R$ 2,2 bilhões. Foi isso que 952 projetos de reciclagem de 26 estados pediram no primeiro ciclo da Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR), em 2025. E essa fila é a régua do ciclo 2026, que encerrou o prazo de envio de propostas na quinta-feira (30), pela plataforma Transferegov.
A janela ficou aberta de 19 de janeiro a 30 de julho, dentro do programa 2026-00001 do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Quem protocolou agora espera a análise. Quem deixou passar só entra na próxima rodada.
O modelo lembra o das leis de incentivo à cultura, só que voltado pro resíduo. A pessoa física pode destinar até 6% do imposto de renda devido a um projeto aprovado. A empresa no lucro real, até 1%.
Na prática, o imposto que iria pro caixa do governo vira esteira de triagem, prensa, balança, caminhão e galpão. A lei autoriza financiar infraestrutura, equipamentos, veículos, capacitação e até compostagem. O valor mínimo por proposta é de R$ 50 mil.
O alvo são cooperativas e empresas da cadeia do resíduo, com prioridade para geração de renda e trabalho digno na ponta da catação, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Ou seja: a usina de triagem estruturada é exatamente o perfil que a lei quer financiar.
Quem enviou entra na fila da aprovação e depois precisa achar o doador
Proposta protocolada não é dinheiro na conta. O projeto passa primeiro pela análise do Ministério do Meio Ambiente. Só depois de aprovado é que fica autorizado a captar.
Aí começa a segunda etapa, a que pega muita cooperativa desprevenida: sair a campo atrás de quem destine o imposto. O projeto aprovado precisa convencer empresas e pessoas físicas a apontar parte do IR pra ele. Sem apoiador, a aprovação não paga nem um rolo de arame do galpão.
As regras do programa já preveem esse trabalho. A proposta pode reservar até 15% do valor para custos de administração e até 8% para o serviço de captação, com teto de R$ 120 mil, segundo o portal Sucatas.com. Até a elaboração do projeto tem custo reconhecido: 1% do valor, limitado a R$ 6 mil.
Fechado o apoio, vem execução, acompanhamento, monitoramento e prestação de contas. Galpão erguido com dinheiro incentivado presta conta com nota fiscal, relatório e comprovação de uso. Quem toca operação séria já conhece o rito.
Ficou de fora? A conta de 2025 mostra o tamanho da disputa
Os R$ 2,2 bilhões pedidos no primeiro ciclo dizem duas coisas. Primeiro: o setor tem projeto engavetado esperando dinheiro. Segundo: a concorrência por apoiador vai ser pesada, porque proposta demais disputando o mesmo bolso derruba a chance de cada uma.
Pro dono de operação de triagem que não enviou nada, o recado é direto. O dinheiro novo do setor está migrando da doação avulsa para o incentivo fiscal. E esse dinheiro só chega em quem tem projeto formalizado no papel.
Isso significa CNPJ em dia, cadastro no Transferegov e uma proposta que descreva o investimento com orçamento fechado: o galpão, a esteira, a prensa, a balança, o caminhão da coleta. Nada disso se monta em uma semana. Quem começou a correr atrás de papel em julho, em cima do prazo, ficou pra trás.
É bom lembrar: não é dinheiro de edital que cai sozinho. É imposto que o doador escolhe onde aplicar. E ele aplica no projeto que passa confiança, com contabilidade em dia, meta clara e nome de quem responde pelo quê.
O calendário de 2026, aliás, já veio ajustado por causa do ano eleitoral, segundo o portal Recicla Sampa. A janela não é fixa. Esperar o edital abrir pra começar a se mexer é o erro clássico de quem fica de fora duas vezes.
O próximo passo do ciclo atual é a divulgação das propostas aprovadas pelo Ministério do Meio Ambiente, que libera a captação. Se o calendário de 2026 servir de guia, a rodada 2027 deve abrir já em janeiro. Quem quiser entrar nela tem o segundo semestre inteiro pra montar o projeto, com orçamento e papelada prontos antes de o prazo apertar.
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