculante. Sem ela, o resto da frota trabalha pela metade.
Aí a decisão de compra pesa. Na classe intermediária, a Bruto Brasil coloca a BRT23 como aposta de custo-benefício nacional: caçamba de 1,1 m³, carga de até 2.300 kg e troca rápida de implemento com terceira função hidráulica, o que permite mudar de tarefa sem parar a operação.
Ela não corre sozinha nessa faixa. A Komatsu carrega tradição de robustez e uma rede de assistência consolidada no Brasil, argumento de peso para quem roda a máquina em dois turnos. A JCB construiu o nome em equipamento versátil para serviço urbano e canteiro, com rede de distribuição espalhada pelo país.
A comparação honesta termina sem vencedor de bancada: máquina nacional com preço de aquisição e peça mais acessíveis, ou marca global com rede e histórico longos. A conta é de cada operação.
O que não muda de marca para marca é a lógica da posse. Carregadeira própria dilui o custo por hora a cada mês trabalhado e fica como bem da empresa quando o contrato acaba. Equipamento de terceiro cobra todo mês e não deixa nada no pátio. E linha de crédito como o Finame existe justamente para transformar essa compra em parcela que o próprio contrato ajuda a pagar.
O mesmo vale para a prefeitura que faz a limpeza com equipe própria: carregadeira no pátio da secretaria é cronograma que não depende de socorro emergencial a R$ 260 a tonelada.
A imagem que resume tudo é a da segunda-feira de manhã. De um lado, o fiscal do contrato encontra a carregadeira abastecida e a equipe subindo entulho na caçamba desde as seis. Do outro, encontra um gestor ao telefone, perguntando ao fornecedor quando o equipamento chega.
João Pessoa mostrou qual dos dois perde o serviço, e por quanto ele volta ao mercado: 54% mais caro. A decisão que o empresário da coleta toma agora, antes da próxima licitação, é simples de falar e cara de adiar: botar a máquina no próprio pátio enquanto cronograma ainda é promessa cumprida.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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