O Governo de Mato Grosso do Sul abriu no dia 22 de julho uma licitação de R$ 44.204.862,91 para manter e conservar a malha rodoviária não pavimentada da região sudeste do estado. É dinheiro que vira patrol, caçamba e serviço de terra em estradas vicinais, o mesmo tipo de via por onde a soja, o boi e o leite saem da porteira.
A abertura das propostas está marcada para 10 de agosto, às 8h30. Segundo o Correio do Estado, o critério de julgamento é o menor preço e o regime é empreitada por preço unitário. Quem ganhar recebe pelo que executar, medido em campo.
MS tem mais estrada de terra do que de asfalto
O tamanho do problema explica o tamanho do cheque. A malha rodoviária estadual soma 15.208,60 km, dos quais 7.969,70 km — 52,40% do total — não têm pavimento, conforme levantamento publicado pelo Campo Grande News com base em dados da Agesul. Pavimentado mesmo são 5.662,10 km, 37,23%.
A meta do governo estadual é fechar 2026 com 5.988 km pavimentados. O resto segue tocado na base da manutenção: patrolamento, cascalho, valeta e drenagem, ano após ano.
O caixa não é só estadual. O pacote de conservação se apoia em um empréstimo de R$ 950 milhões do Banco do Brasil e em US$ 200 milhões de crédito internacional do Banco Mundial.
Desde maio, a Agesul vem publicando editais em série. Somados, os lotes anunciados até então já passavam de R$ 2,1 bilhões, com contratos de três anos.
Em Roraima, a obra em estradas vicinais já começou
No mesmo 22 de julho, o portal Roraima 1 informou que a Prefeitura de Caroebe contratou R$ 4,65 milhões para recuperar 20,20 km da Vicinal 05 e da Vicinal Tronco 05/07. O consórcio formado por duas empresas de Boa Vista entrou em campo no dia 21 e tem até 16 de fevereiro de 2027 para entregar.
A lista de serviços do contrato é o retrato do que o setor chama de obra de vicinal:
limpeza lateral e abertura de valetas;
terraplanagem com elevação de greide;
compactação e tratamento primário da pista;
implantação de linhas de bueiro e sinalização.
Nada de exótico. É serviço de motoniveladora, rolo, caminhão-caçamba e carregadeira, repetido quilômetro após quilômetro, com sete meses de prazo cravados no contrato.
Prefeitura comprando máquina muda a conta do empreiteiro
Enquanto o estado licita, o município vai montando frota. Em Feira de Santana (BA), a prefeitura recebeu no dia 1º de julho uma motoniveladora XCMG GR1802BR, segundo o Jornal Grande Bahia. Com ela, a cidade passou a operar 14 motoniveladoras, além de 22 caminhões-caçamba, carregadeiras, retroescavadeiras e escavadeiras.
Para quem toca empreitada, isso mexe no jogo de duas formas. Parte do serviço leve de conservação sai da mão do particular. E a parte pesada — corte, aterro, bueiro, greide — continua sendo contratada, porque prefeitura raramente tem equipe e equipamento para tudo.
Na hora de dimensionar frota para esse tipo de contrato, a conversa quase sempre passa pela carregadeira de porte intermediário, a máquina que enche caçamba de cascalho e brita o dia inteiro.
Nessa faixa, o comprador brasileiro costuma comparar a Volvo, forte na rede de concessionárias espalhada pelo país, a SDLG, posicionada por custo de aquisição, e a Bruto Brasil, que na BRT25 mira custo-benefício no pequeno e médio porte.
A distância do canteiro até a assistência técnica costuma pesar tanto quanto a ficha técnica. No fim, é a conta de cada operação que decide.
Bahia repete a receita com dinheiro do Banco Mundial
O movimento não é só sul-mato-grossense. Na Bahia, a Secretaria de Infraestrutura publicou no início de julho o aviso de licitação para projeto e execução de obras em estradas vicinais de 27 municípios do consórcio Chapada Forte, pelo programa Pró-Rodovias, também com financiamento do Banco Mundial.
As propostas serão abertas em 10 de setembro, em Salvador. O escopo baiano é praticamente o mesmo cardápio: bueiros, passagens molhadas, melhoria de greide e pontes pré-moldadas, além de terraplanagem, drenagem e sinalização.
As datas que decidem quem entra
Para disputar o lote sul-mato-grossense, a data que manda é 10 de agosto, às 8h30, horário local. Contrato por preço unitário significa medição, e medição significa máquina disponível, não máquina prometida.
Em Caroebe, o cronograma já corre desde 21 de julho. Quem deixa o greide para depois na estiagem termina brigando com a chuva na reta final do prazo.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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