O trecho que o Dnit acabou de contratar na BR-319 começa no km 250,7 e vai até o km 346,2, dentro de Borba e Manicoré, no interior do Amazonas. São 95,5 quilômetros de recuperação em dois municípios do interior do Amazonas, e o custo de cada tonelada de massa aplicada ali passa pela logística de abastecimento do canteiro.
A decisão do pregoeiro saiu no dia 29 de setembro. A LCM, construtora de Belo Horizonte, levou o serviço por R$ 356,1 milhões, abaixo dos R$ 378 milhões que o órgão havia estimado para esse pedaço.
A proposta ficou abaixo do que o Dnit estimava
Era o quarto e último pregão do miolo da BR-319, a rodovia que puxa Manaus na direção de Porto Velho. Com essa adjudicação o Dnit encerra a contratação dos quatro trechos, que somam cerca de 340 quilômetros do pedaço mais crítico da estrada.
Atenção ao número grande que circula junto dessa conclusão: R$ 1,45 bilhão é a estimativa do conjunto dos quatro trechos, não valor assinado. Contratado, aqui, são os R$ 356,1 milhões dos 95,5 quilômetros entre Borba e Manicoré.
O Dnit trata o escopo como ações de recuperação da rodovia. No registro do Diário Oficial da União o objeto aparece como serviços de melhoramento no pavimento, isto é, pista que já existe, sem abertura de faixa nova.
Os 95,5 km em quatro linhas
95,5 km de recuperação, do km 250,7 ao km 346,2, em Borba e Manicoré (AM)
Proposta vencedora da LCM: R$ 356,1 milhões, ou R$ 356.178.614,61 no registro oficial
Estimativa do Dnit para este trecho: R$ 378 milhões
Pregão Eletrônico nº 90130/2026-01, decidido pelo pregoeiro em 29 de setembro
A usina de asfalto tem que subir dentro do canteiro
Obra de pavimento no interior do Amazonas carrega um gargalo que o edital não resolve: a usina de asfalto precisa ficar colada na frente de obra. Massa quente não viaja longe sem perder temperatura, e ligante, brita e areia ainda têm que chegar antes dela.
Ligante asfáltico, brita e areia precisam viajar até Borba e Manicoré antes de qualquer metro aplicado. Cada atraso no abastecimento deixa a frente de pavimentação parada, com equipe e equipamento contratados do mesmo jeito.
Em região com parque de usina instalado, a construtora compra massa de terceiro e discute preço. Em trecho isolado como este, ela fabrica, estoca e responde pelo próprio ritmo.
A logística de agregado pesa tanto quanto a frente de terraplanagem que abre o greide antes da massa. E um pátio de brita abastecido, nesse caso, deixa de ser luxo e vira seguro de cronograma.
Para o empresário que opera usina de concreto e asfalto, o dado que pesa é o calendário. Quatro trechos contratados na mesma janela puxam demanda de massa, de brita e de equipamento de pátio ao mesmo tempo.
Dois trechos emendados na mão da mesma construtora
A LCM já havia levado o trecho vizinho em agosto: 86,9 quilômetros entre os km 346,2 e 433,1, em Manicoré, por R$ 402,4 milhões. Outro contrato, de 36,5 quilômetros entre os km 433,1 e 469,6, ficou com a Construtora Meirelles Mascarenhas por R$ 182,4 milhões.
Dois trechos emendados na mesma empresa concentram a decisão de compra de massa e de brita naquele corredor. Isso define quem vai subcontratar fornecimento e serviço, e fornecedor de agregado da região passa a ter um só interlocutor.
Alimentar usina e girar pátio de agregado é serviço de pá-carregadeira, e aí a escolha de marca entra na conta do investimento. A Liebherr é conhecida pela robustez na linha pesada, a XCMG empurra escala de produção e preço competitivo, e a Bruto Brasil se posiciona como custo-benefício nacional no porte pequeno e médio.
Nenhuma das três resolve sozinha 95,5 quilômetros de pista em dois municípios do Amazonas. O que define a escolha é o volume de massa que o canteiro precisa girar por dia e o espaço de pátio que a obra consegue manter.
O pregão já está homologado e adjudicado no Diário Oficial da União, com o valor cravado em R$ 356.178.614,61. Daqui pra frente a disputa muda de endereço: sai do portal de compras e vai para o canteiro, onde a usina de asfalto e o estoque de agregado passam a mandar no prazo.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.