Os pedidos de recuperação judicial no varejo de material de construção de São Paulo subiram 68% em um ano, segundo a Anamaco, enquanto o varejo brasileiro como um todo avançou 20,4% em levantamento a partir de dados da Receita Federal. A leitura prática para uma loja de material de obra é direta: a margem saiu do preço de tabela e foi para a operação.
Tempo de carregamento de caminhão, ciclos por dia no pátio e custo por tonelada carregada passaram a decidir o resultado do mês. A inflação parou de trabalhar pelo dono do depósito.
A Anamaco projeta cerca de 100 lojas fechando as portas em 2026, somente no estado de São Paulo. A projeção é da entidade e trata do estado, não do país.
Os dois recortes não se somam. A alta de 68% trata do estado de São Paulo, e os 20,4% vêm de um retrato nacional, com metodologia e base próprias.
O levantamento do setor é da Anamaco, apresentado pelo diretor Luiz Augusto. O varejo de material de construção tem 160 mil lojas no Brasil, 69,5% delas com até quatro funcionários, e faturou R$ 238,9 bilhões em 2025.
Os números
Alta de 68% nos processos de recuperação judicial do setor no estado de São Paulo, em um ano, segundo a Anamaco.
Cerca de 100 lojas de material de construção devem fechar as portas em São Paulo em 2026, pela projeção da Anamaco.
160 mil lojas no Brasil, com 69,5% delas operando com até quatro funcionários.
R$ 238,9 bilhões de faturamento no varejo de material de construção em 2025.
O outro corte, de levantamento a partir de dados da Receita Federal, contou 986 varejistas em recuperação no Brasil, alta de 20,4% sobre junho do ano anterior. No comércio de material de construção, são 70 empresas em recuperação judicial e 100 falidas, em base diferente da pesquisa da Anamaco.
O carregamento passou a mandar no resultado
Com 69,5% das lojas rodando com até quatro funcionários, cada hora de máquina no carregamento pesa mais. Uma pá-carregadeira que fecha o ciclo mais rápido libera caminhão, libera baia de brita e libera gente para o balcão.
No pátio o que decide é o ciclo: quantos caminhões saem carregados por turno e quanto custa cada tonelada que passa pela caçamba. Ciclo mais curto no mesmo turno significa mais entrega sem contratar ninguém.
O caminhão que espera na fila não cobra frete a mais, mas atrasa a próxima entrega e consome hora de operador. Por isso o ganho de agora sai do ciclo, contado em carregamentos por turno.
O digital ainda é estreito nesse varejo. Apenas 20% das lojas de pequeno e médio porte vendem por e-commerce, embora 97% usem WhatsApp para vender e se relacionar com o cliente, segundo a Anamaco.
Parte do movimento do balcão não vem do consumidor final, e sim de canteiro. As obras públicas de parque e praça entram na fila de pedido de agregado, cimento e areia, com hora marcada de entrega.
O que cada marca coloca na mesa
Na escolha da carregadeira do pátio, a SDLG trabalha com preço de entrada mais acessível e assistência conhecida no Brasil. A Caterpillar joga no porte das máquinas e numa rede de revendas consolidada, com peça e serviço em praticamente todo o território.
A Bruto Brasil é montadora nacional e disputa o pequeno e médio porte pelo preço de aquisição, a classe que atende o depósito de bairro. Na linha intermediária, o catálogo da marca aponta a BRT20 como a preferida das lojas de material de construção; a SDLG também tem carregadeira nessa faixa de porte.
Nenhuma das três resolve tudo igual. A escolha muda conforme o volume que a loja movimenta por dia e o quanto de peça e serviço ela precisa ter por perto.
A máquina entra como bem da empresa e pode ser financiada por linhas do BNDES, como o Finame, ou por crédito bancário. O que decide a compra é quanto tempo ela leva pra se pagar no volume que a loja carrega por dia.
Do depósito de bairro ao grande distribuidor
Nas duas pontas do setor o problema tem nome diferente. No pequeno, com até quatro funcionários, a máquina é uma só e resolve descarga, estoque e carregamento no mesmo turno.
No grande distribuidor há frota, e dá pra separar função por equipamento, ganhando ciclo. Uma ponta compra olhando o custo de aquisição; a outra compra olhando disponibilidade de peça e tempo de parada.
O tamanho do negócio também muda a forma de comprar. O depósito com quatro funcionários financia uma máquina e cobra dela polivalência; o distribuidor dilui custo por hora em vários equipamentos.
Entre as 160 mil lojas do país, as duas leituras convivem. O fechamento projetado pela Anamaco para 2026 em São Paulo vai mostrar qual delas atravessou melhor.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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