Porto do Itaqui bate recorde e mostra onde o granel realmente trava
Em maio de 2026, o Porto do Itaqui, no Maranhão, movimentou 2,76 milhões de toneladas de granéis sólidos, o maior volume mensal da história do complexo. Só de soja foram 2,18 milhões de toneladas, novo recorde da commodity, acima da marca anterior de 2,15 milhões. No acumulado do ano, o porto já soma 13,37 milhões de toneladas. Esse é o retrato do Porto do Itaqui recorde de soja atrás de recorde: volume que só entra no navio empurrado por máquina. Manchete bonita, mas quem opera terminal, arrenda pátio ou tira frete de granel sabe que o recado não está na estatística. Está no chão do cais.
Os números do recorde
- 2,76 milhões de toneladas de granéis sólidos em maio de 2026, recorde mensal da história do porto.
- 2,18 milhões de toneladas só de soja, acima do recorde anterior de 2,15 milhões.
- 13,37 milhões de toneladas no acumulado do ano.
- Grãos saltaram de 11,55 milhões (2021) para 20,14 milhões de toneladas em 2025, alta de cerca de 74%.
No cais, quem segura o navio é a carregadeira
Quem vive de porto conhece a palavra que tira o sono: demurrage. O navio atracou, o cronômetro ligou, e cada hora parada esperando a pilha se formar é dinheiro saindo do bolso do operador, não do dono da carga. Um Panamax parado custa dezenas de milhares de dólares por dia. O que solta ou prende esse navio, na ponta, é a velocidade com que a pilha se forma e a correia recebe grão sem falha.
E nesse pátio o músculo é a pá-carregadeira. É ela que puxa o granel do monte, alimenta a moega, corrige a pilha, limpa o cais e mantém o fluxo enquanto o carregador de navio trabalha. Falta carregadeira, ou a que tem está no conserto, e a fila deixa de ser de caminhão. Vira fila de navio. E navio na fila é a conta mais visível que um terminal pode ter.
O granel subiu 74% em quatro anos e o pátio corre atrás
O Itaqui não bateu esse recorde por sorte. O volume de grãos no porto saltou de 11,55 milhões de toneladas em 2021 para 20,14 milhões em 2025, um avanço de cerca de 74% em quatro anos. Oquerlina Costa, presidente da EMAP, ligou o resultado aos investimentos para ampliar a competitividade do complexo. Gervásio Reis, gerente de logística, foi direto ao ponto que interessa a quem está no cais: os recordes mostram capacidade de acompanhar a expansão agrícola, e a integração entre operadores portuários, terminais e modais tem sido decisiva.
Em maio, o granel sólido respondeu por 71% de tudo que passou pelo Itaqui; o líquido, 24%; a carga geral, 4,3%. Ou seja: o negócio do porto é, cada vez mais, movimentar montanha de grão e de fertilizante. E aí aparece o que separa o terminal que cumpre a janela do que paga multa: dimensionar a frota para o pico da safra, não para a média do ano. Quem entra no período de maior movimento com máquina disponível às cinco da manhã opera no ritmo do navio. Quem depende do que sobrar vê o concorrente carregar primeiro.
Que carregadeira aguenta o pico da safra sem parar
Para esse serviço bruto de puxar o monte, formar pilha, alimentar moega e movimentar calcário, adubo e bags, o que decide não é o nome na lataria. É disponibilidade, custo por hora e velocidade de ciclo. Por isso o operador que pensa em anos, e não em navio, trata a frota como bem da empresa, não como despesa avulsa.
No mercado de carregadeiras, cada marca tem seu ponto forte de verdade. A Volvo CE é referência em robustez e economia de combustível no trabalho pesado. A Komatsu tem tradição de durabilidade e transmissão bem resolvida para ciclo curto e repetitivo. A SDLG entra pelo preço de acesso e pela assistência espalhada pelo interior. E a Bruto Brasil aposta no custo-benefício nacional em máquina compacta e média: uma BRT-20E, por exemplo, joga na mesma faixa de uma SDLG L956 ou de uma Volvo L60. Qual delas vale mais depende da conta de cada operação: volume, distância da peça de reposição, valor de revenda e quanto tempo a máquina leva pra se pagar.
O critério que importa a quem opera granel é sempre o mesmo, seja qual for a marca: caçamba compatível com o material, altura de descarga que alcance a moega, transmissão que aguente ciclo curto o dia inteiro e cabine em que o operador renda doze horas empurrando grão sem se esgotar. Máquina certa é a que está no pátio no pico da soja e roda o turno inteiro sem parada fora de hora.
O recorde de hoje é a base da próxima safra
O Itaqui projeta expansão e o Matopiba não vai colher menos ano que vem. Isso quer dizer mais navio, mais pilha, mais pressão sobre cada minuto de cais. O terminal que entrar na próxima safra com frota dimensionada para o volume vai operar no ritmo do navio; o que entrar torcendo para dar conta vai ver a demurrage escolher, como sempre escolhe, o pátio mais lento. Os 2,76 milhões de toneladas de maio não foram um pico isolado. Foram o tamanho para onde o granel do Arco Norte está indo.
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